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Petroleiros abrem plenária criticando projeto no Senado e plano da Petrobras

Federação da categoria vê 'momento mais crítico' desde a greve de 1995, que será lembrada durante as atividades. Evento vai até domingo, em Guararema (SP)
Publicado por Redação RBA
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Acervo Sindipetro Campinas
Greve de 1995

Ato no Rio de Janeiro, durante a greve de 32 dias à qual o governo FHC respondeu com tropas do Exército

São Paulo – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) abre sua plenária nacional hoje (1º), em Guararema, interior paulista, identificando o “momento mais crítico” desde a greve de 1995, que será lembrada durante as atividades. “É uma terrível coincidência que, justamente 20 anos após aquele momento, a categoria depare, novamente, com uma nova tentativa de destruição da Petrobras”, afirma a direção da entidade, criticando o projeto de recuperação proposto pela atual direção da companhia, em estratégia que a FUP considera a mesma do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Segundo a FUP, depois de uma “fracassada estratégia” de pulverização durante o governo FHC, o governo Lula iniciou um processo de “reconstrução” da Petrobras, aumentando investimentos, integrando cadeias de energia, ampliando atuação em novos setores de energia sustentável e assumindo posição de player internacional. Mas a entidade avalia que a atual direção da companhia, “ainda sob a tutela de um governo do PT”, está retomando políticas adotadas durante a administração do PSDB. “O projeto de recuperação proposto pela nova gestão é nada mais, nada menos, que a retomada, talvez mais intensa, do projeto tucano de fatiamento, diminuição e pulverização da Petrobras”.

Ainda segundo a federação dos petroleiros, trata-se de uma resposta – diante da crise desencadeada pela Operação Lava Jato e do mau resultado de 2014 –  para antigas demandas do mercado de capitais. “A opção é desinvestir brutalmente, abrir mão de setores não lucrativos e reduzir fortemente a atuação em segmentos que não estejam envolvidos com a área de exploração e produção.”

Na última segunda-feira (29), a Petrobras anunciou seu Plano de Negócios e Gestão para o período 2015-2019. Os investimentos somam US$ 130,3 bilhões, diminuição de 37% em comparação ao plano anterior. Do valor total, 83% (US$ 108,6 bilhões) serão destinados à área de E&P (exploração e produção). A companhia informa que a carteira de investimentos prioriza projetos no Brasil, com ênfase no pré-sal.

Pré-sal

Outra pauta da plenária é o Projeto de Lei do Senado (PLS) 131, que retira da Petrobras a atribuição da operadora única do pré-sal. O texto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP). Para a FUP, a proposta representa “a desnacionalização dessa riqueza estratégica para o desenvolvimento do país”.

Os petroleiros também vão lembrar da greve de 1995, a mais longa feita pela categoria, com duração de 32 dias, entre maio e junho, no primeiro ano do governo FHC. O Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) Unificado de São Paulo organizou uma exposição com 37 painéis. Antigos dirigentes serão homenageados. A paralisação começou por causa do descumprimento de acordo feito no ano anterior. Mesmo assim, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou a greve abusiva. A empresa demitiu e puniu vários funcionários e líderes sindicais, e por determinação do governo o Exército chegou a ocupar algumas refinarias.

Na noite de hoje, será apresentada uma peça teatral cujo tema é a greve de 1995. A abertura oficial da plenária está marcada para amanhã (2), às 19h. À tarde, haverá debate sobre soberania alimentar, com participação prevista do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. O evento termina no domingo (5), com discussão da pauta de reivindicações deste ano.