MENTIROSO

Governadores acusam Bolsonaro de distorcer repasses para saúde

Governadores de 16 estados respondem tuíte de Bolsonaro e dizem que presidente deveria trabalhar em políticas de saúde em vez de buscar confronto

Clauber Cleber Caetano/PR
Na carta, os governadores ainda dizem que estão preocupados com a 'o Governo Federal a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas'

São Paulo – Governadores de 16 estados acusaram o presidente Jair Bolsonaro de distorcer os valores sobre repasses para a área da Saúde. Em carta divulgada na manhã desta segunda-feira (1º), os chefes de Estado desmentem os valores divulgados pelo governo federal e dizem que os valores repassados são “absolutamente minoritária” dentro do montante publicado pelo presidente.

Ontem (28), Bolsonaro divulgou, em seu Twitter, uma conta simplificada sobre valores diretos e indiretos repassados aos estados. Porém, de acordo com os governadores, os dados são distorcidos porque englobam repasses obrigatórios pela Constituição Federal, que estão previstos pelo pacto federativo.

“Adotando o padrão de comportamento do presidente da República, caberia aos estados esclarecer à população que o total dos impostos federais pagos pelos cidadãos e pelas empresas de todos estados, em 2020, somou R$ 1,479 trilhão. Se os valores totais, conforme postado hoje, somam R$ 837,4 bilhões, pergunta-se: onde foram parar os outros R$ 642 bilhões que cidadãos de cada cidade e cada estado brasileiro pagaram à União em 2020?”, questionaram.

Na carta, os governadores destacam que o presidente Jair Bolsonaro deveria trabalhar em políticas para conter aglomerações em vez de adotar uma estratégia de confronto. “Em meio a uma pandemia de proporção talvez inédita na história, agravada por uma contundente crise econômica e social, o governo federal parece priorizar a criação de confrontos, a construção de imagens maniqueístas e o enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população”, criticaram.

O debate sobre os valores repassados se dá pelo fato do governo federal ser cobrado a voltar a financiar leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19 nos estados. Neste domingo, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Ministério da Saúde volte a custear os leitos no Maranhão, Bahia e São Paulo.

Presidente mentiroso

A carta é assinada pelos seguintes governadores: Renan Filho (Alagoas), Waldez Góes (Amapá), Camilo Santana (Ceará), Renato Casagrande (Espírito Santo), Ronaldo Caiado (Goiás), Flávio Dino (Maranhão), Helder Barbalho (Pará), João Azevêdo (Paraíba), Ratinho Junior (Paraná), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Cláudio Castro (Rio de Janeiro), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), João Doria (São Paulo) e Belivaldo Chagas (Sergipe).

Na carta, os governadores ainda dizem que estão preocupados com a “utilização, pelo Governo Federal, de instrumentos de comunicação oficial, custeados por dinheiro público, a fim de produzir informação distorcida, gerar interpretações equivocadas e atacar governos locais”.

Segundo eles, é preciso buscar um entendimento de que “a linha da má informação e da promoção do conflito entre os governantes em nada combaterá a pandemia e muito menos permitirá um caminho de progresso para o país”.

Mais cedo, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), respondeu o presidente Bolsonaro por meio das redes sociais. Para o petista, Jair Bolsonaro “confunde e engana a população”, com a postagem. “As transferências constitucionais obrigatórias e os benefícios previdenciários não podem ser vistos ou divulgados como ação extraordinária do governo federal. São recursos que cada estado e município tem direito pelo pacto federativo. Não é favor algum!”, disse.