Barbiere promete entregar provas de vendas de emendas em São Paulo

Deputado que denunciou o esquema de corrupção na Assembleia Legislativa paulista foi o 30º a assinar pedido de instalação CPI. Faltam dois nomes

São Paulo – O deputado estadual Roque Barbiere (PTB) reiterou a sua disposição em entregar provas e nomes dos deputados que praticam a venda de emendas na Assembleia Legislativa de São Paulo. Ele falou que levará tudo o que tem dentro de pouco tempo ao Ministério Público. O petebista foi o 30º a assinar o pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Casa. “Eu tenho a obrigação de assinar a CPI. Como eu denuncio algo e não quero, através da minha assinatura, permitir que meus companheiros investiguem esse algo que eu denunciei?”.

Barbiere reiterou as denúncias feitas anteriormente e disse que levará tudo ao Ministério Público. “Alguns deputados aqui usaram, sim, essa prática de vendas de emendas, isso vai ser comprovado lá no Ministério Público. Lá eu vou dar nomes, levar testemunhas e comprovar algumas coisas, não todas, e outras eu vou dar indícios sérios”, afirmou.

Questionado sobre uma possível crise que sua adesão à CPI poderia causar em seu partido, integrante da base aliada do governo Alckmin, Barbiere disse que possui liberdade de escolha em sua sigla. “No meu partido ninguém me obriga a nada. Lógico que se for algo absurdo contra o partido, nem o partido vai ficar satisfeito.”

Sobre a posição do governo estadual de se manter calado em relação às denúncias e de os deputados da base tentarem abafar o ocorrido, Barbiere foi breve: “Se vocês não estão achando nada, imagina eu. Eu não sei nada do governo”, lamentou.

Conselho de Ética

Durante os trabalhos do Conselho de Ética, poucos avanços foram obtidos como contribuições para investigações. De todos os convidados, somente o deputado Major Olímpio (PDT) prestou esclarecimento, citando o nome de Tereza Barbosa, conhecida como Dona Terezinha, presidente do Centro Cultural Educacional Santa Terezinha. A líder comunitária confirmou ter protagonizado esquema semelhante com o deputado Rogério Nogueira (PDT), que nega a prática.

Barbiere foi convidado, mas não compareceu, enviando uma carta justificando sua ausência. “Eles erraram em me mandar para o Conselho de Ética, para lá se manda bandido. Eu mandei minhas explicações por escrito ao Conselho, com 22 páginas de explicações e me reservei o direito de citar nomes, fatos, provas, todo o apanhado que eu tenho sobre esse assunto ao Ministério Público”, disse o parlamentar.