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Cadastro Ambiental Rural influencia no aumento em conflitos no campo

Registro permite que fazendeiros sobreponham suas propriedades em locais reivindicados por povos tradicionais
por Redação RBA publicado 05/07/2017 12h55
Registro permite que fazendeiros sobreponham suas propriedades em locais reivindicados por povos tradicionais
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Fazendeiros declaram suas propriedades em terras de povos tradicionais, que são despejados

São Paulo – O Cadastro Ambiental Rural (CAR) tem sido instrumento de proprietários de terra para praticar grilagem em territórios indígenas e quilombolas. É o que afirma o professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) Wagner Ribeiro. Segundo ele, por ser auto declaratório, o CAR permite que fazendeiros sobreponham suas propriedades em locais reivindicados por povos tradicionais.

Wagner afirma que o cadastro tem influência no aumento de violência no campo. "Grande grande parte dessas áreas declaradas estão em terras indígenas e quilombolas, então elas são declaradas sem controle. Há uma sobreposição. Os proprietários estão declarando terras que não são deles. Isso cria uma série de conflitos", denuncia.

O Cadastro Ambiental Rural foi criado para controlar, monitorar e combater o desmatamento das florestas e demais formas de vegetação nativa do Brasil. 

O professor afirma que sempre houve suspeita de grilagem no registro para os imóveis rurais, mas há falta de fiscalização. Ele lamenta que o assunto irá parar no Judiciário. "Isso vira mais uma questão da sociedade que vai parar na Justiça. Estamos assistindo uma politização da justiça brasileira e isso pode ameaçar as terras indígenas."

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