Home Política Genoino passa mal e é conduzido às pressas a hospital de Brasília
Ação Penal 470

Genoino passa mal e é conduzido às pressas a hospital de Brasília

Há dias família, amigos e médicos alertam sobre fragilidade da condição de saúde do ex-presidente do PT, que aguarda decisão do presidente do STF, Joaquim Barbosa, sobre prisão domiciliar
Publicado por Hylda Cavalcanti, da RBA
Política
Compartilhar:   
marcello casal jr/abr
suplicy

Senador Eduardo Suplicy esteve na Papuda na manhã desta quinta para visitar condenados do mensalão

Brasília – O deputado José Genoino teve de ser encaminhado às pressas, poucos minutos atrás, para uma unidade do Instituto do Coração (Incor) no Distrito Federal. Sua assessoria descartou que tenha sido um princípio de infarto, mas confirmou que seu estado de saúde piorou bastante entre a noite de ontem (20) e a manhã desta quarta-feira (21). Ele continua tossindo sangue, reclamando de dores no peito e não tem conseguido dormir.

A remoção às pressas de Genoino do Complexo Penitenciário da Papuda para um hospital em Brasília aumentou ainda mais a expectativa em frente ao local. A Papuda fica em Unaí, município que faz entorno com o Distrito Federal, onde estão os 11 primeiros réus presos na Ação Penal 470, o mensalão. Militantes do PT entram e saem da tenda montada em frente ao local à espera de algum desfecho em relação ao pedido para que o deputado José Genoino seja encaminhado para um hospital em definitivo ou tenha a pena revertida em prisão domiciliar. E aguardam notícias sobre o seu real estado de saúde neste momento.

Os parlamentares que o visitaram, por outro lado, externaram preocupação com o estado emocional de Genoino. Na manhã de hoje (21), a militância divulgou, perante os repórteres e nas redes sociais, mensagem de dois dos filhos do deputado, Miruna e Ronan, que tiveram de retornar a São Paulo ontem. Na mensagem, com o título “Ajudem a Denunciar”, eles informam que o médico do presídio solicitou ontem que ele fizesse uma série de exames e reiterou que estes deveriam ser realizados em um hospital, o que foi negado pelo juiz de execuções criminais. “Nosso medo de que aconteça algo grave com ele está grande, real, por favor ajudem a divulgar essa barbaridade!! Estão negando a José Genoino uma necessidade médica!!!”, dizia o texto, divulgado horas antes de o deputado passar mal.

Da família de Genoino, permanece em Brasília apenas a esposa Rioco e uma das filhas, Mariana, que mora na cidade. Os outros dois filhos tiveram de retornar à capital paulista por conta de compromissos pessoais. Miruna, inclusive, chegou a contar na segunda-feira, bastante abalada, que teria de voltar porque amanhã é aniversário da filha Paula, que completa 7 anos – até mesmo como forma de evitar maiores abalos psicológicos nas crianças da família.

Tensão emocional

Entre ontem e hoje, além do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, fizeram visita aos presos no complexo penitenciário: Erika Kokay (PT-DF),  Renato Simões (PT-SP) – suplente de Genoino -, e Zeca Dirceu (PT-PR) – filho de José Dirceu, e os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Wellington Dias (PT-PI) – líder do partido no Senado) – e Paulo Paim (PT-RS).

“Nós todos recomendamos toda atenção a ele. Pedimos ao Ministério da Justiça. É importante que ele possa cumprir a prisão domiciliar. Uma pessoa nas condições em que ele está, houve um procedimento inadequado da parte do presidente do Supremo em forçá-lo a fazer tudo o que colocou para o Genoino”, disse Suplicy, em conversa por telefone, após a visita à Papuda.

A família vem alertando sobre o risco de manter preso Genoino, que em julho passou por cirurgia cardíacaConforme informações repassadas por eles, José Dirceu e Delúbio Soares falaram muito mais na grande preocupação que estão sentindo com a saúde de José Genoino, que tem mantido os olhos baixos e demonstrado sinais de abatimento. Os parlamentares mencionaram, ainda, achar que os problemas têm se agravado muito mais devido ao seu estado emocional, como externou a deputada Erika Kokay, que é psicóloga.

Já o deputado Renato Simões (PT-SP), que o visitou ontem, disse que além da questão da saúde propriamente, o grande problema para Genoino é o fato de estar vivendo, outra vez, uma situação que o lembra muito a que passou 40 anos atrás, quando foi preso durante o período da ditadura. “É um absurdo o que estão fazendo. Para ele, a prisão está sendo uma ameaça de morte”, contou, numa frase que tem sido repetida constantemente pelos militantes em frente à Papuda.

Adiamento

Na Câmara dos Deputados, os parlamentares que compõem a Mesa Diretora – pressionados pela base aliada do governo – decidiram adiar por mais alguns dias a discussão sobre a abertura do processo de cassação de Genoino. Na reunião, programada com este objetivo, o vice-presidente da Casa, André Vargas (PT-PR), pediu vistas do processo, o que adia o debate sobre o tema até a próxima quarta-feira (26).

Vargas definiu como “muito vaga” a carta encaminhada pelo presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, à Câmara, comunicando a prisão do deputado. “Consideramos esse documento insuficiente para um caso especialíssimo envolvendo uma pessoa que tem grave problema de saúde, sem condições de se defender e com um pedido de aposentadoria já em tramitação nesta Casa”, afirmou.

Truculência

Genoino se recupera de uma cirurgia cardíaca de alto risco realizada em agosto, quando sofreu numa dissecação da artéria aorta e chegou ao hospital com 10% de chances de sobreviver. Devido ao problema, ele precisa de vários medicamentos e de dieta especial.

Na noite de terça (19) para quarta-feira, segundo informações de pessoas próximas, Genoino teria voltado a expelir sangue pela boca na cela.

No entanto, Joaquim Barbosa recusa-se a considerar seus direitos constitucionais. Na quarta-feira (20), o Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal atestou em laudo que o deputado tem doença grave e precisa de cuidados específicos e regulares.

“Trata-se de paciente com doença grave, crônica e agudizada, que necessita de cuidados específicos medicamentosos e gerais, controle periódico por exames de sangue, dieta hipossódica, hipograxa e adequada aos medicamento utilizados, bem como avaliação médica cardiológica especializada regular”, diz o laudo, assinado pelos médicos José Raimundo Levino da Silva e Marise Helena Frigini da Silva.

Até a presidenta Dilma Rousseff afirmou ontem em entrevista a rádios de Campinas-SP, estar preocupada com o estado de saúde do deputado. “Eu manifestei de fato uma grande preocupação humanitária em relação à saúde do deputado federal José Genoino. Fiz porque sei as condições de saúde dele, ele teve uma doença extremamente grave do coração, e sei que ele toma anticoagulante”, disse.

Também ontem, juristas denunciaram, em manifesto encabeçado por Dalmo Dallari e Celso Bandeira de Mello, as arbitrariedades cometidas pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa, no decreto de prisão de Genoino e de outros condenados.

“Não faz sentido transferir para o regime fechado, no presídio da Papuda, réus que deveriam iniciar o cumprimento das penas já no semiaberto em seus estados de origem. Só o desejo pelo espetáculo justifica”, diz um trecho do manifesto, que lança dúvidas sobre “o preparo ou a boa fé”, de Barbosa. Leia a íntegra aqui.