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Publicado por Redação da RBA
12:25
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paulo pepe
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O zelador Reginaldo de carro novo: renda aquece a economia

A pretexto de reservar o mundo a uma raça que considerava melhor que as demais, Hitler desencadeou uma guerra que exterminou 50 milhões de pessoas. Com a desculpa de se defender de um grupo terrorista, o governo de Israel bombardeia bairros do Líbano e assassina centenas de civis, de crianças a anciãos, que nada têm a ver com o terrorismo. Sob argumento de “proteger” a América do Sul do comunismo, os EUA patrocinaram golpes de Estado que até hoje ainda fazem sentir suas feridas e que tiveram entre seus componentes mais selvagens a censura, na comunicação e nas artes. Muitos anos, prisões, torturas e desaparecimentos depois, esse período passou. Mas a tirania tem muitas faces e pode ressurgir a qualquer tempo.

A coligação que mais uma vez une PSDB e PFL, a pretexto de se proteger de um suposto uso eleitoral da Revista do Brasil, recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral para obrigar a CUT-SP a tirar a primeira edição do ar. Não pediu direito de resposta, nem contestou nenhuma informação. Apenas quis calar. Tirar do ar.

Todos os dias, os meios de comunicação esguicham exemplos de uso indiscreto da mídia para fabricar opiniões e julgamentos, dando ao mesmo fato diferentes versões. Pode-se gostar ou não do que é dito, criticar ou atacar o que está escrito. Mas atentar contra a liberdade de expressão é coisa de tempos passados. Assim como deveriam ser também as guerras estúpidas que matam inocentes.

Sobre a máfia das ambulâncias e a CPI dos Sanguessugas, por exemplo, Veja resumiu que, de 90 parlamentares investigados, 75 foram beneficiados com pagamentos em dinheiro ou na forma de bens e presentes. Com base na mesma fonte, Carta Capital revelou que, de 591 prefeituras beneficiadas com emendas do Grupo Planam entre 2000 e 2004, havia 128 do PSDB, 107 do PFL, 104 do PMDB, 54 do PTB, 49 do PDT e 19 do PT – só para ficar nos maiores partidos.

Quem achar algo tendencioso nessas notícias – diferentes, mas sobre o mesmo assunto –, pode contestar de várias formas. Assim como alguém pode não gostar da matéria que conta como a vida do zelador Reginaldo Jesus da Silva (página 12), que ganha dois salários mínimos, melhorou. Mas pedir para tirar as revistas de circulação seria um convite a um passado de tirania que precisa ser lembrado. Para que não se repita.