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Luta até o fim

Eletricitários propõem voltar a negociar acordo para evitar nova greve

Dirigente sindical defende que mobilização social pode barrar processo de privatização da estatal brasileira de energia
por Rede RBA publicado 15/06/2018 15h20, última modificação 15/06/2018 15h32
Dirigente sindical defende que mobilização social pode barrar processo de privatização da estatal brasileira de energia
Arquivo EBC
Paralisação eletricitários

Eletricitários continuam em negociações com Eletrobras

São Paulo – Os impactos deixados pela paralisação dos eletricitários, que durou três dias e foi encerrada na última quarta-feira (13), têm repercutido sobre projetos de lei que serão analisados pelo Congresso Nacional. Apesar do encerramento da greve, a categoria mantém-se organizada para continuar com a negociação, que deve ter fim, segundo seus dirigentes, apenas quando as reivindicações forem atendidas pela Eletrobras e pelo governo.

Para comentar o assunto, o diretor da Federação Nacional dos Urbanitários e do Coletivo Nacional dos Eletricitários Fernando Pereira foi o entrevistado na edição da tarde de quinta (14) da Rádio Brasil Atual. O ativista fez um balanço das 72 horas de paralisação da categoria ao apresentador Rafael Garcia, e falou sobre os próximos passos.

Como se avalia o fim da paralisação na quarta-feira, que durou 72 horas?

O saldo é positivo, a categoria do Brasil inteira se manifestou em defesa das empresas da Eletrobras. A empresa apresentou uma proposta que nós avaliamos como inadequada, então tínhamos motivos para ter um movimento forte.

As contas de luz podem sofrer um aumento de até 160%?

A empresa privada vai querer lucro ao repassar a energia às distribuidoras, com isso as que distribuirão vão repassar aos consumidores. É uma bola de neve. O empresariado não está preocupado com programas sociais e consumidores de baixa renda. O aumento será significativo.

Apesar dos riscos, o governo continua acelerando a votação no plenário da Câmara de projetos que tratam do setor elétrico, o que significa que os trabalhadores e a sociedade devem continuar a pressionar os parlamentares para que esses projetos não avancem?

É isso, os trabalhadores e a sociedade têm que seguir pressionando os parlamentares, mas esses parlamentares muitas vezes nem sabem das realidades de outras regiões. Há duas distribuidoras localizadas na região Nordeste, no Piauí e dm Alagoas, e quatro na região norte: Acre, Amazonas, em Roraima e Rondônia. O Estado tem que estar nessas outras regiões reconhecidas com piores IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), desenvolvimento precário e que precisam de um estado forte para que a população não seja penalizada com a conta de luz.

O governo Temer deveria ter um olhar mais social voltado para os brasileiros e não entregar essas regiões para as mãos do capitalismo. É a essa reflexão que os parlamentares e o presidente da República devem fazer, essa é a luta que deve ser travada junto aos congressistas que estão lá representando o povo.

Qual o cronograma de ações dos eletricitários, eles pretendem fazer novas paralisações?

A maioria das entidades deliberou que uma próxima decisão seja determinada a partir do dia 25, mas nesse período a gente está buscando junto à Eletrobras voltar para a mesa, acreditando em espaço de negociação. Mas caso não tenha reunião ou a Eletrobras mantenha essa proposta inegociável para os trabalhadores, a greve será inevitável.

Confira na íntegra a entrevista da Rádio Brasil Atual: