Publicado em 05/02/2012
FHC volta a criticar Serra e vê Aécio como candidato “em teste”
Entre José Serra e Aécio Neves, FHC parece se inclinar pelo segundo como candidato tucano contra Dilma Rousseff em 2014 (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom. Arquivo Agência Brasil)
São Paulo – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a criticar a postura do ex-governador José Serra durante a campanha eleitoral de 2010, disputada contra Dilma Rousseff. Em artigo para o jornal O Estado de S. Paulo neste domingo (5), o presidente de honra do PSDB reafirmou ver o senador Aécio Neves (MG) como o mais provável candidato da sigla em 2014, embora o veja “em fase de testes”.
FHC retomou as críticas que já havia feito durante uma recente entrevista à revista britânica The Economist, quando culpou Serra pelo fracasso nas últimas eleições presidenciais. “José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 sua mensagem”, argumentou no jornal paulistano, afirmando que o ex-governador deveria ter demonstrado mais convicção na defesa de suas propostas. “O isolamento em que sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória.”
Na sequência, o ex-presidente expõe novamente sua visão de que Aécio Neves é o “mais óbvio provável candidato” por conta da boa posição em Minas Gerais e de seu estilo de fazer política. Ainda assim, o senador “está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas?”. FHC pensa que Aécio deve ter a ousadia de dizer “verdades inconvenientes”, ainda que tenham um custo eleitoral, para mostrar à população que existe um “outro lado” na política.
O texto, intitulado “Crer e perseverar”, tem como mote a necessidade de a oposição deixar de lado a timidez em criticar um governo tão popular, centro dos debates de integrantes de DEM e de PSDB, incentivados pela mídia tradicional, nas últimas semanas, em especial depois que tucanos atacaram abertamente o que consideram uma postura tímida de Aécio na contraposição a Dilma Rousseff.
Em dois momentos, FHC compara a popularidade das gestões de Lula e de Dilma às obtidas durante o chamado “milagre econômico”, durante a ditadura. Ele considera que a oposição deve fazer seu papel independentemente do resultado eleitoral que isso acarrete, ainda que precise escolher aquilo que deseja, situação diferente da vivida durante o regime autoritário, quando estava claro que se o alvo era a abertura política.
O ex-presidente garante que ganhou duas vezes eleições contra Luiz Inácio Lula da Silva porque tinha uma mensagem clara, a da estabilização econômica por meio do Plano Real, e que o próprio Lula teve êxito quando se mostrou “audacioso, desprendido e generoso”.
Publicado em 02/02/2012
Página de jornalismo colaborativo em SP é lançada com debate neste sábado
São Paulo – Um debate marca neste sábado (4) o lançamento do SPressoSP, uma página de jornalismo colaborativo sobre a cidade de São Paulo. A área do centro conhecida como “cracolândia”, a especulação imobiliária e a cobertura da mídia tradicional sobre a maior capital do país serão os temas em discussão na Casa Fora do Eixo, no bairro da Liberdade.
A programação começa às 10h com uma conversa sobre a cracolândia, tema em evidência após a operação do início deste ano entre os governos estadual e municipal. Estarão presentes Daniela Skromov de Albuquerque, coordenadora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública, Jamil Murad, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, e padre Julio Lancelotti, coordenador da Pastoral do Povo de Rua.
Na sequência, o debate centra a especulação imobiliária na cidade, alvo de discussões por conta das operações urbanas promovidas pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). Kazuo Nakano, coordenador do Instituto Pólis, Osmar Borges, representante da Frente de Luta por Moradia, Roberto Araújo, representante do Movimento Luz Livre, e Paula Ribas, presidente da Associação de Moradores e Amigos da Santa Ifigênia e Luz (Amoaluz), são os debatedores.
Por fim, já na parte da tarde, entra em pauta a maneira como a mídia tradicional cobre os assuntos relativos a São Paulo. É a questão central da nova página, que em seu manifesto aponta querer promover um jornalismo regional para “contar histórias e abrir espaço para uma série de iniciativas que são solenemente ignoradas pelos espaços midiáticos tradicionais”. Guiarão o debate Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo, Renato Rovai, editor da Revista Fórum, e Rodrigo Vianna, do blog Escrevinhador.
Casa Fora do Eixo de São Paulo
Rua Scuvero, 282 – Liberdade, na capital paulista
A participação também será possível pela página na internet
Publicado em 27/01/2012
Funcionário de Alckmin culpa educação "de favela" por defeitos em casas da CDHU
São Paulo – O diretor da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU) para a região de Ribeirão Preto, Milton Vieira de Souza Leite, atribui à educação do "pessoal de favela" os defeitos de construção identificados em um conjunto habitacional da região. No final da tarde, a CDHU informou que o funcionário pediu demissão e divulgou comunicado no qual afirma que os comentários não refletem o pensamento da companhia.
"A gente conhece o nível de educação [dos moradores]... O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa", afirmou o funcionário do governador Geraldo Alckmin, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, ao responder por que, em sua opinião, as unidades habitacionais entregues em dezembro, com grande publicidade, por Alckmin apresentaram vários problemas dias depois.
Os moradores passaram a conviver quase simultaneamente com vazamentos nas pias, fissuras nas paredes e portas e janelas que não fecham. Em visita ao local, o diretor da CDHU argumentou ainda que a situação se resolveria com um trabalho social de longo prazo. "Você não consegue mudar a educação delas [famílias] somente mudando de local."
A respeito do caso de um morador que afirmou que a pia caiu depois de ter colocado uma cesta básica sobre ela, Leite saiu-se com uma tentativa de brincadeira. "O que ele foi comer era outra coisa", disse, insinuando que o problema ocorreu durante uma relação sexual na cozinha. O diretor ficou irritado ainda ao ver que havia moradores dormindo em duas residências no horário da visita. "Você viu? Não sei se eles estavam dormindo porque trabalharam à noite ou porque continuam sem fazer nada."
Até o momento, a CDHU não se manifestou sobre o caso. O estado geral das construções já provoca reação em políticos da oposição. O conjunto habitacional de Ribeirão Preto deverá ser motivo de convocação de Leite para depor na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, tão logo seja reiniciado o ano parlamentar, em fevereiro. O pedido deverá ser feito pelo deputado Carlos Gianazzi (PSOL).
