Aposta arriscada

Doria reabre até cinemas, mesmo com pandemia descontrolada e mais de 80% de UTIs ocupadas

A partir de amanhã, fase de transição permite abertura de salões de beleza, academias, clubes, parques, cinemas e convenções em São Paulo

GovSP

São Paulo – O governo João Doria (PSDB) dá sequência à fase de transição da quarentena e reabre salões de beleza, academias, clubes, parques, cinemas e convenções em São Paulo, a partir de amanhã (24), mesmo com a pandemia descontrolada e mais de 80% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) ocupadas em todo o estado. O vice-governador, Rodrigo Garcia, justificou o avanço por uma pequena melhora nos índices de novos casos, internações e mortes pela covid-19, mas em todas as regiões os parâmetros seguem acima do nível máximo estabelecido no Plano São Paulo, que coordena a reabertura do comércio e dos serviços.

O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, destacou uma redução de 23,6% na média de mortes diárias pela covid-19 no estado, que está hoje em 610 óbitos por dia, para justificar o avanço da fase de transição. No entanto, omitiu que ainda faltam dados desta sexta-feira (23) e de amanhã (24). E que o feriado da quarta-feira (21) provocou atraso nas notificações de óbitos, o que também ajudou a derrubar a média de mortes.

Limites

Além disso, das 17 regiões do estado, quatro ainda têm mais de 90% de ocupação de UTIs para pacientes com covid-19. Outras nove regiões estão com mais de 80% de ocupação dos leitos de terapia intensiva, o que os mantaria na fase vermelha. Apenas quatro regiões tiveram uma maior redução nas internações e chegaram a índices de fase laranja na ocupação de UTI: Baixada Santista, Grande São Paulo, Campinas e Piracicaba. Mas todas mantêm altos índices de novos casos, internações e mortes.

Os parâmetros de novos casos, internações e mortes pela covid-19, por 100 mil habitantes, seguem acima dos limites máximos estabelecidos pelo Plano São Paulo. O limite mais alto para mortes, por exemplo, é de 8 por 100 mil habitantes por dia. Mas hoje são registradas 22,6 mortes por 100 mil, o triplo do máximo.

Em relação aos novos casos, a proporção é de 360 casos diários por 100 mil habitantes. Hoje, são 439,6 novos casos de covid-19 por dia no estado, sendo que três regiões têm mais de 600 novos casos por dia. Na semana passada, eram 465 por 100 mil. E no caso das internações, o parâmetro máximo é de 60 por 100 mil habitantes por dia, mas hoje está em 74,7 internações por 100 mil habitantes. Na semana passada, o índice era de 82 internações por 100 mil.

Funcionamento da fase de transição

A fase de transição é a terceira mudança do governo Doria na forma de avaliar a evolução da pandemia. As regras começaram a valer no último domingo (18) e herdaram da fase vermelha o toque de recolher entre 20h e 5h. Também segue como sugestão que as atividades administrativas sejam realizadas em home office e que seja feito um escalonamento de horários de entrada e saída dos trabalhadores do comércio, dos serviços e da indústria.

Desde o último domingo, estão abertas todas as atividades comerciais, com funcionamento das 11h às 19h e limite de 25% de ocupação dos espaços. Cultos religiosos também puderam voltar a ser realizados presencialmente, com limite de 30% de ocupação dos espaços. Em todos os casos, devem ser observados os protocolos sanitários de cada serviço.

Alto risco

A partir de amanhã, restaurantes, salões de beleza, parques, clubes, cinemas, convenções e espaços culturais poderão voltar a funcionar, com as mesmas regras de horário e lotação. As academias também voltam a funcionar, mas em dois horários: das 7h às 11h e das 15h às 19h. Os parques vão reabrir das 6h às 18h. As escolas também seguem funcionando na fase de transição, com limite de 35% dos estudantes e frequência presencial opcional.

Estudos sobre a transmissão da covid-19 mostram que ambientes fechados, como cinemas, convenções, restaurantes e templos religiosos, são os de maior risco de contaminação, porque o vírus fica mais tempo suspenso no ar e as pessoas permanecem no local por longos períodos. O que, em algumas semanas, pode resultar em uma nova explosão de casos e internações pela covid-19, levando a um novo colapso no sistema de saúde paulista.