Home Trabalho Metalúrgicos do ABC fazem congresso ‘em tempos que não são de normalidade’
Democracia em risco

Metalúrgicos do ABC fazem congresso ‘em tempos que não são de normalidade’

"Democracia pressupõe, o direito de falar, a obrigação de ouvir e a necessidade absoluta de tolerar as divergências. Infelizmente esse direito está em risco em nosso país", afirma dirigente
Publicado por Vitor Nuzzi, da RBA
14:56
Compartilhar:   
Adonis Guerra/SMABC

Para Wagnão, "a postura das instituições tem sido, por várias vezes, contrária aos princípios democráticos"

São Paulo – Democracia é o tema central do 9º Congresso dos Metalúrgicos do ABC, que começa nesta quinta-feira (18) e vai até sábado (20), na sede da entidade, em São Bernardo. A abertura, hoje, está marcada para as 18h30, com o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo e a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Ivone Silva.

Será, na verdade, uma retomada do congresso, cuja abertura ocorreu em 9 de março do ano passado, quando o sindicato lembrava os 40 anos do 1º Congresso das Metalúrgicas do ABC. O evento foi interrompido em abril, com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Democracia pressupõe, antes de tudo, o direito de falar, a obrigação de ouvir e a necessidade absoluta de tolerar as divergências. Infelizmente esse direito está em risco em nosso país”, afirma o presidente do sindicato, Wagner Santana, o Wagnão. Segundo ele, o Estado não cumpre seu papel de preservar direitos, inclusive o de opinião. “Ao contrário, o que constatamos é desde o golpe de 2016 a postura das instituições tem sido, por várias vezes, contrária aos princípios democráticos. Para que o golpe tivesse sucesso, muitas regras da democracia foram quebradas”, diz Wagnão, referindo-se ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Retrocessos

“Partimos da constatação de que este 9º Congresso não acontece em tempos de normalidade. Ao contrário, passamos por um momento difícil e complexo, com sérias consequências e impactos aos trabalhadores e a toda sociedade”, reforça o secretário-geral do sindicato, Aroaldo Oliveira da Silva. “Vemos ameaças e agressões, retrocessos na legislação e truculência. Como entidade sindical e categoria representativa que somos, temos de falar sobre isso e nos posicionar de forma contundente contra essa situação.”

Na sexta e no sábado, aproximadamente 700 delegados irão discutir temas relacionados a saúde, comunicação, formação, cultura, juventude, mulheres, igualdade racial e pessoas com deficiência, além de temas diretamente relacionados à categoria, como indústria, negociação coletiva e organização sindical. Depois dos grupos de trabalho, as propostas serão votadas em plenário.

Na plenária de encerramento, prevista para as 15h do sábado, estão previstas as presenças do ex-prefeito, ex-ministro e ex-presidente do sindicato Luiz Marinho, de João Pedro Stedile, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de Guilherme Boulos, ex-candidato à Presidência pelo Psol e líder do Movimentos dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), e da presidenta nacional do PT, deputada Gleisi Hofmann (PR).