Publicado em 26/01/2012
Tensão (midiática) entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas
A relação entre a Argentina e o Reino Unido voltou a ficar tensa por causa do controle das Ilhas Malvinas (Falkland Islands, para os ingleses). O embate envolveu até o Brasil e os Estados Unidos, produzindo um amplo debate midiático, principalmente em Buenos Aires. O reinício da discussão, já no período de normalização democrática, deu-se no governo de Néstor Kirchner, com a declaração de que o controle argentino das ilhas seria uma questão inexorável, refletindo uma política de governo. A postura foi mantida por sua esposa e sucessora, Cristina Fernández Kirchner que, mesmo afastada para recuperação da cirurgia na tireóide - outro assunto polêmico envolvendo o mundo midiático – estimulou o enfrentamento com o Reino Unido.
O assunto foi reaceso e se prolonga por semanas por causa da decisão do governo inglês de realizar manobras militares nas ilhas, inclusive com a presença do príncipe William, filho de Charles e Diana, herdeiro do trono, que deverá desembarcar em 2 de abril no local. Ele participará de treinamento no comando militar.
A reação da Casa Rosada foi a de qualificar a decisão como "militarista". Em contrapartida e para investir mais na polêmica, o governo inglês qualificou a posição da argentina de "colonialista", referindo-se à população da ilha que, em 1982, manifestou-se contrariamente a um controle argentino. Mesmo assim, a expressão adotada por um antigo império colonial provocou ironias por parte da mídia de esquerda argentina contra os ingleses, considerados os mais colonialistas de todos os países do planeta.
Pela direita, os jornais que mantêm oposição conservadora ao governo de Cristina, ainda em guerra por causa da lei dos meios de comunicação (Ley de Medios), ironizaram tanto o governo argentino como o do primeiro-ministro britânico, David Cameron (embora a decisão territorial seja de Estado, prerrogativa da rainha), qualificando o debate como uma forma de desviar a atenção para problemas externos, uma manobra característica de governos em dificuldades políticas.
Nessa linha, o assunto remete aos tempos da ditadura militar. O regime autoritário argentino era comandado pelo general Leopoldo Fortunato Galtieri, quando o exército do país ocupou as ilhas em abril de 1982. As tropas foram expulsas pela frota inglesa em junho daquele ano, deixando 694 jovens soldados argentinos mortos, o que apressou o fim da ditadura.
O governo argentino retira subsídios da água, luz e transporte público, o que provoca aumento do custo de vida, inflação e protestos, somados ao desgaste da cirurgia na tireoide a partir de um diagnóstico falso-positivo de câncer – situação que ocorre em 2% dos casos, mas o tratamento indicado costuma ser a retirada da glândula, segundo os médicos que tratam a presidenta. O Reino Unido, por sua vez, enfrenta a crise bancária europeia e tem uma enorme taxa de desemprego (8,3% em dezembro de 2011, a mais alta desde 1996).
Independentemente desses cenários, o que motiva mesmo o protesto argentino são as manobras militares, consideradas provocativas. Alguns articulistas relacionaram a questão à produção de petróleo e gás natural, relembrando e adaptando a frase de campanha de Bill Clinton em 1992 para "É o petróleo, estúpido". O ex-presidente norte americano referiu-se ao impacto da economia no processo eleitoral daquele ano, consagrando uma máxima repetida e parodiada com frequência desde então.
De pronto, o Brasil alinhou-se à Argentina. A declaração do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, em defesa da soberania argentina e o direito do país sul-americano sobre as ilhas foi comemorada. A posição do governo Dilma Rousseff mantém a de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, expressa na "Carta do Rio", de 2010.
O texto em questão reconhece o direito argentino tanto às Malvinas, como a ilhas Sandwich do Sul e Geórgia do Sul. Já Barack Obama subiu de novo no muro, nem a favor nem contra a ambos os lados e pediu negociações entre os dois países. Para não perder tempo, a chancelaria argentina reafirmou seu compromisso de negociar, o que nesta etapa do conflito midiático, a palavra negociar serve apenas para clarear que a Argentina não pensa em usar qualquer ação militar, mas a mídia vaza a ideia de uma ocupação da ilha por pescadores, numa versão de Ocupa Malvinas.
A Argentina reclama a posse das Ilhas Malvinas desde o início do século XIX, quando da expulsão dos espanhóis e da independência. Localizadas no Atlântico Sul na ponta mais sul da Patagônia e Terra do Fogo, as Malvinas foram descobertas em 1520 por um espanhol e mudaram de controle ao ritmo dos enfrentamentos entre os colonizadores europeus até que no início do século XIX, ingleses e espanhóis dividiram o controle do arquipélago. Quando da expulsão dos espanhóis, o governo Argentino assume seu controle por 13 anos, entre 1820 e 1833, mas não consegue resistir ao poder militar dos ingleses, situação que prevalece até hoje. Sua população atual é de cerca de cinco mil ilhéus (os kelpers, cidadãos de segunda categoria na versão argentina) e militares. Sua economia é de pesca, agricultura, pastoril, petróleo e gás natural.
Independente do que vai acontecer até abril, o governo argentino sai ganhando no confronto, pauta os movimentos sociais, as facções peronistas, as mães da Plaza de Mayo, dá um perfil kirchenista ao momento político, estimula ainda mais o entusiasmo latino-americano de sua juventude e coloca o país alinhado com a nova ordem mundial de soberania na América Latina.
Publicado em 15/01/2012
Frei Betto: Fórum Social e a nota só dos "donos do poder"
Porto Alegre abrigará, de 24 a 29 deste mês de janeiro, o FSM (Fórum Social Mundial) centrado no tema "Crise capitalista – justiça social e ambiental”. O evento é uma das atividades preparatórias da Cúpula dos Povos da Rio+20, que se reunirá na Cidade Maravilhosa entre 20 e 21 de junho de 2012.
