Escalada

Coronavírus: Brasil tem 92 mortos e 3.417 casos confirmados de covid-19

Casos de coronavírus seguem crescendo. São Paulo ainda é o local mais afetado do país, mas isolamento começa a mostrar resultados

govsp
Enquanto Bolsonaro desdenha do coronavírus, governador e prefeito de São Paulo reforçam necessidade de isolamento. "O mundo inteiro está errado e o único certo é Jair Bolsonaro? Reflitam sobre isso"

São Paulo – O Brasil soma 92 mortes e 3.417 casos confirmados de covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. O novo balanço foi divulgado hoje (27) pelo Ministério da Saúde. Foram 14 mortes nas últimas 24 horas, a letalidade no país segue em 2,7%. A curva de contágio e letalidade está apenas no começo da escalada e o sistema de saúde deve entrar em colapso no fim de abril, de acordo com a pasta.

São Paulo concentra o maior número de casos, 1.223, seguido pelo Rio de Janeiro, com 493; Ceará, com 282; Distrito Federal, com 230; Rio Grande do Sul, com 195; e Minas Gerais, com 189.

A região Sudeste tem 57% dos infectados, 1.952 pessoas. O Nordeste tem 16% dos casos, 593; Sul, com 14%, 463 doentes; Centro-Oeste, 9%, 393; e Norte, com 4% dos casos, 145 doentes.

O estado mais populoso do Brasil registra uma média de um morto a cada duas horas e 20 minutos. São 68 casos fatais e 1.223 infectados. O aumento geral foi de 14% em relação ao dia anterior. Os órgãos de saúde estimam que o número de contaminados seja, ao menos, dez vezes maior.

O presidente Jair Bolsonaro insiste em minimizar a doença. Hoje, foi veiculada uma propaganda do governo federal para induzir as pessoas a sair do isolamento, contrariando todas as autoridades de saúde e lideranças do mundo. Para desdenhar da ciência, Bolsonaro gastou R$ 4,8 milhões, dinheiro que poderia ser utilizado na saúde, por exemplo.

A adoção da quarentena, de acordo com orientações da Organização Mundial da Saúde, já mostra resultados. Levantamento realizado pelo departamento de Física da Universidade de São Paulo mostra que a curva dos casos no estado está achatando no estado, ao contrário de outras regiões do país.

Bolsonaro isolado

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), esteve no início da tarde no estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital. Um hospital de campanha está sendo instalado no gramado, com capacidade de 2 mil leitos. O tucano rebateu ataques bolsonaristas e criticou posicionamento do presidente.

“O mundo inteiro está errado e o único certo é Jair Bolsonaro? Reflitam sobre isso. Há decreto assinado pelo presidente defendendo isolamento, um decreto de calamidade pública. A campanha que o governo está lançando em emissoras e redes sociais prega o contrário. Afinal, temos um governo federal ou dois?”, provocou o governador.

Doria disse que o Brasil “precisa discutir quem será o fiador das mortes que estão por vir”. Sobre o gasto do governo federal para atacar a ciência e a saúde pública, Doria subiu o tom, visivelmente irritado: “Esses 4.8 milhões investidos nesta campanha para desinformar o Brasil deveria ser utilizado para comprar suprimentos para hospitais, atendimento para os mais pobres, atendimento e informação correta”.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas, também do PSDB, reforçou a crítica de que Bolsonaro tenta politizar uma discussão séria de saúde pública. “Esse é um momento de união e não de partidarizar e pensar na próxima eleição. É o momento de pensar nas vidas e não de pensar em cores de partidos.”


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