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Congelamento de verbas pode piorar serviços do Metrô de São Paulo

por suzanavier publicado 02/03/2011 17h43, última modificação 03/03/2011 09h50

Filas para embarque nos trens do metrô de SP aumentam, junto com outros problemas (Foto: Nelson Antoine/Folhapress)

São Paulo – O bloqueio de R$ 519 milhões destinados à Secretaria de Transportes Metropolitanos pode afetar desempenho do Metrô e dos trens paulistas, afirma o deputado Zico Prado (PT), vice-presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa (Alesp). O congelamento de verbas anunciado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), no valor de R$ 1,78 bilhão, deve atingir principalmente as áreas de habitação e transporte. Juntas, as duas pastas respondem por 72% das verbas paralisadas.

“A população vai pagar caro para andar numa verdadeira 'sardinha em lata'”, compara o parlamentar. Dentro do corte na área de transportes metropolitanos, o Metrô perdeu R$ 303 milhões; na CPTM, responsável pelos trens, R$ 196 milhões e, na EMTU, R$ 20 milhões. A Companhia do Metropolitano nega que o contingenciamento atinja projetos do Metrô.

Segundo o deputado, o Metrô do México tem 200 quilômetros, 131 a mais que o de São Paulo, com a mesma idade. “Nosso Metrô está atrasado muitos anos”, avalia Prado. Prova disso, exemplifica, são as dezenas de falhas registradas em 2010 e a superlotação do sistema.

O congelamento das verbas vai significar “atraso no desenvolvimento do Metrô e desaceleração das obras”, avalia o deputado.

Em encontro sobre mobilidade realizado na terça-feira (1º), moradores da Cidade Tiradentes, zona leste da capital paulista,  criticaram a adoção de monotrilho na região, em vez de Metrô. A principal preocupação dos populares é com a segurança e a qualidade dos serviços.  O monotrilho é constituído por um único trilho, em oposição às ferrovias tradicionais que possuem dois carris paralelos. O modal é considerado uma opção mais econômica, mas atende menor número de passageiros.

Estranhamento

Zico Prado estranha que o governador proponha congelamento de investimentos em áreas que atendam especialmente a população mais carente do estado. Ele analisa que a gestão de Alckmin começa sem definições importantes para a política de desenvolvimento do estado. “Não dá para esperar muita coisa da gestão tucana. Não há clareza sobre a política de governo dele”, dispara.

O próprio contingenciamento de recursos é considerado incoerente pelo parlamentar, porque acontece depois de uma gestão dos próprios tucanos. “Parece que ele está assumindo um governo que foi de oposição e que tem desconfiança”, avalia Prado. “Ele pode e deve rever contratos, mas sem que isso atinja a população.”

De acordo com o assessor da presidência do Metrô, Marcos Kassab, o bloqueio de verbas não vai afetar projetos de expansão. “Nada vai ser paralisado. Em breve teremos até novidades”, rebateu, em entrevista à Rede Brasil Atual.