O FSM se realiza no momento em que vários povos se movimentam por liberdade e democracia, como ocorre no mundo árabe. No Ocidente, a crise do capitalismo suscita o movimento Ocupem Wall Street. As duas manifestações têm em comum clareza quanto ao que não se quer, sem, no entanto, apresentar propostas alternativas viáveis.
No último 15 de outubro, houve mobilizações em quase 1 mil cidades de 82 países! No mundo andino, povos indígenas questionam o modelo capitalista de desenvolvimento e resgatam os valores do bem viver - sumak kawsay.
Como resultado da incompetência de um sistema que prioriza a acumulação privada da riqueza em detrimento dos direitos humanos, sociais e ambientais, o capitalismo conhece, agora, nova crise. Diante dela, a reação dos donos do poder é o samba de uma nota só: austeridade, cortes, aumento de impostos e desemprego, flexibilização das leis trabalhistas, congelamento de salários.
Salvam-se os bancos e dane-se a população. Mais miséria à vista; jovens sem perspectiva de futuro, condenados à droga e ao crime; fluxos migratórios desordenados.
Do lado da esperança, e após três décadas de globocolonização neoliberal, as manifestações sinalizam valores positivos como a empatia pelo sofrimento alheio, a solidariedade, a defesa da igualdade, a busca de justiça, o reconhecimento da diversidade e a preservação ambiental. Sem esse universo ético não há esperança de se construir um outro mundo possível.
É preciso reinventar a convivência humana. E, da parte dos donos do poder, não há nenhuma proposta fora da preocupação de não refrear a roleta do cassino global. A crise ambiental é ignorada pela ONU, pelos governos dos EUA e da União Europeia, e nada garante que a Rio+20 conseguirá reunir, como na Eco-92, chefes de Estado dos países do G8.
Mercantiliza-se a vida, destroem-se os ecossistemas, reduz-se rapidamente a biodiversidade. Em todo o planeta, acentuam-se os empreendimentos extrativistas, sem nenhuma preocupação com seus impactos sociais e ambientais. Áreas fundiárias são descaradamente transnacionalizadas em países do Terceiro Mundo.
Em Belém 2009 e Dakar 2011, o FSM deu passos significativos na busca de alternativas ao desenvolvimentismo e ao consumismo, tendo em vista a preservação ambiental. Agora, a luta social é oxigenada pela busca de democracia e soberania nos países árabes, e as amplas manifestações, na Europa e nos EUA, contra a lógica necrófila do neoliberalismo.
Se outro mundo é possível, isso se dará a partir da convergência de todas essas mobilizações, da sincronia entre todos que lutam pela preservação ambiental, do diálogo entre as forças sociais e políticas convencidas de que dentro do capitalismo não há salvação para o futuro da humanidade.
O FSM de Porto Alegre 2012 deverá ser o ponto de encontro de sujeitos políticos capazes de apontar uma saída para a crise e as bases de construção de um novo modelo civilizatório, no qual predomine a globalização da solidariedade. E dele poderão brotar propostas temáticas para abastecer aqueles que, em junho, se encontrarão na Cúpula dos Povos (Rio+20).
A dinâmica do FSM 2012 será à base de grupos temáticos, de modo a acolher experiências e contribuições dos participantes em torno de quatro eixos transversais: 1. Fundamentos éticos e filosóficos: subjetividade, dominação e emancipação; 2. Direitos humanos, povos, territórios e defesa da Mãe-Terra; 3. Produção, distribuição e consumo: acesso à riqueza, bens comuns e economia de transição; 4. Sujeitos políticos, arquitetura de poder e democracia.
Publicado originalmente na página da Adital (Agência de Informação Frei Tito para a América Latina).
Publicado em 10/01/2012
Protesto consagrado em 2011, churrascão diferenciado ganha versão para 'cracolândia'
A "cracolândia", como é conhecido o local que concentra usuários de crack no centro de São Paulo, deve receber a edição do "Churrascão da Gente Diferenciada", ou simplesmente "Churrascão Diferenciado", neste sábado (14). A promessa é de um grupo que organiza o evento por meio das redes sociais. Com o lema: "porque na 'cracolândia' todo mundo é gente como a gente", a versão Luz (na região central) do evento convida a população a se mobilizar contra a repressão sofrida pelos usuários.
Na primeira semana deste ano, uma ação conjunta da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM) promoveu a Operação Sufoco, ou Ação Integrada Centro Legal, tentando retirar pessoas que frequentam o local para consumir e comprar a droga. A ação coordenada entre o governo estadual e da prefeitura municipal é criticada por organizações que trabalham com a questão, por optar por uma abordagem de segurança pública em vez de saúde.
As administrações da cidade e do estado, comandadas respectivamente por Gilberto Kassab (PSD) e Geraldo Alckmin (PSDB) estariam interessadas, segundo os organizadores do "Churrascão", em "higienizar" a área com outros objetivos. Longe de adotar uma política social, eles acusam os governos de promover a ação para favorecer a especulação imobiliária.
O churrasco é organizado por coletivos, grupos e entidades da sociedade civil. A maneira "bem humorada e crítica" de protestar, como é descrito o evento, propõe a reflexão sobre a influência do preconceito e até de racismo por parte das administrações públicas e da elite.
Em maio do ano passado, também em um sábado, a mobilização em torno de um churrasco foi uma forma de protesto, em frente a um shopping na avenida Higienópolis, contra a resistência da população do bairro nobre homônimo à instalação de uma estação de metrô na região. Pressionado, o governo estadual voltou atrás e manteve a construção, parte da futura Linha 6-Laranja do metrô.
Em ambos os episódios, o preconceito surge como alvo. No caso atual, grave por afetar a saúde humana, desperta a necessidade de reação, segundo nota do Coletivo Antiproibionista de São Paulo. "Traga seus instrumentos, cartazes, idéias, alimentos e o que mais achar necessário para tornar agradável neste sábado de protesto e diálogo em defesa de políticas corretas, respeitosas e abrangentes em relação à população de rua", convida o coletivo.
A página do "Churrascão Diferenciado" no Facebook permite confirmação de presença. Até as 17h40 desta terça-feira (10), 440 pessoas prometeram comparecer.
