Alerta laranja

Brasil a um dia de 180 mil mortos por covid-19. Número de infectados se compara a julho. E segue em alta

Seis estados estão à beira do colapso, ou já com falta de leitos nos hospitais para receber pacientes com covid-19, tanto da rede pública como da privada

Governo de São Paulo
Estado de São Paulo superou 1,5 milhão de doentes, com 47.511 mortos

São Paulo – O Brasil registrou 770 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas. Com o acréscimo, o país está a um dia das 180 mil mortes oficiais pela doença, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). São 179.765 mortos. O último período também foi marcado como um dos com maior número de infectados. Foram 53.374 contaminados, totalizando 6.781.799 desde o início da pandemia, em março.

O cenário atual é de crescimento de casos e mortes por covid-19. A curva epidemiológica média de mortes está no maior patamar desde o dia 3 de outubro. Em relação aos casos, o momento só se compara com os piores dias da pandemia, entre julho e agosto. Isso, sem contar com a ampla subnotificação, já que a cada mês o Brasil testa menos para a covid-19, de acordo com dados da Pnad Covid, do IBGE.

Curvas médias de casos e mortes revelam forte crescimento diário. Fonte: Conass

Fora de controle

O Brasil vê a pandemia cada vez mais fora de controle. De acordo com levantamento do Imperial College de Londres, a taxa de transmissão da covid-19 no Brasil está em crescimento. Os dados divulgados nesta semana mostram forte ascensão. Na última semana, a taxa estava em 1,02, o que significa que 100 pessoas contaminavam 102. Agora, o número subiu expressivamente para 1,14; ou seja, 100 pessoas contaminam 114.

O sistema de saúde reflete o descontrole. São seis estados à beira do colapso, ou já com falta de leitos nos hospitais, tanto da rede pública como da privada. O Rio de Janeiro já vive duas semanas de virtual esgotamento de leitos, com taxa de ocupação na casa dos 90%. Santa Catarina vive seu pior momento desde o início do surto, com 88% dos leitos ocupados. Cenário similar no Paraná, com 87% de ocupação, Pernambuco, 87%, Mato Grosso do Sul, 82%, Rio Grande do Sul, 82% e Espírito Santo, 83,6%.

Covid-19 no mundo

Embora o processo de vacinação já tenha sido iniciado em países europeus, em lugar nenhum a pandemia está perto de ser controlada. Destaque negativo para o quadro constatado nos Estados Unidos, que já ultrapassaram a marca dos 290 mil mortes por covid-19. Ontem (9) foram mais 3.100 vítimas, recorde desde o início do surto no país, de acordo com a universidade Johns Hopkins.

Foi o segundo dia em que os Estados Unidos superaram a casa dos 3 mil óbitos (o primeiro foi em 3 de dezembro). Novamente morreram mais norte-americanos em um dia do que no atentado de 11 de setembro de 2001. A letalidade da pandemia está com média diária de mortes acima de 2.600. Diante disso, a Califórnia, por exemplo, adotou medidas rígidas de lockdown desde a segunda-feira (7) em suas maiores cidades, como Los Angeles, São Francisco e a capital, Sacramento.

Na Europa, enquanto o Reino Unido avança com o processo de vacinação, e mantém parte da população ainda em isolamento, outros países se preparam para vacinar, sob pressão do crescimento de ocorrências pela pandemia. É o caso da Alemanha, que deve começar a imunização ainda neste ano. Entretanto, o alto número de mortes da segunda onda, acima de 500 por dia, levou a chanceler, Angela Merkel, a pedir medidas de lockdown nos 15 primeiros dias de 2021. “Lamento muito, mas se menos restrições significam pagar um preço diário de 590 mortes, do meu ponto de vista, é inaceitável”, disse a chanceler ao Parlamento. “Temos de fazer tudo para evitar uma progressão exponencial de casos”, completou.


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