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Clint Eastwood decepciona em novo filme

por guibryan1 publicado 26/01/2012 17h10, última modificação 27/01/2012 08h56

Leonardo di Caprio vive o papel de J. Edgar Hoover, num filme distante do conjunto da obra de Clint Eastwood (Foto: ©Divulgação)

Nem todos os trabalhos na filmografia dos mestres do cinema são obras-primas que merecem ser reverenciadas. Com o cineasta e ator norte-americano Clint Eastwood, de 81 anos, não é diferente. Diretor dos hoje clássicos “Os Imperdoáveis”, “Menina de Ouro”, “As Pontes de Madison”, “Sobre Meninos e Lobos” e “Cartas de Iwo Jima”, entre outros, ele também é capaz de realizar filmes insossos como “J. Edgar”, que estreia nessa sexta-feira, 27 de janeiro, nos cinemas brasileiros.

Com elenco estelar formado por Leonardo Di Caprio, Naomi Watts, Armie Hammer e Judi Dench, “J. Edgar” narra a história de J. Edgar Hoover, que foi chefe do F.B.I. (Federal Bureau of Investigation), por quase 50 anos, mantendo relações muito próximas com oito presidentes norte-americanos, atuando durante três guerras e fazendo uma luta cirrada contra os comunistas. Com alguns métodos extremamente truculentos e antiéticos, ele não demonstrava escrúpulos para defender seus segredos; atingir seus objetivos, mesmo manipulando documentos para ser mais do que de fato é; e manter a reputação, inclusive evitando uma possível homossexualidade, algo totalmente repudiado pela mãe.

Durante toda a vida, J. Edgar manteve ao seu lado apenas três pessoas. A mãe, a secretária Helen Gandy e o colega Clyde Tolson. O filme começa com J. Edgar, já idoso, ditando suas memórias para um rapaz. A partir daí, toda a história é narrada com idas e voltas no tempo, sendo o fato mais antigo o momento em que ele tinha cerca de 20 anos e começou a trabalhar com o que era apenas um Departamento de Investigação, criando algo que chegou a ser comparado a Gestapo.

Deixando de lado a vida pessoal em nome do serviço público, ele se transforma num "workaholic" e assume o papel de figura máxima no combate ao crime nos Estados Unidos e na caça aos comunistas. Um exemplo dessa entrega ao trabalho é o envolvimento com aquele que ficou conhecido como o “crime do século” – o sequestro e morte de Charles Lindbergh Jr, filho de um pioneiro da aviação. Um suspeito, Bruno Richard Hauptmann, foi preso e acusado pelo crime, tendo sido executado em 1936. É nesse momento que Hoover consegue estabelecer uma estrutura para a coleta e teste de provas forenses a partir da cena de um crime, e persuadir o Congresso a respeito da importância de ter as informações centralizadas para desvendar o caso.

Porém, no filme, nem mesmo essa sequência se mostra muito convincente. Investigar os meandros da vida desse homem poderoso, tanto na intimidade, como profissionalmente, poderia render um ótimo filme. Mas não é o que acontece. Apesar de estar muito bem no papel, a atuação de Leonardo Di Caprio muitas vezes não convence, já que o roteiro parece não lhe permitir transmitir melhor as incongruências do personagem. Paira uma frieza excessiva, que torna praticamente impossível se envolver com ele e ficar surpreso com os desdobramentos inesperados da narrativa.

As atuações do restante do elenco são boas, assim como a direção de arte assinada por James J. Murakami. A direção de fotografia de Tom Stern é caprichada, assim como os figurinos de Deborah Hopper e a trilha musical. assinada pelo próprio Clint Eastwood. Porém, o roteiro de Dustin Lance Black (vencedor do Oscar por "Milk") poderia ser muito mais instigante e profundo, o que piora ainda mais pelo fato de que a maquiagem para envelhecer alguns atores, principalmente Armie Hammer, soa extremamente caricatural.

Desse modo, "J. Edgar" é uma obra que retrata um capítulo muito importante, e pouco conhecido, da história política dos Estados Unidos, buscando mostrar o lado humano, e não apenas proifssional, do personagem. Mas Clint Eastwood peca na execução e cria um filme que envolvente pouco e é bastante insosso.

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