Churrascão da gente diferenciada, versão cracolândia
Sábado, 14 de janeiro, às 16h
Rua Helvétia com Dino Bueno, centro de São Paulo
Publicado em 09/01/2012
Doação pessoal milionária levanta novas suspeitas sobre DEM e PSDB
Página do TSE mostra doações milionárias à campanha tucana feita por socialite e esposa de empresário envolvido em escândalo de corrupção (Reprodução)
São Paulo - O Blog do Saraiva publica nesta segunda-feira (9) cópia da página do Superior Tribunal Eleitoral que aponta que a socialite de Brasília Ana Maria Baeta Valadares Gontijo doou R$ 8,25 milhões, como pessoa física, ao comitê do PSDB em 2010. A soma equivale às contribuições de grandes bancos e empreiteiras e é recorde entre pessoas físicas.
Pela legislação brasileira, aponta o ex-juiz de Direito, todo cidadão é livre para fazer doações a partidos políticos, até o limite de 10% de seu rendimento grupo no ano anterior. Portanto, Ana Maria deveria ter comprovado renda de pelo menos R$ 82,5 milhões durante 2009 (pouco mais de R$ 7 milhões mensais). Em perfis publicados em colunas sociais, Ana Maria aparece sempre como dona de casa.
Além da soma, a benevolência da socialite chama atenção pela fato de ela ser casada com José Celso Valadares Gontijo que, nas gravações obtidas pela Polícia Federal durante a Operação Caixa de Pandora, aparece entregando pacotes de dinheiro a Durval Barbosa, operador do chamado Mensalão do DEM, no Distrito Federal (DF).
No relatório da CPI da Câmara do DF sobre o tema, a participação de José Celso é descrita com minúcias. O post de Saraiva também é ilustrado com uma cópia do tópico que relata como o empresário se relacionava de maneira criminosa com o ex-governador José Roberto Arruda, cassado do cargo.
O blog também lembra que o NaMariaNews já mostrou que a empresa Call Tecnologia e Serviços, de José Celso, já conquistou contratos milionários de serviços de atendimento por telefone em São Paulo. Primeiramente pelo então prefeito da capital José Serra (PSDB), pouco antes de deixar o cargo para seu vice, Gilberto Kassab, em 2006, que não cancelou a parceria. Depois, em 2009, um novo e vantajoso contrato foi firmado entre a Call e o governo do estado - o governador era José Serra.
Leia a íntegra do post de Saraiva e as denúncias, do NaMariaNews, sobre as ligações suspeitas dos Gontijo com o poder em São Paulo
Publicado em 29/12/2011
Documentário espanhol aborda contradições do projeto Nova Luz
A destruição social e urbanística que o projeto Nova Luz, da prefeitura de São Paulo, pode causar ao centro da capital paulista é o tema central do documentário “Luz”, do grupo de intervenção artística Left Hand Rotation. Os produtores são de Madrid, na Espanha. Segundo a prefeitura paulistana, as intervenções serviriam para requalificar e revitalizar o centro histórico da cidade, mas mostrou-se muito mais um processo de exclusão para quem mora ou trabalha na região da Luz e Santa Ifigênia. O documentário também critica o fato de a iniciativa ser voltada à especulação imobiliária.
Com o olhar atento de quem valoriza as pessoas que fazem a história de cada lugar, os espanhóis Lolo e Sara interessaram-se pelos impactos da ação. O projeto, caso se confirme, prevê a desapropriação de 44 quarteirões da região e demolição de boa parte dos edifícios da área.
Os documentaristas abordam especialmente o processo de "gentrificação" em São Paulo, com a iniciativa do Nova Luz, que apesar de partir da prefeitura da capital paulista será implementado pela iniciativa privada. O termo "gentrificação" diz respeito ao enobrecimento de espaços urbanos com retirada, por vezes de forma arbitrária, de moradores tradicionais, sem dar-lhes condições dignas de vida. Em alguns contextos também é chamado de "higienização social" ou "limpeza social".
A jornalista e moradora do bairro, Paula Ribas, da Associação Amoaluz participou ativamente do documentário e é por ela que muitas das contradições do projeto vêm à tona. Paula mantém um blogue que relata o dia-dia de quem tenta evitar a destruição do bairro em que nasceu.
O documentário que será exibido em debates de resistência social na Universidade de Madrid é útil para que muitos brasileiros entendam o projeto Nova Luz e as dificuldades do centro da cidade, expressou a jornalista ao site de notícias Spresso SP. “Esse entendimento atrai pessoas que amam esse lugar e querem ajudá-lo a se reconstruir. O olhar dos espanhóis foi muito importante para entendermos também que esse é um mau que afeta o mundo todo: exploração imobiliária e exclusão social. Por isso, é preciso organizar e amar nossas lutas, pois é exatamente isso que as pessoas captam e por isso querem fazer parte, querem transformar. O povo está pronto para construir, lutar e fazer a diferença”, disse Paula.
Assista ao documentário
LUZ | subtitulado from Left Hand Rotation on Vimeo.
Publicado em 28/12/2011
Por investigação e CPI, "Privataria tucana" ganha vídeos e até cordel
A chegada do livro "A Privataria Tucana" às livrarias do país, no dia 9 de dezembro, montou um prato cheio a blogueiros, chargistas, produtores de audiovisual e até poetas no fim de ano. A obra do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Júnior motiva uma série de vídeos, ilustrações e até um cordel que apostam no bom humor para tratar de um tema árido, sobre acontecimentos de quase 15 anos atrás.
A publicação de Ribeiro Júnior traz documentos e informações contra o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil na década de 1990 Ricardo Sérgio de Oliveira, apontado como "artesão" dos consórcios de privatização em troca de propinas. Outro citado é o ex-governador paulista José Serra (PSDB), que tem familiares apontados como agentes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos na venda de estatais.
Um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi protocolado na semana passada pelo deputado Delegado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), com 185 assinaturas, seis a mais do que as 171 exigida pela Constituição – um terço dos 513 parlamentares com assento na Câmara Federal. Quatro deputados do PSDB subscreveram. A executiva nacional dos tucanos, porém, promete processar o autor do livro.
