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No Distrito Federal, alunos desocupam escolas para provas do Enem

Após negociação com PM, com interlocução da OAB e do Conselho Tutelar, secundaristas deixaram as oito escolas que vinham sendo ocupadas, mas garantem que protestos prosseguirão
Publicado por Hylda Cavalcanti, da RBA
17:35
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Lula Marques/AGpt/Fotos Públicas
Zélia Duncan

A cantora Zélia Duncan visitou campus da UnB e levou solidariedade à luta dos estudantes

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Assembleia geral na UnB para debater os próximos passos da maior ocupação no Distrito Federal

Brasília – O governo do Distrito Federal, com a participação da Polícia Militar, e por meio de negociações feitas com a interlocução de integrantes do Conselho Tutelar e da seccional de Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), retirou hoje (4), em uma ação pacífica alunos da última escola secundarista que estava sendo ocupada por estudantes na capital do país e cidades-satélites. Ontem, foi negociada a saída de alunos de três instituições de ensino (no total, foram oito as ocupações) – as demais já tinham sido esvaziadas na terça-feira. Os estudantes disseram que estão cedendo apenas por conta das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) neste final de semana e que a mobilização continua.

A desocupação desta sexta-feira foi de um grupo que estava no Centro de Ensino Médio do Gama, conforme informações da secretaria de Educação do DF. O objetivo dos estudantes de deixar as instalações desses locais foi evitar confrontos e, ao mesmo tempo, mostrar que estão dispostos a acatar as ordens judiciais que pedem a retirada de todos das escolas para a realização das provas do Enem.

Mas eles se mobilizaram de forma a se apoiarem, num esquema em que os que saíram de cada escola se dirigiram de imediato para as próximas a serem desocupadas, com o intuito de protegerem uns aos outros, no caso de algum ato de truculência. Nenhum aluno quis falar com a imprensa para evitar serem fotografados – o que pode levar a perseguições em sala de aula, posteriormente, segundo representantes do movimento.

A desocupação mais tensa ocorreu Centro Educacional 01 de Planaltina, na noite de ontem. Os alunos, que ocupavam a escola havia 14 dias saíram sem resistência, a exemplo dos demais colegas. Mas, conforme integrantes do movimento, eles resolveram se despedir da área de maneira diferente: em fila indiana e usando mordaças pretas.

Campus da UnB

Já nas escolas técnicas e entre os universitários, as mobilizações prosseguem no DF. Continuam sendo ocupados por estudantes sete instituições técnicas de ensino e dois campus da Universidade de Brasília (UnB), um na área universitária de Brasília e outro, na região administrativa de Planaltina.

Os estudantes da UnB continuam realizando assembleias em cada uma das faculdades para que seja decidida, por meio do voto, a adesão ao movimento da forma mais democrática possível. Representantes do Diretório Central dos Estudantes da universidade contaram que já aceitaram participar da mobilização alunos das faculdades de Administração, Comunicação e os que estudam no Bloco de Salas de Aula Sul (BSA Sul). Um grupo de alunos também ocupa a reitoria da universidade.

Posicionaram-se contrários às ocupações alunos da UnB dos cursos de Direito, Arquivologia, Ciências da Informação, Agronomia, Administração, Odontologia, Enfermagem e Medicina. A mobilização dos estudantes é contra a Medida Provisória (MP) 746, que prevê a reforma do ensino médio, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, que congela os gastos públicos por 20 anos.

Ontem, o líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), entrou com uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir proteção aos estudantes que ocupam escolas e universidades em todo o país. A MP 746 é objeto de tramitação no Congresso por meio de uma comissão mista especial que aprecia a matéria. E tem sido tratada em várias audiências públicas promovidas pelos deputados e senadores contrários à forma como está sendo proposta a mudança no ensino médio, que já externaram apoio aos estudantes.

Já o relatório da PEC 55 está previsto para ser lido na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) na próxima semana, caso não haja obstrução ou suspensão de reuniões.