São PAulo

Professores rechaçam proposta de Alckmin de trocar bônus por reajuste

'Não vamos aceitar isso. O bônus não é para todos. Os professores não podem ficar mais um ano sem reajuste salarial', defendeu a presidenta da Apeoesp

Marlene Bergamo/Folhapress
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No ano passado, professores chegaram a fazer assembleias com 60 docentes e três meses de paralisação

São Paulo – A presidenta do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Azevedo Noronha, a Bebel, afirmou hoje (1º) que a categoria não vai aceitar mais um ano sem reajuste, mesmo que o governo volte atrás e pague o bônus para os docentes, como anunciado pela Secretaria Estadual da Educação. “Não vamos aceitar isso. O bônus não é para todos. Os professores não podem ficar mais um ano sem reajuste salarial”, disse Bebel, lembrando que no ano passado os docentes também não tiveram reajuste.

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) pretendia usar o dinheiro do bônus para conceder um reajuste linear de 2,5% para toda a categoria do magistério paulista, medida que os professores também não aceitam. “Nós vamos para o enfrentamento. Não adianta dizer que não tem dinheiro, porque o governo concedeu renúncia fiscal de R$ 14 bilhões em 2014. E está mantendo essa ação, podendo chegar a R$ 60 bilhões. Nós não vamos pagar essa conta”, afirmou Bebel.

Segundo Bebel, a renúncia fiscal acaba por provocar redução na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que impacta no Fundo para o Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb), que financia a educação paulista.

A secretaria alega que realizou uma consulta públicaem seusite nesta semana, que contou com a participação de 44 mil servidores do magistério. Segundo a pasta,93% disseram preferir o bônus ao reajuste. No ano passado, R$ 1 bilhão foi concedido como bônus a 232 mil servidores da educação paulista. Neste ano, porém, o montante deve ser de R$ 450 mil.

Mas esse valor não é repartido igualmente. Os cargos de alto escalão da secretaria e as diretorias de ensino ficam com 40% do valor, tendo muito menos trabalhadores que o corpo docente. Foi isso que ocorreu em 2015”, protestou Bebel.

Denunciando a limitação da consulta feita pela secretaria, que perguntava se os professores preferiam 2,5% de reajuste ou bônus, a Apeoesp realizará enquete própria, em seu portal na internet, questionando os professores se preferem receber o bônus ou um reajuste salarial que reponha a inflação desde julho de 2014.

Na próxima sexta-feira (8), os professores vão realizar assembleia na Avenida Paulista para definir os rumos da campanha salarial deste ano. Com a situação atual, Bebel não descarta uma paralisação. Em 2015, os docentes ficaram 93 dias em greve, a maior já registrada no país.