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Haddad: ‘Lula é culpado por ter começado a revolução da inclusão’

Em ato de Curitiba pela liberdade do ex-presidente Lula, Haddad acusa elite brasileira de ter levado ao poder um candidato que admite que 'não nasceu pra coisa', além de antipatriota
Publicado por Redação RBA
13:58
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Ricardo Stuckert
haddad lula livre

Haddad em Curitiba: ‘Patriotismo não é fazer festa com o golpe de 64, nem babar ovo pro Trump, que quer nosso petróleo’

São Paulo – O ex-candidato à Presidência da República Fernando Haddad encerrou o ato pela Jornada Lula Livre em Curitiba, na manhã deste domingo (7), conclamando a população a ampliar a mobilização pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Nós vamos continuar lutando pelos direitos do povo e como Lula é do povo, nós vamos continuar lutando por seus direitos. Porque ele é um dos nossos. Nasceu nas entranhas desse país, não teve nenhum privilégio na vida, superou todos os obstáculos, pra subir aquela rampa e fazer a diferença. E é essa diferença que eles não querem aceitar.”

O ato por Lula Livre marcou um ano da prisão do ex-presidente e teve participação estimada pelos organizadores de 10 mil pessoas, que viajaram em caravanas de todas as regiões do país. Haddad lembrou que é o povo, presente ou não à manifestação, que pode reverter a injustiça e a violência cometida contra o ex-presidente. “Se o povo compreender o que está em jogo – e isso depende muito de nós – nós vamos trazer mais gente para as ruas. Nós somos 10 mil aqui, mas esse ato está acontecendo em muitas cidades do país e do mundo, que são solidárias ao Lula e não aceitam o arbítrio que estão fazendo com ele.”

Haddad citou pesquisas divulgadas recentemente que apontam a queda de popularidade de Jair Bolsonaro, lembrando que só foi eleito porque Lula foi preso e porque usou de truques para chegar à vitória em 2018. “Essa elite conseguiu, com tudo que fez desde 2013, colocar um dos piores brasileiros na presidência e colocar o melhor brasileiro nas grades. Enquanto um diz que não nasceu pra ser presidente, tem outro que já provou que sabe cuidar das pessoas, dos pobres, do povo do Brasil”, afirmou.

Haddad encerrou sua participação e o ato lembrando que Lula foi preso por ter liderado “a verdadeira revolução no Brasil, a revolução libertadora”, ao enumerar algumas das conquistas dos governos do PT, como a ampliação do acesso à educação pública pela população pobre, os programas de moradia, ter criado universidades e escolas técnicas.

“Não há liberdade e não há soberania sem a participação do povo na riqueza nacional. Participar não é só falar, é participar da renda, é se expressar, se reunir sem temor. Esse pessoal não sabe o que é patriotismo. Patriotismo não é fazer festa com o golpe de 64, é lutar para as crianças serem educadas. É conversar com os movimentos sociais, os sem teto e os sem terra. Patriotismo não é babar ovo pro Trump, que tá de olho no nosso petróleo. Patriotismo é não importar problemas que não são nossos, comprando briga com os árabes, que são os maiores compradores dos nossos produtos.”

Gleisi e carta de Lula

Ricardo StuckertGleisi Hoffmann
Gleisi homenageou militantes que garantem a força da vigília

A deputada federal e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, parabenizou integrantes da Vigília Lula Livre, que desde o primeiro dia da prisão do ex-presidente foi montada próxima à sede da Polícia Federal em Curitiba, prestando solidariedade e sem deixar Lula sozinho um único dia. “As pessoas vieram aqui, Lula, para mostrar que não vão soltar a sua mão. Nesses 365 dias não faltou gente aqui. Essa vigília funciona noite e dia trazendo solidariedade e resistência”, afirmou.

Em seguida, Gleisi leu uma carta escrita por Lula especialmente para as manifestações pela sua libertação e em defesa da democracia, neste dia em que sua prisão completa um ano. “Há exatamente um ano, meus adversários buscam um motivo para comemorar, e não encontram. Temos sofrido repetidos revezes desde o golpe contra a presidenta Dilma, é verdade. Mas nossas derrotas nos fortalecem para a luta, ao passo que suas vitórias não dão a eles um minuto sequer de paz”, diz a carta, reproduzida abaixo:

Meus amigos e minhas amigas, incansáveis companheiras e companheiros de luta.

Há exatamente um ano, estou preso pelo crime de dedicar uma vida inteira à construção de um Brasil mais justo, desenvolvido e soberano. Impediram minha candidatura à Presidência para que eu não subisse outra vez a rampa do Palácio do Planalto, empurrado pelos braços de cada um e cada uma de vocês, para que juntos revertêssemos o desmonte do Estado brasileiro promovido pelos meus algozes.

Há exatamente um ano, estou isolado na cela de uma prisão em Curitiba. Jamais apresentaram uma única prova contra mim. Sou preso político, exilado dentro do meu próprio país. Separado do povo brasileiro, de meus familiares e dos amigos mais queridos. Proibido de dar entrevista, impedido de falar e de ser ouvido.

Pensavam que a imposição desse longo silêncio calaria para sempre a minha voz. Pois não calaram, nem calarão. Porque somos milhões de vozes.

Há exatamente um ano, sou acalentado pelo “Bom dia” e pelo “Boa noite, presidente Lula”, entoados a plenos corações não apenas pelos bravos integrantes dessa que é uma das mais longas vigílias de toda a história, mas também pela solidariedade que chega de todos os cantos do Brasil e até de outros povos do mundo.

Há exatamente um ano, meus adversários buscam um motivo para comemorar, e não encontram. Temos sofrido repetidos revezes desde o golpe contra a presidenta Dilma, é verdade. Mas nossas derrotas nos fortalecem para a luta, ao passo que suas vitórias não dão a eles um minuto sequer de paz.

Eles estão cada vez mais ricos, mas a fortuna obtida à custa do sofrimento de milhões de brasileiros não lhes traz felicidade. Eles estão cada vez mais raivosos e infelizes, envenenados pelo próprio ódio que destilam.

Na despedida do meu neto Arthur, o Brasil inteiro foi surpreendido pelo imenso e desnecessário aparato repressivo montado contra mim. Viaturas, helicópteros, militares portando armamento pesado. Tudo para impedir que eu até mesmo acenasse para aquelas pessoas solidárias à dor de um avô.

Na mesma hora compreendi que o medo deles não é do Lula. Eles têm medo é dos milhões de Lulas. Porque eles sabem do que somos capazes quando nos unimos para transformar este país.

Estamos vivos e fortes. Juntos, vamos reverter cada retrocesso, cada passo atrás na dura caminhada rumo ao Brasil que sonhamos e que provamos ser possível construir. Venceremos.

Um abraço, e até a vitória!

Luiz Inácio Lula da Silva

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