De autoria de Silvio Prado, diretor estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o "Cordel da Privataria" trata o livro de Ribeiro Júnior como "maior presente do ano" que pode arrebentar o esquema de um "grupo tão insano". Os versos criticam ainda a velha mídia por silenciar, em sua maioria, sobre a publicação.
No grupo dos vídeos publicados, o de maior circulação foi uma paródia do filme "A Queda", sobre os últimos dias de Adolf Hitler. O trecho já teve as legendas alteradas para todo tipo de piada, seja durante a campanha eleitoral de 2010 – para ambos os lados da disputa –, seja para contendas de futebol. Na versão em questão, o ditador alemão "discute" formas de evitar que o livro ganhe projeção.
Outro também recorre a um trecho recorrentemente parodiado, um dos filmes da série "O Senhor dos Anéis". Trata-se de uma cena em que o personagem Smigol remói-se sobre o que fazer contra os protagonistas da saga.
Chargistas como Bira, Bessinha e Aroeira também não perderam a oportunidade de fazer piadas com o caso.
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Publicado em 26/12/2011
Silêncio leva leitor de O Globo a questionar falta de cobertura sobre livro "Privataria Tucana"
No Rio de Janeiro, leitores do jornal O Globo, como o cineasta Eduardo Valente, se perguntam e indagam o jornal sobre os motivos por que o livro "A Privataria Tucana" foi desprezado há várias semanas pelo noticiário do veículo. Com exceção de artigos pontuais de colunistas que desqualificam a publicação do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Junior, o veículo deixou de tratar das denúncias apresentadas sobre o processo de privatização da década de 1990.
O trabalho de Ribeiro Júnior traz documentos e informações que sugerem que o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira agiu como "artesão" da construção de consórcios de privatização em troca de propinas. Outro citado é o ex-governador paulista José Serra (PSDB), que tem familiares apontados como agentes de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos na venda de estatais.
Na tentativa (inglória) de obter respostas sobre o silêncio de O Globo, Valente encaminhou duas cartas em dias consecutivos ao jornal. Primeiro, ele declarou sua "preocupação" com a falta de atenção ao caso, sugerindo acreditar que se tratava de falta de conhecimento. Em carta de 15 de dezembro, divulgada nesta segunda-feira (26), pelo Observatório de Imprensa e pelo blogue de Luis Nassif, o leitor do jornal destaca: "Prezados editores de O Globo, agora estou oficialmente preocupado. Como vocês podem ver pela carta abaixo, que enviei nos dois últimos dias, eu achava que algum engano estava acontecendo sobre nenhuma menção ao livro Privataria tucana, às denúncias contidas nele, fartamente documentadas, nem à reação ao mesmo, que ontem levou um deputado federal a pedir abertura de CPI e outros dois a se pronunciarem no plenário".
A suposição generosa do cineasta é de que o jornal "encontra-se sob censura". "E, por isso mesmo, quero me irmanar ao jornal na sua luta para escapar das garras deste inimigo tão insidioso que, em um passado ainda próximo, nos afetou a todos de maneira tão tacanha", diz o leitor. Em suas argumentações, Valente afirma entender até que o jornal não pode publicar suas carta, "por forças maiores".
Em missiva anterior, o leitor lembra que "denúncias, idôneas ou não, que costumam ocupar a capa de uma outra revista semanal, são sempre muito bem repercutidas em O Globo logo na segunda-feira, quando são publicadas.
Outra lembrança das correspondências de Valente ao jornal são os princípios editoriais das Organizações Globo: “(...) Não pode haver assuntos tabus. Tudo aquilo que for de interesse público, tudo aquilo que for notícia, deve ser publicado, analisado, discutido; (...) gostar ou não de um assunto ou personagem não é critério para que algo seja ou não publicado. O critério é ser notícia; (...) as Organizações Globo são apartidárias (...) os jornalistas das Organizações Globo devem evitar situações que possam provocar dúvidas sobre o seu compromisso com a isenção.”
O texto amplamente divulgado pela empresa em 2011, inicialmente até serviu para tranquilizar o leitor preocupado. Mas ainda não foi dessa vez que teoria e prática caminharam juntas. Pelo menos não na "vênus platinada".
Publicado em 21/12/2011
Investigação por monopólio de papel fica de fora do noticiário sobre Clarín
Passada uma década do "Corralito" , a crise institucional que abalou a economia Argentina em 2001, o noticiário sobre país vizinho na velha mídia brasileira foi povoado pela ação policial na redação do jornal Clarín na terça-feira (20). Com termos como "ocupação", "invasão" e "ameaça a liberdades" (de imprensa ou de expressão), a cobertura apresenta um cenário de censura e cerceamento aos meios de comunicação no país governado por Cristina Kirchner.
A notícia inicialmente circulou a partir das informações do próprio Clarín na internet, apresentando a informação de que 50 militares invadiram a sede da Cablevisión (conglomerado de mídia que mantém o jornal, além de canais de TV) por ordem da Justiça da cidade de Mendoza, a mil quilômetros de Buenos Aires. Um vídeo foi exibido em telejornais brasileiras, sugerindo que os profissionais foram expulsos da redação durante a ação.
A presença das forças de segurança foi motivada oficialmente por uma denúncia de "abuso" de poder associado ao monopólio de papel mantido pela empresa Prensa Papel, única produtora da matéria-prima usada para imprimir jornais e revista. A queixa foi apresentada pela empresa Supercanal, do grupo Grupo Uno, conhecido como Vila-Manzano – visto como aliado do governo.
Desde 1976, durante o governo militar argentino, o Clarín tornou-se um de seus sócios majoritários (49% das ações). Participam ainda do empreendimento outro jornal do país, o La Nación, com 22%, e o Estado, com 27,49%. A formação do quadro atual tem um episódio conturbado de acusação de extorsão à família de David Graiver, que controlava parte das ações. A viúva do empresário afirma que o marido sofreu extorsão por meio de prisões de familiares e sequestro de bens por agentes da ditadura do país – tudo para pressioná-lo a vender sua participação.
