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São Paulo

Sob pressão da população de rua, secretário de Doria anuncia revisão de decreto de zeladoria

Presentes em audiência na Câmara Municipal, população reclamou dos serviços, protestou e xingou a atual gestão
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 18/05/2017 16h54
Presentes em audiência na Câmara Municipal, população reclamou dos serviços, protestou e xingou a atual gestão
Rovena Rosa/Agência Brasil
População de rua

População de rua cita casos de violência e negligência em audiência pública

São Paulo – Pressionado por dezenas de pessoas em situação de rua, o secretário municipal de Assistência Social, Felipe Sabará, afirmou hoje (18), em audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo, que o decreto de zeladoria modificado pelo prefeito João Doria (PSDB) será novamente alterado até o final deste mês. A modificação feita autorizou a retirada de pertences da população de rua e tem levado a várias situações de violência contra essas pessoas.

"Estamos construindo ainda esse decreto com a sociedade civil e várias secretarias, então não posso dizer ainda o que vai mudar, mas a ideia é que inclua uma proteção aos pertences das pessoas em situação de rua", afirmou Sabará.

Os presentes reclamaram de vários problemas nos serviços de acolhida prestados pela atual gestão. Falta de retorno do pedido de encaminhamento a abrigos, serviço falho no atendimento 156, pessoas proibidas de utilizar banheiros se não estiverem alojadas, comida de péssima qualidade, além de casos de violência e negligência.

Segundo Roseli Barbosa, há um imenso grupo de pessoas que tem ficado na Páteo do Colégio e na Praça da Sé, na região central, por não conseguir acolhimento. "A gestão anterior ainda dava cobertores. Essa só tira. Os guardas jogam spray de pimenta, tomam tudo que a gente tem e ainda debocham, dizem que tem de 'dormir andando' na rua", afirmou.

Ranieri Rezende destacou que muitas vezes o veículo que faz o transporte das pessoas aos abrigos já chega lotado ou só tem destino para as periferias da cidade. Ou que as pessoas são impedidas de acessar o local por motivos aleatórios. "Daí no outro dia diz que sobraram 20 camas em um lugar, 10 camas em outro. Não é porque a população de rua não quis ir. É porque está sendo impedida", afirmou.

Sabará prometeu uma auditoria em todos os equipamentos de assistência à população de rua para investigar as denúncias feitas na audiência e que a gestão vai retomar a distribuição de colchões na próxima semana.

Guardas Civis Metropolitanos (GCMs) presentes no local foram xingados e chamados de assassinos. Mirella Ramos, esposa de Samir Ahmad, agredido por GCMs há duas semanas, estava na audiência. Segundo ela, o marido vai ter de passar por cirurgia no pulso devido a fratura decorrida da agressão e pode ter de usar parafusos no pulso. "Meu marido pode ter de usar uma 'gaiola' no pulso. Não vai poder trabalhar. Tudo por causa das violência da GCM", protestou.

Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, vereador Eduardo Suplicy (PT), a audiência foi ótima porque deu voz à população de rua. "Esperamos que na próxima reunião, em 1° de junho, o secretário traga as respostas às muitas reclamações apresentadas aqui hoje. E que realmente seja revogado o decreto que permite retirar os pertences da população de rua", afirmou.