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Por redução da jornada, centrais pedem obstrução de sessões extraordinárias

Em reuniões com líderes de partidos simpáticos à proposta de emenda constitucional que reduz para 40 horas a jornada máxima de trabalho, sindicalistas querem impedir que outros projetos sejam colocados em votação
por anselmomassad publicado , última modificação 02/02/2010 17h30
Em reuniões com líderes de partidos simpáticos à proposta de emenda constitucional que reduz para 40 horas a jornada máxima de trabalho, sindicalistas querem impedir que outros projetos sejam colocados em votação

(Foto: Guina/CUT Divulgação)

Representantes de seis centrais sindicais em vigília pela redução de de 44 para 40 horas a jornada máxima de trabalho pediram que os parlamentares simpáticos à causa obstruam sessões extraordinárias. A estratégia foi definida pelos sindicalistas depois de terem recebido os deputados e senadores que voltavam ao trabalho no aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília (DF).

A sugestão defendida junto aos líderes é de que os partidários da medida tomem a tribuna durante as sessões extraordinárias para defender exclusivamente a votação da redução da jornada no primeiro semestre. A intenção seria impedir que novos temas fossem colocados em pauta.

No caso das sessões ordinárias, não haveria obstrução, já que os sindicalistas acreditam que há projetos em pauta de interesse dos trabalhadores, como o marco regulatório do pré-sal e a conversão da alimentação em direito fundamental.

 

Como para esta quarta-feira (3) está marcada reunião de líderes de todos os partidos, os sindicalistas esperam que as bancadas favoráveis defendam a inclusão do tema na pauta.

Bom humor

Com manifestações bem humoradas, o corpo-a-corpo é uma forma de pressionar os parlamentares pela votação da redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas. Das 8h às 10h, os parlamentares que voltavam ao trabalho após o recesso para a sessão de abertura do ano legislativo ouviram sindicalistas com gritos como “Reduz pra 40 que o Brasil aumenta e o empresariado aguenta” e “Primeiro o pré-sal, o Carnaval e depois as 40 horas”.

Após a mobilização no aeroporto, os sindicalistas foram ao Congresso para uma maratona de reuniões com os líderes. Partidos de oposição ao governo federal como o DEM e o PSDB, além do PMDB são preteridos em detrimento das legendas mais simpáticas à causa.

Encontros com o líder do PSB Rodrigo Rollemberg (DF) e do PDT Dagoberto Nogueira (MS), as centrais receberam a promessa de adesão plena à proposta. No caso dos pedetistas, a bancada definiu a posição na segunda-feira (1º). No caso do PTB, o líder Jovair Arantes (GO) acredita que deve haver apoio da maioria, com resistências pontuais. As reuniões seguem pela liderança do PT e outros partidos. 

Vigília

A vigília foi definida em 21 janeiro, em meio à definição de prioridades das seis centrais reconhecidas pelo Ministétio do Trabalho e Emprego (MTE). Os passageiros que desembarcavam no Juscelino Kubitscheck também foram alvo da distribuição de panfletos.

"Com 40 horas semanais dão mais tempo para o lazer, para a família, para namorar. E ainda vão criar mais de 2 milhões de empregos", disse Artur Henrique, presidente da CUT, ao megafone. "Deputado, deputada, senador, senadora, este ano tem eleição...", avisou.

Segundo Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), apesar de reduzir o tempo hábil para votações no plenário, as eleições podem favorecer a acusa dos sindicalistas. "Todos sabemos que os empresários financiam as campanhas de alguns deputados, mas os votos que valem mesmo são os dos trabalhadores, a maioria", explica à Rede Brasil Atual.

Ele promete, durante a campanha, "deixar claro" aos eleitores quem foram os parlamentares que se opuseram à questão e os que se mostraram "sintonizados com a classe trabalhadora". A partir de cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as centrais calculam em 2 milhões os empregos gerados com a redução.

"As centrais estão muito organizadas, solidárias, até com uma cumplicidade grande; vamos conseguir sensibilizar deputados para que seja colocado o tema em votação no primeiro semestre", resume Patah.

A mobilização prosseguiu no Congresso, onde ocorreu a abertura dos trabalhos de 2010. A promessa é de novas vigílias até que haver uma definição sobre a tramitação do projeto.