Pandemia em alta

Brasil tem mais de mil mortes e 47 mil novos casos de covid-19 em 24 horas

Número diário de mortes está “estável”, mas total de novos casos de covid-19 no Brasil mostra salto em relação à média das últimas 12 semanas

Agência Brasil
O SUS começa muito antes do posto de saúde, muito antes da internação na UTI. Começa nos aspectos de prevenção, está na base do sistema de laboratório, de vigilância das doenças. Uma riqueza

São Paulo – O Brasil somou 1.184 mortos por covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, em março, o país registra 123.780 vítimas oficiais da doença que já provocou cerca de 860 mil mortes pelo mundo. Ou seja, 16% dos óbitos por covid-19 que ocorrem em todo o planeta. Os dados brasileiros são consolidados diariamente pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

Segundo o boletim divulgado nesta quarta (2), o número de infectados pelo coronavírus no Brasil se aproxima dos 4 milhões. Com acréscimo de 46.934 novos casos registrados no último período, o total chega a 3.997.865 ocorrências.

Os dados de hoje mostram que o número de vítimas diárias da covid-19 no Brasil está estabilizado, apesar de elevado. Ao mesmo tempo, porém, o total de novos casos registrados ficou acima da média geral, que nas últimas 12 semanas girou em torno de 40 mil casos por dia.

Desde o início deste período, o Brasil é considerado pelas autoridades sanitárias de todo o mundo o epicentro planetário da pandemia. Isso porque é aqui que ocorre o maior número de mortes a cada dia. É, de longe, o país que há mais tempo permanece em tal posição.

O cenário trágico do Brasil tem relação com o descaso do poder público na contenção da pandemia. O presidente Jair Bolsonaro, desde os primeiros dias do surto no país, minimiza a doença e não mostra sensibilidade com as mortes. A mais recente investida dele contra a ciência médica foi sua declaração contra a vacina, que nem sequer ainda existe. “Ninguém é obrigado a tomar vacina”, disse

Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Epicentro local

Foi por declarações assim que prefeitos e governadores foram afrouxando as medidas de isolamento social recomendadas para conter a expansão do contágio do coronavírus. Tal abandono passou a ser consumado a partir de julho. Desde então, o Brasil vê a curva de casos e mortes aumentar nas semanas seguintes. Cerca de 80% dos óbitos por covid-19 ocorreram após a reabertura, considerada precoce por cientistas, como os do instituto de referência no país para epidemias, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

São Paulo segue, desde o início do surto, como estado mais afetado pela doença. São 826.331 casos confirmados e 30.673 mortos. Só para comparar, em toda a Itália, onde o impacto da pandemia causou grande comoção entre os brasileiros, até agora são 271.515 casos e 35.497 mortes. Os dados são da universidade Johns Hopkins, referência mundial em informações sobre a pandemia no mundo

Na sequência vem o Rio de Janeiro, com 228.332 casos e 16.315 mortos. A Bahia vem depois. Porém, o estado nordestino é um dos que mais aplica testes para covid-19 no Brasil. Por essa razão, a Bahia registra 262.299 casos – mais que o Rio de Janeiro –, mas menos mortes, 5.502.

Estados brasileiros mais afetados pela covid-19

Edição: Fábio M. Michel