"Esta propriedade cruzada é sem dúvida nenhuma um risco à pluralidade e à diversidade da informação na Argentina, uma vez que quem controla a matéria-prima tem interesses comerciais para além da venda do papel", escreveu a jornalista e diretora do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé Renata Mielli em seu Janela sobre a palavra . Embora o Brasil sofra com a concentraçaõ na produção de papel jornal – nas mãos da norueguesa Norke Skog – não ocorre a propriedade cruzada nesse aspecto.
Reeleita em outubro e empossada para o segundo mandato em novembro, a presidenta Cristina Kirchner conseguiu aprovar na Câmara, em 15 de dezembro, um projeto para declarar a produção, venda e distribuição de papel jornal como áreas de "interesse público". A matéria precisa passar ainda pelo Senado. A iniciativa desagradou os sócios privados, que teriam de vender a participação conforme os termos da proposta.
Segundo Martín Becerra, pesquisador de políticas, planejamento e concentração de meios de comunicação, o controle da empresa pelos principais compradores é uma situação "anômala", se comparada à de outros países do mundo. "Não sei da existência, em nenhum lugar do mundo, desta situação, onde o Estado é sócio das duas principais empresas jornalísticas na única fornecedora de papel-jornal do país. É uma situação única", disse o especialista ao OperaMundi .
O governo sustenta que o controle da produção de papel foi resposável pelo fechamento de jornais no país, acusando os sócios majoritários de praticar preços mais elevados para outros compradores (os concorrentes), além de restringir a venda em períodos de escassez. "Historicamente vários competidores se queixaram, criticaram o fato de que, segundo eles, se viram discriminados na hora de participar do mercado de compra de papel", afirma Becerra.
Embora discorde de aspectos do projeto, especialmente no que diz respeito à manutenção de cotas de importação de papel em vez de abrir o mercado argentino, Becerra explica que o fato de o governo Cristina Kirchner levar a questão adiante é uma das razões para sua popularidade. A questão estava colocada há pelo menos 35 anos (desde a criação da empresa) mas não foi enfrentada por governos anteriores. "É verdade que às vezes o governo toma decisões arbitrárias, feitas rapidamente, sem consenso com a oposição. Mas também é verdade que avançam em questões que merecem profundas transformações."
Além do projeto sobre o mercado de papel jornal, o governo argentino aprovou, em 2009, a "Ley de Medios" (Lei dos meios de comunicação), estabelecendo restrições à propriedade cruzada de veículos de mídia e outras restrições à concentração econômica no setor. Em função da iniciativa, Cristina Kirchner foi acusada de ameaçar a liberdade de imprensa no país. A reforma das comunicações incluiu até a transferência à TV pública dos direitos de transmissão de partidas de futebol, o que desagradou interesses dos principais grupos do setor.
Publicado em 21/12/2011
Privataria Tucana e o silêncio da mídia: assista ao vivo
Assista ao vivo, a partir das 19h desta quarta-feira (21), ao debate "Privataria Tucana e o silêncio da mídia". O autor do livro com denúncias sobre as privatizações da década de 1990, realizadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Amaury Ribeiro Jr., é presença confirmada. Participam ainda o deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), autor do pedido de CPI sobre o tema, e o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim.
O evento será transmitido pela internet e pode ser assistido pela Rede Brasil Atual .
Assista a partir das 19h
Para assistir, é necessário ter instalado o Windows Media Player ou plug-in compatível
Quer retransmitir?
Copie o código abaixo e cole em seu blogue ou site
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Publicado em 20/12/2011
Autores de livro e de pedido de CPI da Privataria se reúnem em São Paulo
Um debate programado para esta quarta-feira (21) no centro de São Paulo reúne os autores do livro "A Privataria Tucana" e do pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Federal para investigar as privatizações da década de 1990. Amaury Ribeiro Jr., jornalista que assina a publicação lançada no início de dezembro, participa do evento ao lado do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). O jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim também compõe a mesa.
O evento será transmitido pela internet ao vivo e poderá ser assistido pela Rede Brasil Atual . O link e o código para incorporar o vídeo a blogues e portais será divulgado nesta quarta.
O Centro de Estudos Barão de Itararé promove um lançamento da obra, às 19h, no Auditório Azul do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Na página do evento criado no Facebook , havia 428 presenças confirmadas até as 14h40 desta terça-feira (20).
- CPI da Privataria Tucana poderá ser instalada ainda este ano
- Aécio quer garantir agora prévias para escolha de candidato tucano a presidente
- Entrevista com Protógenes Queiroz
- Dilma diz que não leu livro sobre tucanos e evita falar em CPI
- Após seis dias, PSDB defende privatização e desqualifica autor de acusações
- Protógenes afirma que já tem assinaturas para requerer CPI da Privataria
- Jornalista espera que revelações de livro produzam investigação sobre privatizações
- CPI da Privataria ganha adesão até de tucanos na Câmara
- A bombástica conversa sobre a privataria do PSDB
- PSDB silencia sobre denúncias à “privataria” e ataca o PT
- "Privataria": Diante do silêncio da mídia, vale até enviar livro a procurador
- Arapongagem tucana volta à cena em livro que denuncia maracutaias nas privatizações
- Ribeiro Júnior dispara contra tucanos e imprensa; e critica até o PT
O livro chegou às livrarias no dia 9. No primeiro fim de semana, segundo a editora Geração Editorial, foram 15 mil exemplares vendidos. Uma nova impressão, de 30 mil volumes, foi rodada a seguir. A maior parte dos jornais e revistas da velha mídia ignorou a obra de 330 páginas até que figurasse na lista dos mais vendidos no país.
Além de relembrar o processo de privatizações, citando reportagens publicadas nos anos 1990, durante a venda de empresas estatais de setores como telecomunicações, elétrico e de bancos públicos, Amaury Ribeiro Jr. inclui 112 páginas de documentos. Há indícios fortes de lavagem de dinheiro praticadas por figuras como Ricardo Sérgio de Oliveira – ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e ex-caixa de campanhas eleitorais do PSDB – e de parentes do ex-governador José Serra (PSDB).
