Vannuchi

Proposta de antecipações das eleições desorganiza o campo da oposição

Segundo analista, Temer prova do próprio veneno, Marina ressurge em sua busca messiânica, Aécio se vê escanteado e Cunha segue solto liderando o impeachment

Elza Fiuza/Agência Brasil
marina

Após longo silêncio, Marina ressurge “em sua busca desenfreada e messiânica pelo poder”

São Paulo – Uma semana após os jornais darem o impeachment de Dilma Rousseff como favas contadas, repercutindo até a montagem do ministério de um hipotético governo Temer, o movimento vem perdendo forças a cada dia, afirma hoje (6) o analista político Paulo Vannuchi, em sua coluna na Rádio Brasil Atual. Segundo ele, a nova proposta surgida entre os que querem encurtar o mandato legitimamente definido pelas urnas, da realização de novas eleições ainda este ano, apesar de capitaneada por Marina Silva (Rede) e incensada pela mídia tradicional (menos a Globo), desorganiza o campo da oposição.

Marina, que até então mantinha silêncio – inclusive no escândalo ambiental do estouro da barragem da Samarco, em Mariana, lembra o comentarista –, retorna em “sua busca desenfreada e messiânica pelo poder”.

Vannuchi afirma que Temer prova do próprio veneno, ao ver seu nome incluído no processo de impeachment, o que corroboraria também com a tese de convocação de novas eleições; o senador Aécio Neves (PSDB-MG) se vê escanteado nesse processo, e voltou a afirmar que tal proposta enfraquece a tese do impeachment.

Por outro lado, o juiz Sérgio Moro e a Rede Globo, que Vannuchi classifica como “os dois pilares maiores do golpe”, não sabem como lidar em relação a essa nova proposta, enquanto o presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segue impune, ditando o ritmo do processo de impeachment.

Dada a gravidade da crise política e com o mandato em risco, até mesmo a presidenta Dilma não teria respondido à proposta de convocação de eleições gerais inteiramente, limitando-se a considerar apenas “mais uma proposta” e deixando claro não acreditar em sua viabilidade. “Convença o Senado e a Câmara a abrirem mão de seus mandatos e depois conversa comigo”, disse Dilma, durante coletiva ontem, em Brasília.

“Nesse horror institucional, termino dizendo que a saída para a crise, de qualquer maneira, é alterar o cenário econômico brasileiro, que segue alimentando esse caos. A presidenta Dilma precisa parar de emitir sinais contraditórios e começar a se concentrar em políticas de retomada do crescimento”, afirma o analista.

Vannuchi cobra do Executivo medidas de estímulo ao consumo, que contribuam para o aumento da arrecadação dos entes federativos, e aposta na capacidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para derrotar o impeachment e oferecer ao país as mudanças exigidas pelos trabalhadores. O analista lembra ainda que o ex-presidente terá, na próxima semana, seu futuro definido em relação a ser ou não ministro de Dilma.