Responsabilidade

Bancários cobram dos bancos mais proteção contra a covid-19

Diante da falta de ação do governo federal, representantes dos trabalhadores reivindicam retomada do teletrabalho. Categoria quer ser incluída também como prioritária na vacinação

Tomaz Silva/Agência Brasil
Trabalhadores bancários estão expostos a aglomerações e riscos de contágio e reivindicam inclusão nos grupos prioritários para vacinação e rigidez nas regras de distanciamento físico e nos protocolos de segurança nas agências

São Paulo – O sistema financeiro não para. Metade da categoria bancária do país, que tem cerca de 450 mil trabalhadores no total, permanece em home office em função da pandemia do novo coronavírus, informa a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Mas milhares de bancários estão expostos à covid-19 na linha de frente das agências ou nos departamentos das instituições financeiras. Diante isso, os dirigentes sindicais do Comando Nacional dos Bancários reuniram-se virtualmente hoje (2), com os representantes da Fenaban, para cobrar a retomada do teletrabalho para mais empregados. Também maior rigidez dos protocolos de saúde e segurança, como uso de máscaras e álcool em gel, para enfrentar o agravamento da pandemia. Além disso, pedem o fechamento de agências onde existam casos suspeitos ou confirmados, e o afastamento dos trabalhadores. Essas e outras medidas protetivas são consideradas fundamentais, até que todos sejam vacinados.

A reunião foi motivada por relatos de retorno ao trabalho presencial inclusive de trabalhadores de grupo de risco em caso de contaminação pelo novo coronavírus. “Precisamos nos antecipar ao sério risco que temos pela frente. Especialistas dizem que essa nova variante do coronavírus está se espalhando. O risco é termos uma mega pandemia dentro de 60 dias”, afirma o secretário de Saúde do Trabalhador da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mauro Salles Machado.

“Como a vacina vai demorar, com essa esculhambação do governo, precisamos reforçar as medidas preventivas. É uma questão de responsabilidade. Do final do ano passado até agora, houve um relaxamento enorme. O home office foi importante, distanciamento social, higiene, isso não mudou como formas de enfrentar a doença. A situação pode ficar pior que no ano passado e por isso chamamos os bancos à responsabilidade. Aumentou o número de doentes na categoria e inclusive o número de mortes”, alertou.

Mais critério

Comando e Fenaban concordaram em fazer reuniões regulares para discutir as medidas de proteção da categoria diante do agravamento da pandemia. O Brasil superou a marca de 226 mil mortes pela covid-19. “É neste contexto de agravamento da doença que cobramos dos bancos a manutenção do teletrabalho, a rigidez dos protocolos se segurança e equipamentos em todos os locais”, explica a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

Os representes da Fenaban informaram que debaterão a manutenção de bancários em trabalho remoto. O secretário de Saúde do trabalhador da Contraf-CUT pediu que os bancos sejam mais criteriosos no controle da covid-19, principalmente na realização de testes em bancários suspeitos de contaminação. “O bancário tem sintomas e, muitas vezes, nem passa pelos médicos. O gestor manda ir à farmácia, fazer o teste e, se der negativo, volta a trabalhar”, disse.

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, lembra que a nova cepa, comprovadamente mais contagiosa, já foi identificada em São Paulo e em outros estados. E que se não forem respeitadas todas as medidas preventivas, a situação poderá se agravar ainda mais. “O Brasil foi apontado como o pior país na gestão da pandemia [segundo o Lowy Institute, da Austrália]. E diante da incompetência do governo Bolsonaro, o movimento sindical bancário cobra dos bancos que sejam mais rigorosos na implementação de medidas preventivas para garantir a saúde da categoria.”

Bancários no calendário

A tragédia em Manaus e a possibilidade de a nova cepa do coronavírus se espalhar para além da região Norte do país foram pauta da reunião. A presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará, Tatiana Oliveira, falou sobre a situação preocupante. “A região de Santarém, no oeste do Pará, está em lockdown. A doença se espalhou pelos municípios próximos. Um dos dados da covid é de que para cada dez pacientes contaminados que vão para a UTI, seis morrem. Na região Norte, esse número é de oito para cada dez”, relatou Tatiana, que acredita que a nova cepa do coronavírus já tenha se espalhado por todo o Pará.

“A população é vítima da ausência de gestão do governo Bolsonaro e de um ministro da Saúde que não faz nada para combater a pandemia”, critica a presidenta Juvandia Moreira. “Queremos que o governo providencie vacina para todo mundo. Por causa desse atraso, precisamos também colocar a categoria bancária como um setor essencial no calendário de vacinação.”

A dirigente relata que há aglomerações em agências e isso é um fator de risco. “Depois dos grupos prioritários a serem vacinados, queremos que a categoria seja incluída pelo Ministério da Saúde como um dos setores essenciais no calendário da vacina”, reforça Juvandia.

Horário das agências

No início da pandemia ficou acertado entre representantes dos bancários e Fenaban que as agências funcionariam das 9h às 14h, com horário para atendimento especial aos idosos das 9h às 10h.

“Mas muitos bancos ampliaram esse funcionamento para até as 15h ou mais. Cobramos que o horário de atendimento volte a ser reduzido. A Fenaban nos disse que essa ampliação ocorreu por cobranças de Ministérios Públicos Estaduais e Procons, mas se comprometeu a avaliar”, relata Ivone Silva, sobre mais uma medida de combate à covid-19 entre os bancários.