O lançamento terá coquetel e coincide com a confraternização de fim de ano do Barão de Itararé.
A Privataria Tucana e o Silêncio da Mídia
Organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé
Nesta quarta-feira (21), às 19h
Rua São Bento, 413
Auditório azul do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região
Presenças confirmadas:
- Amaury Ribeiro Jr., autor do livro “A Privataria Tucana”
- Paulo Henrique Amorim, jornalista e blogueiro
- Protógenes Queiroz, deputado e autor do pedido da instalação da CPI da Privataria
Publicado em 19/12/2011
Blogueiros entrevistam Stédile ao vivo nesta segunda, às 20h30, via Twitcam
Blogueiros entrevistam, nesta segunda-feira (19), às 20h30, o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stedile. Via Twitcam da Rede Brasil Atual , a entrevista será transmitida ao vivo.
Serão discutidos temas como a reforma agrária, a avaliação do primeiro ano do governo da presidenta Dilma Rousseff, a expansão do uso de agrotóxicos e a pressão do agronegócio sobre o Código Florestal.
Os entrevistadores escalados são: Maria Inês Nassif ( Carta Maior ) Rodrigo Vianna ( Escrevinhador ), Conceição Lemes (do Vi o Mundo ), Renato Rovai ( Blog do Rovai ), Paulo Salvador (da Rede Brasil Atual ) e Conceição Oliveira (do Blog da Maria Frô ).
O evento acontece na sede do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, no centro da capital.
A transmissão pode ser acompanhada em:
http://bit.ly/stedile
Além de assistir, é possível participar, enviar perguntas e até retransmitir o conteúdo em blogues e páginas na internet. A partir das 20h30, acompanhe aqui:
Publicado em 11/12/2011
"Privataria": Diante do silêncio da mídia, vale até enviar livro a procurador
Com poucas exceções, a velha mídia evita comentar o lançamento do livro "A Privataria Tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Júnior. Para pressionar por investigações do caso, que traz documentos sugerindo o envolvimento de lideranças do PSDB com corrupção durante privatizações realizadas na década de 1990, até o envio de exemplares da obra ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, viram forma de pressionar por investigação.
Publicado em 01/12/2011
Reportagem da Revista do Brasil é premiada
O perfil do arcebispo emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, está entre as reportagens vencedoras no XXVII Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo, promovido pela seccional do Rio Grande do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RS). Os jornalistas João Peres e Virgínia Toledo receberão menção honrosa na categoria "reportagem" por "Guerreiro de batina", publicada na edição de setembro deste ano da Revista do Brasil.
Capa da edição 63, a matéria parte do aniversário de 90 anos do religioso, completados em 14 de setembro, para lembrar a importância de sua ação em defesa dos direitos humanos e da cidadania. Outros 10 textos foram publicados na Rede Brasil Atual, com base na mesma apuração. Ao todo, foram oito entrevistas com religiosos e defensores de direitos humanos, além de autoridades.
Aliado ao reconhecimento da qualidade jornalística, o prêmio reforça o reconhecimento da figura de dom Paulo. A série de reportagens lembra episódios da atuação de dom Paulo da luta contra a tortura durante a ditadura e pela redemocratização, incluindo a atuação ao lado de movimentos de trabalhadores, da população em situação de rua, da comunidade carcerária, entre outros grupos.
A entrega dos prêmios ocorre no dia 9 de dezembro, às 20h, em Porto Alegre, na sede da OAB-RS. O prêmio é promovido anualmente em parceria com o Movimento de Justiça e Direitos Humanos e está na 28ª edição. O objetivo é estimular a produção dos jornalistas em denúncias de violações e na defesa de direitos humanos.
A iniciativa conta ainda com o apoio da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (Arfoc) estadual e nacional, além da Secretaria Regional Latinoamericana de la Unión Internacional de Trabajadores de la Alimentación y la Agricultura (Rel-Uita), de Montevidéu, Uruguai.
A temática do respeito aos direitos humanos está presente quase que diariamente na pauta da Rede Brasil Atual – no site desde maio de 2009 e na rádio há sete anos – e em praticamente todas as 65 edições da Revista do Brasil desde junho de 2006.
"O reconhecimento dessa política editorial por intermédio de um dos personagens mais importantes do século 20 premia com chave de ouro o caráter humanista e a qualidade profissional que movem o trabalho de João Peres e de Virginia Toledo. Esse prêmio simboliza, neste momento, a energia que move toda a equipe da Rede", diz o jornalista Paulo Donizetti de Souza, editor da Revista do Brasil.
Publicado em 25/11/2011
Lula faz "bastante" política até em tratamento
Durante o encontro do PT para discutir o projeto de marco regulatório das comunicaçõe, nesta sexta-feira (25), em São Paulo, o ex-deputado federal e ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) contou que esteve com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na véspera. A visita foi dedicada a levar um abraço e "uma força", segundo explicou inicialmente Dirceu.
Questionado se o presidente Lula está fazendo política e dialogando com outros atores mesmo em meio ao tratamento de quimioterapia contra um tumor na garganta, Dirceu foi contundente: "Bastante!".
Chefe da Casa Civil durante o primeiro ano e meio de governo Lula, Dirceu contou que o ex-presidente estava muito bem disposto durante o encontro, sem ser afetado pelor efeitos colaterais comuns da quimioterapia. "Conversamos, discutimos muitas questões, e decidimos muitas coisas importantes em que vou ajudar: no que for possível, a pedido dele", relatou.
Dirceu confirmou que Lula contiua "completamente conectado e ligado", como de costume, e deu algumas pistas. "Conversamos sobre a campanha (a prefeito de São Paulo em 2012), sobre as outras capitais, sobre o andamento das alianças em outras cidades, ele está preocupado com Porto Alegre, Belo Horizonte, conversamos sobre a situação do país, a crise mundial, sobre Venezuela, a eleição no México, discutimos a economia do Brasil, conversamos sobre o PT", enumerou.
Com direitos políticos cassados até 2013 e réu no inquérito do chamado "Mensalão" no Supremo Tribunal Federal (STF), Dirceu mantém-se ativo em articulações políticas, respeitado como quadro do PT, cuja executiva nacional voltou a integrar em 2010. No caso específico das acusações, vale anotar que ele assegura inocência.
