Estado Paralelo

Damous cobra investigação das ligações de Bolsonaro com milícias

“Haverá investigação? Vai-se até o fim nessa investigação? São diálogos que revelam a possibilidade objetiva de o presidente da República estar ligado a grupos milicianos, grupos de extermínio”, aponta ex-parlamentar

Marcos Corrêa / PR
Bolsonaro foi citado em conversa do grupo do miliciano Adriano da Nóbrega

São Paulo – O ex-presidente da OAB-RJ e ex-deputado federal Wadih Damous cobrou das autoridades judiciais, neste domingo (2), a continuidade das investigações sobre as possíveis ligações do presidente Bolsonaro com as milícias no Rio de Janeiro. O caso voltou à tona nos últimos dias por meio de reportagem do The Intercept Brasil

O site mostrou que quando o miliciano Adriano da Nóbrega estava foragido na Bahia, abrigado por um casal de amigos, houve entre eles conversas no sentido de buscar apoio com alguém denominado ‘o homem da casa de vidro’, que seria referência a Bolsonaro.

Essas informações reforçam a tese das ligações de Bolsonaro com as milícias. Obtidas pela análise de grampos do Ministério Público do Rio de Janeiro, as interceptações teriam sido interrompidas tão logo o nome de Bolsonaro foi mencionado pelo grupo de Adriano, que depois foi morto pela PM da Bahia.

“Mas que procedimento é esse, que o MP do estado do Rio simplesmente interrompe as interceptações e não toma uma providência?”, indaga Damous. “Ao que se sabe, segundo a matéria, esse material não foi remetido para a PGR (Procuradoria Geral da República) e não se sabe como estão essas investigações. Estariam sob sigilo, mas segundo a matéria, ouvindo fontes do MPF lotadas na PGR, não há nenhum registro de que esse material tenha sido remetido ao procurador geral da República”, afirmou Damous em entrevista à revista Brasil TVT neste domingo. O ex-parlamentar destaca que como o presidente tem foro privilegiado somente a PGR pode investigá-lo.

‘Haverá investigação?’

“Haverá investigação? Vai-se até o fim nessa investigação? São diálogos que revelam a possibilidade objetiva de o presidente da República estar ligado a grupos milicianos, grupos de extermínio. Banditismo puro e simples. Isso será investigado ou não?”, insistiu na indagação o ex-deputado.

Damous disse que é reconhecido que o crime organizado no Rio de Janeiro mantém relações com a família Bolsonaro. “Há uma ligação intensa de Bolsonaro com os milicianos. A reportagem do The Intercept Brasil mostra que houve contato ou pelo menos tentativa de contato com a família do presidente”, afirmou.

Assista à entrevista