Home Saúde e Ciência Estudantes da Fiocruz protestam contra corte de verbas do governo Temer
paralisação

Estudantes da Fiocruz protestam contra corte de verbas do governo Temer

Falta de recursos pode comprometer desenvolvimento de pesquisas sobre zika, febre amarela e hanseníase
Publicado por Redação RBA
14:05
Compartilhar:   
AGÊNCIA FIOCRUZ
fiocruz alunos.jpg

Fiocruz tem 992 bolsistas do CNPq e nenhum conseguirá se manter caso aconteçam mais cortes

São Paulo – Estudantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fazem uma paralisação nesta terça-feira (22) em todas as unidades do instituto, promovendo discussões públicas e passeatas contra cortes nas bolsas concedidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Mayara de Mattos, aluna de mestrado e representante dos alunos de pós-graduação da Fiocruz, aponta que, com os cortes promovidos pelo governo de Michel Temer, diversas pesquisas correm o risco de ser paralisadas. “Quando você corta bolsa dos alunos, acaba atrasando a pesquisa, porque não vai ter ninguém pra fazer”, conta, em entrevista à Rádio Brasil Atual.

O corte de 30% do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicação, somados aos 40% contingenciados pelo governo (dos R$ 730 milhões destinados ao CNPq, R$ 672 milhões foram gastos até o final de julho) afetará, entre outras, pesquisas na área de arboviroses (doenças transmitidas por insetos), como as voltadas para febre amarela, zika, chikungunya e dengue, causando um grande impacto na saúde pública.

“Estudos sobre febre amarela e zika serão atingidos. Temos também estudos sobre hanseníase, doença de Chagas, coisas que atingem a população mais pobre, doenças negligenciadas, que a indústria farmacêutica não tem interesse e quem desenvolve é a universidade. Então, se isso parar, uma parcela da população poderá ser afetada”, denuncia a estudante. 

Segundo dados do CNPq, houve uma redução de 45% na concessão de bolsas de mestrado e doutorado em 2017 em relação ao total de bolsas pagas em 2015 nessas modalidades. Nos dados totais, a agência pagou, até 27 de julho de 2017, 49,29% menos bolsas.

Mayara conta que a Fiocruz tem 992 bolsistas do CNPq e nenhum conseguirá se manter caso aconteçam mais cortes. “A gente perguntou quantos conseguirão permanecer sem a bolsa e todos disseram que não.”

Ouça: