Operação Inversão

Justiça manda soltar delegados suspeitos de receber propina

De acordo com denúncias, policiais se comprometiam a interromper as investigações sobre fraudes em várias agências do INSS mediante o pagamento de valores que atingiam R$ 50 mil por dia

polícia federal/divulgação
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Policiais federais haviam sido presos no último dia 14

São Paulo – Estão soltos desde a noite de ontem (20) os três delegados da Polícia Federal acusados de participar de um esquema de pagamento de propina envolvendo fraudes contra a Previdência Social, em São Paulo. Eles Foram presos no último dia 14.

Em despacho ontem (20), a juíza Ana Clara de Paula Oliveira Passos, da Justiça Federal, considerou desnecessárias as prisões. Segundo o advogado Olímpio José Ferreira Rodrigues, que entrou com recurso para defender um dos acusados, Ulisses Vieira Mendes, a juíza entendeu que seu cliente não oferecia nenhuma ameaça de obstrução ao inquérito instaurado para apurar a denúncia de cobrança de propina de fraudadores da Previdência Social e nenhum risco à sociedade.

“Os requisitos para a prisão preventiva não foram preenchidos, e a juíza entendeu nossa argumentação de que não há como interferir sobre a investigação criminal ou sobre testemunhas”, disse ele.

Ulisses Francisco Vieira Mendes está aposentado há dois meses e ocupava a chefia da Delegacia de Crimes Previdenciários (Deleprev), da Superintendência da Polícia Federal, unidade que está na mira das investigações. Ele e os demais foram detidos na Operação Inversão da Polícia Federal, que tinha como alvo a prisão de 13 suspeitos, além do cumprimento de 23 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de condução coercitiva.

O caso em andamento começou a ser investigado em agosto do ano passado, após a PF ter sido informada do pagamento de propinas a alguns delegados lotados na Delegacia de Crimes Previdenciários (Deleprev). De acordo com denúncias, os policiais se comprometiam a interromper as investigações sobre fraudes em várias agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mediante o pagamento de valores que atingiam a R$ 50 mil por dia.