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Crise financeira valorizou lutas e conquistas dos bancários em 2009

Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, faz balanço da luta da entidade em tempos de crise mundial e reforça a importância da organização dos trabalhadores para a defesa dos seus direitos em ano de eleições
por suzanavier publicado , última modificação 26/02/2010 10h25
Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, faz balanço da luta da entidade em tempos de crise mundial e reforça a importância da organização dos trabalhadores para a defesa dos seus direitos em ano de eleições

Bancários em passeata no centro de São Paulo (Foto: Gerardo Lazzari)

Eles marcharam no centro financeiro do país - a avenida Paulista - com cruzes nas mãos, para exigir o fim das demissões no banco Santander. Protestaram contra a crise financeira mundial e os ônus para a classe trabalhadora. Cruzaram os braços para garantir aumento real e melhores condições de trabalho.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, 2009 foi um ano de desafios e superação. "Iniciamos 2009 com dois grandes problemas e um ano, em tese, difícil: a crise financeira mundial e três fusões quase simultâneas no sistema financeiro brasileiro (Santander/Real, Itaú/Unibanco e Banco do Brasil/Nossa Caixa)", contextualiza o dirigente bancário, em entrevista à Rede Brasil Atual.

O ano de 2010, a agenda já demonstra, não será diferente, explica Marcolino. Estão previstas ações sindicais voltadas para garantias no trabalho, luta por aposentadoria complementar e inserção em questões nacionais.

Crise e fusões

Os bancários começaram 2009 com a notícia de três grandes fusões. E pela primeira vez o sindicato negociou melhores condições para os trabalhadores durante o próprio processo de união entre os bancos, com garantias muito maiores para os funcionários das seis instituições, conta Marcolino.

"Tivemos negociações efetivas com as empresas sobre a manutenção de emprego", descreve. "Conseguimos manutenção também da rede de agências, um plano de adesão voluntária voltada aos aposentados e garantimos um processo de realocação interna com equalização dos postos de serviços, para evitar demissões em massa", relata.

Superados os desafios iniciais de 2009, os bancários voltaram-se para temas como o interdito proibitório, que gerou reuniões com ministros e um seminário e a ampliação do salário dos bancários aposentados. O sindicato também realizou campanha pela segurança das agências bancárias e participou de lutas coletivas pela correção da tabela do Imposto de Renda e a política de reajuste do salário mínimo.

O segundo semestre foi marcado por uma "dura campanha salarial", classifica Marcolino. Considerada histórica, a campanha levou a uma mobilização maciça dos bancários, que permaneceram 14 dias em greve no setor privado e no Banco do Brasil e 28 dias na Caixa Econômica Federal (CEF).

Os bancários reivindicaram regras claras para Participação nos Lucros e Resultados (PLR), aumento real, contratação de funcionários, ampliação da licença-maternidade, fim de metas abusivas e do assédio moral.

Ao final, os bancários conquistaram melhorias na PLR, aumento real de salário, contratação de mais 15 mil funcionários no Banco do Brasil e CEF, acordo nos bancos públicos para levantamento e punição dos casos de assédio moral e ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses, por acordo coletivo.

Sindicato-cidadão

Os bancários voltaram às ruas no final de 2009 para protestar contra o aumento do IPTU e a criação de pedágios entre São Paulo e Osasco. "Este é o papel-cidadão do sindicato", avalia Marcolino. "Nós tivemos uma campanha salarial dura, aí o que o trabalhador conquistou na luta acaba sendo tirado em seguida, por aumentos abusivos, como o do IPTU em São Paulo e a cobrança dos pedágios", dispara.

Política estruturada

Ações em prol da categoria bancária e de interesse geral dos trabalhadores já estão em andamento e outras mais são previstas em 2010, informa Marcolino. "Vamos continuar a luta pela manutenção de empregos, aumento real, crescimento do país, ampliação das agências bancárias, contratações e redução das taxas de juros", elenca o sindicalista.

Marcolino chama a atenção para a necessidade de uma política estruturada no trabalho. Segundo ele, é importante para os trabalhadores a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que proíbe a demissão imotivada e um plano de carreira para os bancários que "dialogue com o tempo de empresa e a qualificação do trabalhador".

A aposentadoria dos bancários também está entre as preocupações do sindicato, com a busca por uma aposentadoria complementar. "Os bancários precisam ter segurança de que vão entrar na empresa, estudar, trabalhar e chegar ao final da carreira com um salário digno para aproveitar a vida", considera.  "Isso é possível, já temos plano de carreira no Banco do Brasil e aposentadoria complementar na Caixa Econômica Federal, Itáu e também no Banco do Brasil."

Plataforma da classe trabalhadora

Buscar candidatos às eleições legislativas deste ano, que tenham real compromisso com a classe trabalhadora é um dos desafios do sindicato, salienta Marcolino. "Os candidatos precisam comprometer-se com a classe trabalhadora em temas como redução da jornada, ratificação da [Convenção] 158, fim da terceirização, política permanente de correção salarial etc.", afirma.

Outro ponto, assinala, é lutar para que os trabalhadores tenham seus candidatos. "Grandes grupos econômicos representados no Congresso e nas Assembleias Legislativas estaduais vão defender muito mais o interesse financeiro que o do restante da sociedade. Por isso, é importante termos trabalhadores disputando as eleições no Executivo e Legislativo em todo o Brasil", encerra.