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Número 21, Fevereiro 2008

viagem

O refúgio do Saci

São Luiz do Paraitinga (SP) é um santuário apropriado para amantes de aventura ou, simplesmente, da preguiça
por Adriana Cristina publicado , última modificação 03/10/2017 09h48
São Luiz do Paraitinga (SP) é um santuário apropriado para amantes de aventura ou, simplesmente, da preguiça
Carlos Corrêa/Divulgação
Cachoeira do Arco-Íris

Cachoeira do Arco-Íris

Diz o quadro perto da cozinha: “Este lugar representa o sonho de uma bióloga e um fotógrafo, de criar um espaço que reunisse aventureiros viajantes para contar suas histórias”. Assim é o Refúgio das Sete Cachoeiras, distrito de Catuçaba, em São Luiz do Paraitinga (a 171 quilômetros da capital paulista): um resumo do mundo, visto nos objetos trazidos de viagens a diversos países, num cantinho que sintetiza a graça da Mata Atlântica. Com 67 alqueires, o local é rodeado por um cânion do Rio Sertãozinho, afluente do Paraíba do Sul. O cânion forma as quedas d’água dentro da propriedade, dá nome ao refúgio e à Trilha das Sete Cachoeiras (Andorinha, Arco-Íris, Bromélias, Macacos, Pedra Grande, Luminosa e Encantada), com saltos de 10 a 40 metros de altura.

O hoje fotógrafo José Carlos Correia e a bióloga Nilza Tenório compraram há cinco anos a propriedade – antiga fazenda de café, com construções em pedras que remontam à época da escravidão. Ao atravessar a porteira que separa a pousada da estrada de terra, descobre-se, após uma rápida chuva ao entardecer, por que a Cachoeira do Arco-Íris tem esse nome: lá estão as curvas coloridas se banhando, presenteando a memória com um sabor de infância. Até a recepção, o corpo já esqueceu o cansaço da viagem e ganhou outro ritmo igualmente saboroso – ainda indeciso se o da aventura ou o da preguiça, que ali também se permitem.

No refeitório, três mesas arrumadas com capricho provocam para a refeição integral e orgânica, feita em fogão a lenha. Carnes, só peixe e frango. Cada ida ao fogão para encher o prato (pela segunda ou terceira vez; uma só é impossível) é intercalada aos “causos” de Zé Carlos, já parecendo um amigo antigo. Depois da refeição, vai bem um cochilo numa rede ou ir ao “paiol”, no meio do mato, de onde se vê ao longe, através da parede de vidro, a Cachoeira do Arco-Íris. Se o apetite ainda não estiver aceso, será fácil despertá-lo. Basta uma hidromassagem na banheira natural formada por pedras e queda d’água, ou quem sabe uma trilha regada a banhos de cachoeira.

frente

Não espante o moleque

Hospedar-se por uns dias dá mais tempo para os passeios ou para a preguiça. Mas o local também é aberto a passeios de um dia. A Trilha das Sete Cachoeiras tem nível médio e não exige muito preparo físico. Hoje, Zé Carlos fechou essa cachoeira para visitantes. Num dos trechos da caminhada, o guia mirim mostra onde mora um Saci. Zé Carlos, aliás, é um dos fundadores da Sociedade de Observadores de Saci.

Perto do fim da trilha está a Casa de Dona Dolores, outra forma encontrada pelos donos de celebrar a cultura local. “Nosso propósito é desenvolver o turismo sustentável e cultural, ajudando a comunidade e ensinando aos jovens tradições das antigas gerações”, explica Zé. Daí em diante, o esforço aumenta e os menos preparados podem pensar em desistir; mas com tempo bom valerá a pena prosseguir. Recompensa: uma vista espetacular da Serra da Mantiqueira, Marins e Itatiaia – e por que não ficar e ver o pôr-do-sol?

Quem quiser trecho mais curto, terá de pagar com mais esforço. Na Trilha do Vale Encantado pulam-se paus, pedras, rochas e tomam-se tombos. Mas no fim também tem prêmios: as águas de um poço, uma vista de 360 graus de cair o queixo dos vales do Pinga e do Chapéu e, na volta, riachos de águas cristalinas e muito verde.

Em algumas datas, tem também a Trilha do Saci, sempre à noite. Nesta, é proibido levar garrafas e câmeras “para não assustar” o moleque. Outra opção são as cavalgadas, sob o comando de cavaleiros ligados à Cavalhada, manifestação religiosa que representa a luta entre mouros e cristãos. À noitinha, depois desse dia “difícil” e da sopinha do jantar, pode-se relaxar sob um céu crispado de estrelas, ouvir mais histórias ou aconchegar-se para o sono dos justos.

Vá além
As festas populares têm sabor especial em São Luiz do Paraitinga. O Carnaval preserva o tradicional ritmo das marchinhas. Na primeira sexta-feira de maio (dia 2, neste ano), o Encontro das Bandeiras abre a Festa do Divino, que é encerrada no dia 11 (segundo domingo do mês). De maio a junho há o Festival de Música Junina e a Festa de São Pedro. Em julho tem a temporada de inverno, “um friozinho esquentadô”, com festival de música sertaneja de raiz e a Romaria de Cavaleiros. Todo agosto tem a festa do padroeiro São Luís de Tolosa. Em setembro, a Bik Biker. E em outubro, dia 31, em vez de Halloween, tem o Dia do Saci e a festa do moleque mais travesso da floresta.

Quem leva:

Pisa Trekking, (11) 5052-4085, www.pisatur.br
Mundo Aventura, (11) 3129-3190, www.mundoaventura.com.br
Biotrip, (11) 3826-6895, www.biotrip.com.br

A cidade:
www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br

Refúgio das Sete Cachoeiras
Trilha das Sete Cachoeiras. Rodovia Oswaldo Cruz, km 46, entre as rodovias Dutra (Taubaté) e Rio–Santos (Ubatuba); Distrito de Catuçaba, Estrada do Pinga, km 2, São Luiz do Paraitinga, SP, tels.: (12) 3671-6201 ou (11) 9609-0509. www.trilhadas7cachoeiras.com.br

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