Bolsonarismo

Relatório mostra que Bolsonaro omitiu dados e ignorou alertas de Abin e GSI sobre covid-19

Segundo reportagem, órgãos de inteligência produziram mais de mil relatórios sobre a disseminação da doença no governo, mas documentos foram ignorados

Reprodução
Reprodução
“É simples assim: um manda e o outro obedece”, disse Pazuello às risadas quando país passava de 340 mil mortos por covid

São Paulo – Documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Gabinete de Segurança Institucional (GSI) comprovam o descaso e a sabotagem do governo de Jair Bolsonaro, sob a liderança negacionista do próprio ex-presidente, às medidas necessárias para combater a pandemia de covid-19. Segundo matéria da Folha de S. Paulo, os dois órgãos de inteligência produziram mais de mil relatórios sobre a disseminação da doença, prevendo aumento de casos e mortes e alertando para os riscos do negacionismo.

Enquanto isso, Bolsonaro sabotava as medidas de prevenção, como distanciamento social, vacinação e uso de máscaras. Os relatórios faziam alertas sobre um possível colapso da rede de saúde e funerária no país. O uso de medicamentos como cloroquina era desaconselhado e apontado como arriscado.

Os documentos apontavam também a falta de transparência de Bolsonaro e comandados em relação à divulgação de dados, e também admitiam a morosidade dos órgãos responsáveis, sobretudo o Ministério da Saúde, que não definia estratégias de testagem e combate à doença.

O chefe da pasta era o general Eduardo Pazuello, considerado inepto, incapaz e cúmplice de Bolsonaro pela comunidade científica brasileira ao longo de toda a pandemia. Sua frase mais célebre foi dita ao lado do chefe: “É simples assim: um manda e o outro obedece”, afirmou o general, às risadas, em maio de 2021, quando o Brasil já ultrapassava 340 mil mortos.

A conduta de Bolsonaro, considerada criminosa por juristas e infectologistas, continuaram, mesmo contra todas as evidências científicas. Chamava as medidas de prevenção de “mimimi” e, diante do crescimento de vítimas fatais, afirmou: “eu não sou coveiro”. Imitou pessoas sem ar. Zombou das famílias que perderam entes queridos.

Crimes contra a humanidade

Em outubro de 2021, a CPI da Covid apresentou o relatório, que acusou Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade. O procurado-geral da

Esta semana, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, declarou que o governo Luiz Inácio Lula da Silva construirá um memorial às vítimas da covid-19. A iniciativa visa prestar solidariedade e homenagear a luta daqueles que defenderam a ciência, dos profissionais da saúde, que foram covardemente combatidos pelo bolsonarismo.

O Brasil registra até hoje quase 705 mil óbitos pela covid. Muitas dessas mortes teriam sido evitadas caso o comando maior do país tivesse respeitado a ciência. “Como falei do Holocausto, nós teremos um memorial da covid e teremos uma política de memória desse triste tempo”, disse Nísia.

Herança maldita

O ativismo negacionista do bolsonarismo deixou uma herança maldita. Antes um modelo de eficiência, o Programa Nacional de Imunizações sofreu sério abalo com o governo anterior. A Pesquisa do Observatório de Saúde na Infância (Observa Infância), por exemplo, revelou que apenas 16% das crianças brasileiras com 3 e 4 anos tomaram as duas doses da vacina da covid-19.


Leia também


Últimas notícias