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Manifesto Liberdade

Chico Buarque pede 'união das esquerdas' e Gil vê Lula como preso político

Compositor avalia que ex-presidente foi alvo de "atos discricionários", como a condução coercitiva e a quebra ilegal de sigilo
por Redação RBA publicado 17/04/2018 18h57, última modificação 17/04/2018 18h59
Compositor avalia que ex-presidente foi alvo de "atos discricionários", como a condução coercitiva e a quebra ilegal de sigilo
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'Manifesto Liberdade' foi lançado na noite de segunda por Manuela durante ato no Teatro Oficina, em São Paulo

São Paulo – Em vídeos endereçados à pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, a deputada estadual Manuela d´Ávila, Chico Buarque e Gilberto Gil falam sobre o momento político e da prisão imposta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde o dia 7 isolado em uma sala na Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba. Chico defende a "união das esquerdas", enquanto Gil considera Lula "um político preso e um preso político".

Os cantores e compositores gravaram depoimentos para o "Manifesto Liberdade", lançado na noite de segunda-feira (16) por Manuela durante ato no Teatro Oficina, em São Paulo. Além de apresentar algumas de suas propostas, a pré-candidata denunciou a "prisão inaceitável" de Lula.

Karla Boughoff manuela
A pré-candidata e o rapper Renegado, durante ato realizado ontem no Teatro Oficina

No vídeo, Gil, que foi ministro de Lula, apresenta definições do que é um preso político ("Aquele que, político ou não, vem a ser preso em um regime de exceção") e um político preso ("Preso por força da lei, em um regime republicano, em um Estado de Direito, sob a vigência de uma Constituição"), para então perguntar em qual caso está Lula.

"Creio que seja as duas coisas", responde o próprio Gil. "Político preso por razões óbvias. Réu, processado, julgado, condenado, segundo a lei. Preso político porque, como réu, ao longo de todo o processo, até o seu desfecho, foi alvo de vários atos discricionários, tais como a prisão coercitiva mal justificada, a quebra ilegal de sigilo de um interlocutor, a presidente da República, no caso", enumera o compositor.

Ele cita ainda "a ordem de prisão precipitada, antes do esgotamento dos prazos processuais". E também "alguns outros atos excepcionais a que foi sujeito, atos assim consideráveis, se examinados à luz do estrito Direito republicano, democrático, legal". E conclui: "O clamor pela liberdade de Lula, portanto, se não plenamente, é pelo menos, parcialmente justificado. Sinto-me, assim, no direito de me juntar a todos vocês que, de um lado, gritam 'Lula livre'".

Já Chico afirma considerar "legítimo e saudável que diferentes grupos de esquerda disputem as eleições presidenciais deste ano". Isso, segundo ele, propicia o aparecimento de novas lideranças, caso de Manuela, que o cantor e compositor chama de "doce figura e dura, quando precisa", e que demonstrou coragem, por exemplo, na luta pela liberdade de Lula.

"E aí está um sinal de que as esquerdas podem se unir, devem se unir, quando se trata do essencial, que é o combate à injustiça e a defesa da democracia. Estamos juntos", diz Chico.

Outros nomes dão as boas-vindas à candidatura da deputada gaúcha, como Caetano Veloso, que já manifestou apoio a Ciro Gomes, do PDT.

Assista aos vídeos: