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Número 26, Julho 2008

Resumo

Jango, 44 anos depois

por Vitor Nuzzi publicado , última modificação 13/11/2017 17h47
Acervo Última Hora
jango

Jango e sua esposa Maria Thereza durante comício em março de 1964

Ficou para este semestre, espera-se, o julgamento do processo em que a família do ex-presidente João Goulart pede indenização aos Estados Unidos por danos morais e materiais sofridos em conseqüência do golpe de 1964. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) havia retomado o processo no final de junho, mas o ministro Sidnei Beneti avaliou que um processo desses exige “mais tempo” para reflexão. A família de Jango alega que os Estados Unidos tiveram influência direta no golpe, “fornecendo suporte financeiro, logístico e bélico”. O STJ discute apenas se a ação pode ou não ser julgada pela Justiça brasileira. Por enquanto, dois juízes entendem que sim e um, que não. Faltam dois votos.

O primeiro registro

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) foi a primeira entidade a receber o registro sindical com base na Portaria 186 do Ministério do Trabalho e Emprego, de 10 de abril, que eliminou o princípio da unicidade entre federações e confederações. “Este é um momento histórico, que nos permite praticar o sindicalismo representativo não apenas de fato, mas agora, principalmente, de direito”, afirmou o presidente da Contraf, Vagner Freitas, na cerimônia de assinatura do certificado sindical, em 24 de junho.

Petróleo e poder

O jornalista Igor Fuser, professor da pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero e colaborador da Revista do Brasil, acaba de lançar um minucioso estudo sobre como os EUA definem sua política para o Golfo Pérsico, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo Fuser, o interesse americano no controle das imensas reservas de petróleo da região está acima de qualquer suposta missão de combate ao terrorismo. Petróleo e Poder: O Envolvimento Militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, pode ser solicitado na editora: www.editoraunesp.com.br ou (11) 3242-7171.

Esperança em São Januário

A vitória de Roberto Dinamite na eleição para o comando do Vasco carrega vários componentes simbólicos. Ao devolver a esperança para uma legião glamourosa de torcedores, como Aldir Blanc, Paulinho da Viola, Erasmo e Roberto Carlos, Luiz Melodia, Francis Hime, Sérgio Cabral etc., atrai de volta a simpatia de todos os amantes do futebol que sentiam repulsa à presença de Eurico Miranda, mancha na história do clube habituado às causas democráticas. O fim da era Eurico justamente sob a figura do maior artilheiro do Campeonato Brasileiro e maior ídolo do clube é também um golaço para quem torce por uma reviravolta no perfil da anacrônica cartolagem brasileira.

Cidade x Sertão

O caderno “Mais”, da Folha de S.Paulo, procurou 30 escritores e críticos e perguntou: Machado de Assis ou Guimarães Rosa? Deu Machado, mas 12 dos pesquisados disseram que ambos são do mesmo nível e cinco afirmaram que não era possível fazer tal comparação. De fato, em um caso desses, mais importante que a preferência é saber que o Brasil, tão mal das letras, produziu dois escritores dessa envergadura.

A História e a tartaruga

Dois casos curiosos ocorridos no Rio de Janeiro chegaram ao Tribunal Superior do Trabalho, que no final de junho decidiu a favor dos empregados. Em Realengo, uma escola pagava hora-aula menor a um professor de História e Geografia em relação a uma colega que ensinava Informática. O relator, ministro Maurício Delgado, considerou “inviável manter-se a diferença de remuneração, por afrontar os preceitos constitucionais da igualdade, da isonomia e da não-diferenciação do trabalho”.

Pior aconteceu em uma distribuidora de bebidas, condenada a indenizar em R$ 20 mil, por danos morais, um empregado exposto a situações humilhantes. O valor corresponde a dez vezes o salário do funcionário, que relatou no processo algumas das “brincadeiras” a que era submetido: carregar âncora de 20 quilos, cantar músicas desmoralizantes, esculhambar a equipe de vendas de pior resultado, segurar tartaruga, desfilar com “fezes de plástico” na cabeça. E a empresa ainda recorreu.

Unidade contra xenofobia

Na 35ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, ocorrida na Argentina no último dia 1º, líderes da Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru fizeram coro em relação a temas polêmicos das relações globais. A inflação observada mundialmente nos preços dos alimentos foi atribuída em uníssono à migração dos movimentos especulativos para o setor e à política protecionista dos países ricos. Mas os pronunciamentos mais contundentes foram disparados contra a nova lei de imigração aprovada pela União Européia (UE), que prevê prisão de até 18 meses (elevada para cinco anos em caso de reincidência) antes de deportar estrangeiros em condição irregular, inclusive para menores de idade. “Muitos de nós somos netos de imigrantes que vieram da Europa e aqui na América Latina foram recebidos de braços abertos. É preciso respeitar os direitos humanos, os direitos dos imigrantes, porque ninguém imigra por prazer”, declarou o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez.

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