São Paulo
Sobre a eleição em São Paulo, o ex-deputado demonstrou ser a favor de uma aliança com o PMDB, e garantiu que Lula também tem defendido a coligação. O deputado federal Gabriel Chalita (SP) migrou do PSB com o intuito de concorrer à prefeitura da maior cidade da América do Sul. Os petistas acreditam que podem convencer o vice-presidente Michel Temer, licenciado do comando nacional da legenda, e o próprio Chalita a compor a chapa encabeçada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad.
Sobre o comportamento de partidos como PSDB e DEM, que compõem a oposição ao governo federal comandado pelo PT, Dirceu adotou uma postura direta: "Acho que 'ele' quer ser candidato e vai ser". A referência é a José Serra (PSDB), ex-prefeito da capital e ex-governador de São Paulo, e candidato derrotado à Presidência da República em 2002 e 2010.
O PSDB tem quatro pré-candidatos – os secretários estaduais do Meio Ambiente, Bruno Covas, da Cultura, Andrea Mattarazzo, e da Ciência e Tecnoloia, José Anibal, além do deputado federal Roberto Trípoli – que ensejam disputar prévias na capital paulista. Serra é cobrado por seus pares a assumir que deseja disputar, mas ele publicamente nega.
Se topar, evita que o PSD, partido articulado e criado neste ano pelo prefeito Gilberto Kassab, lance candidato (o vice-governador Guilherme Afif Domingos e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles seriam os nomes cotagos). Isso porque o prefeito paulistano garantiu que não teria como negar apoio a quem o aceitou como vice em 2004, quando Serra venceu a então prefeita Marta Suplicy. Em 2006, ao deixar o posto para disputar e levar o governo estadual, o tucano deixou a administração ao parceiro de chapa.
Publicado em 22/11/2011
Chevron, acusada de mentir no Rio, produziu maior desastre ambiental do Equador
São Paulo – A Chevron, responsável por um vazamento calculado entre 380 mil e 477 mil litros de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, acumula em seu currículo o maior desastre ambiental da história do Equador, ocorrido na província amazônica de Sucumbíos ao longo de décadas.
A saga de 30 mil camponeses e indígenas do nordeste equatoriano, narrada na edição 38 da Revista do Brasil, teve início em 1964, quando a Texaco, empresa mais tarde rebatizada de Chevron, conquistou do governo equatoriano uma área de 1 milhão de hectares para a exploração petrolífera. Vinte e oito anos depois, deixou o país tendo retirado 1,7 bilhão de barris.
O saldo para a população da cidade de Shushufindi foi um passivo ambiental de 18 bilhões de galões de água tóxica, resultado da extração, que deveriam ter sido reinjetados no solo. Um laudo apresentado à Corte de Justiça equatoriana mostrou que, nos últimos 15 anos, a incidência de câncer na região ultrapassa em 2 mil casos a média nacional.
Desde 1993 um grupo trabalha pela responsabilização da Chevron. Como a empresa não tem mais operações no Equador, o processo foi inicialmente apresentado à Corte de Nova York, que tardou dez anos em responder que não tinha competência para tal, atendendo ao desejo da corporação de ser julgada em solo sul-americano.
Conforme conta a Revista do Brasil, "Pablo Fajardo, que em 2003 estava se formando como advogado, assumiu o caso como o primeiro de sua carreira. Antes, esteve ligado à luta pela reparação dos danos. Era estudante de colégio em Shushufindi quando tudo começou. Trabalhou para empreiteiras que prestavam serviço às companhias petroleiras. Uma de suas tarefas era limpar vazamentos. Ao deparar com o que considerou desrespeito social e ambiental, Pablo e seu irmão José inauguraram o Comitê de Direitos Humanos de Shushufindi, que passou a concentrar as reclamações das pessoas prejudicadas pela atividade petroleira".
A Chevron passou a argumentar que, como não tem mais ativos no Equador, não tem como arcar com a indenização solicitada, de 27 bilhões de dólares. A Justiça equatoriana de primeira instância já definiu pela culpa nos vazamentos de petróleo que contaminaram a província de Sucumbíos, embora tenha definido um ressarcimento menor, de 18 bilhões de dólares, o que levou a petrolífera a conseguir em Nova York uma decisão para que a sentença não pudesse ser executada nos Estados Unidos. Em setembro, porém, a Corte de Apelações daquele país derrubou a ação que garantiria a impunidade.
Leia a íntegra da reportagem Chernobyl Amazônica.
Publicado em 21/11/2011
Lula inicia nova sessão de tratamento contra câncer
O ex-presidente Luiz Inácio Lula dda Silva passa nesta segunda-feira (21) pela segunda sessão de quimioterapia para tratar o câncer na laringe, diagnosticado no fim de outubro. Ele chegou ao hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por volta das 8h20.
As primeiras doses da medicação foram ministradas há 21 dias, e o tratamento deve se prolongar até fevereiro. A equipe médica do hospital afirma que Lula pode ser liberado ainda hoje, caso seu organismo reaja bem aos remédios. Se for necessário, porém, ele pode passar a noite internado, em observação.
Publicado em 19/11/2011
Lula recebe visita de Mano Menezes e ganha camisa da Seleção
Ex-presidente recebe camisa da Seleção dada pelo treinador, Mano Menezes (Foto: Roberto Stuckert Fº/IC)
O técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde da sexta-feira (18). O encontro foi na casa de Lula, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, onde o ex-presidente se convalesce do tratamento contra um câncer na laringe.
Vestido com uma camisa de seu clube de coração, o corintiano Lula recebeu de Mano uma camisa da Seleção com o número 10 às costas. O treinador escreveu uma mensagem de recuperação ao ex-presidente, referindo-se à Copa do Mundo: Força, eterno 'presidente Lula' / Contamos com você em 2014 / Abraços do amigo Mano Menezes.
A visita foi acompanhada pela mulher de Lula, a ex-primeira dama, Marisa Letícia.
Com informações do Instituto Cidadania
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