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Efeitos colaterais graves fazem Suécia suspender uso de cloroquina contra coronavírus

Hospitais de ponta do país europeu interromperam o uso do medicamento após ocorrências de arritmias e paradas cardíacas e perda parcial da visão

©Divulgação
Hospital Sahlgrenska, o maior da Suécia, suspendeu o uso de cloroquina no tratamento de pacientes contaminados pelo coronavírus. Risco aos doentes e eficácia não comprovada

São Paulo – Hospitais das regiões das cidades de Estocolmo e de Gotemburgo, as maiores da Suécia anunciaram nesta sexta-feira (10) que pararam de administrar a cloroquina em pacientes de covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus, após a ocorrência de diversos efeitos colaterais considerados graves, como arritmia e parada cardíaca, além de perda da visão periférica. As informações da Rádio France Internacional (RFI)

“Tomamos a decisão de interromper o uso da cloroquina diante de uma série de casos suspeitos de efeitos colaterais severos, sobre os quais tivemos notícia tanto aqui na Suécia como através de colegas de hospitais em outros países”, disse o médico sueco Magnus Gisslén, professor da Universidade de Gotemburgo e chefe do Departamento de Doenças Infecciosas do Hospital Universitário Sahlgrenska, o maior hospital da Suécia e um dos maiores da Europa

Segundo a RFI, todos os hospitais da região de Västra Götaland – incluindo a cidade de Gotemburgo, a segunda maior do país – pararam de administrar a substância em pacientes de covid-19. Diversos hospitais da capital sueca – entre eles o Södersjukhuset, um dos maiores de Estocolmo – também já anunciaram a suspensão do medicamento.

“No início da crise do coronavírus, começamos a administrar a cloroquina em pacientes de covid-19, o que já vinha sendo feito em países como China, Itália e França. Mas diante de suspeitas de que o remédio pode ter efeitos colaterais mais graves do que pensávamos, optamos por não arriscar vidas. Não se pode descartar que o medicamento possa inclusive piorar o quadro clínico do paciente”, observa o médico sueco.

Defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como possível cura para o covid-19 e justificativa por seu posicionamento contrário às medidas de distanciamento social para reduzir os casos e mortes pela pandemia, a cloroquina – ou sua variante, a hidroxicloroquina – é indicada para o tratamento da malária, mas em diversos países tem sido testada em pacientes com coronavírus, apesar de não haver comprovação científica de sua eficácia nesses casos.

“Recomendações médicas devem ser feitas por especialistas, e não por políticos”, destacou Gisslén. O professor reforça a preocupação de que ainda não há evidências por trás de anúncios e reportagens de que a cloroquina possa ser eficaz no tratamento da covid-19.

“Vamos portanto aguardar até que se possa ter provas mais robustas em torno do uso da cloroquina”, completou.