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Oposição a Lula e Cabral perde metade da bancada federal no RJ

por Maurício Thuswohl, especial para a Rede Brasil Atual publicado , última modificação 05/10/2010 18h13

Presidente Lula recebe em audiência o governador reeleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no Palácio do Planalto (Foto: Renato Araújo)

Rio de Janeiro – Os principais partidos de direita que fazem oposição ao governador Sérgio Cabral (PMDB) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio de Janeiro viram as urnas em 3 de outubro reduzirem à metade suas bancadas na Câmara dos Deputados. Legendas importantes no cenário político nacional, PSDB, DEM e PPS, que juntos elegeram dez deputados federais em 2006, terão a partir do ano que vem apenas cinco representantes fluminenses em Brasília.

O maior derrotado foi o DEM. Além do mau resultado do ex-prefeito Cesar Maia na disputa pelo Senado (4º colocado), o partido viu sua bancada na Câmara ser reduzida de cinco para dois deputados federais. O demista mais votado foi o empresário do setor de telecomunicações Arolde de Oliveira (99.457 votos), que é fundador do antigo PFL e vai para o seu oitavo mandato consecutivo. A segunda vaga do DEM ficou com o presidente nacional do partido, Rodrigo Maia, que obteve 86.162 votos.

Considerada a voz de Cesar na Câmara, a deputada Solange Amaral, que tentava o quarto mandato consecutivo, não conseguiu se reeleger. O deputado Rogério Lisboa, estremecido com os Maia desde que aceitou ser secretário do petista Lindberg Farias na Prefeitura de Nova Iguaçu, e Indio da Costa, indicado pelo partido para vice na chapa de José Serra, não concorreram.

No PSDB, que teve a bancada reduzida de quatro para dois deputados federais, Otávio Leite foi reeleito com 84.452 votos. A segunda vaga dos tucanos na Câmara ficou com a também reeleita Andréia Zito (82.832 votos), filha do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito. O grande derrotado do partido foi o ex-delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba que, mesmo tendo abraçado a bandeira da segurança pública, não conseguiu se reeleger. O deputado Sílvio Lopes, ex-prefeito de Macaé, não se candidatou.

O PPS conseguiu eleger o vereador e ator Stepan Nercessian (84.006 votos) para seu primeiro mandato de deputado federal em Brasília. Em 2006, o partido havia conquistado duas vagas na Câmara, com a delegada da Polícia Civil Marina Magessi (que não tentou novo mandato) e com Neilton Mulim, que foi para o PR, onde conseguiu novo mandato.

Ex-BBB pega carona

Nos outros partidos de oposição a Cabral e Lula, a maior vitória foi obtida pelo PSOL. Segundo candidato a deputado federal mais votado no estado com 240.724 votos, o reeleito Chico Alencar dobrou a votação obtida em 2006 e se consolidou como principal nome da esquerda no Rio. A votação de Chico permitiu a eleição do ex-vencedor do BBB Jean Wyllys que, com apenas 13.018 votos, cumprirá seu primeiro mandato em Brasília.

Ancorado na campanha de Marina Silva, o presidente do PV no Rio, Alfredo Sirkis (73.185 votos), conseguiu a almejada vaga de deputado federal que pertencia a Fernando Gabeira, o mais votado do estado nas eleições de 2006. Apesar de não atingir a mesma marca individual, o partido desta vez elegeu um segundo deputado, o Doutor Aluízio, que, com 95.412 votos, surpreendeu e chegou à frente do próprio Sirkis.

Lideranças

Com 16 deputados federais eleitos por seus respectivos partidos (oito pelo PMDB e oito pelo PR), o governador reeleito, Sérgio Cabral, e o ex-governador – e agora deputado federal eleito – Anthony Garotinho firmaram suas posições como maiores lideranças políticas do estado nestes últimos anos. Mesmo tendo perdido duas cadeiras na Câmara em relação a 2006, o PMDB consolidou eleitoralmente alguns dos nomes mais próximos ao governador e ao prefeito do Rio, Eduardo Paes. Garotinho, por sua vez, foi o deputado mais votado no estado (694.862 votos) e fez a bancada do PR aumentar em sete cadeiras. O sonho eleitoral do PR, no entanto, ainda pode ser desfeito se Garotinho for condenado pela Lei da Ficha Limpa.

O deputado mais votado do PMDB foi o reeleito Leonardo Picciani, filho de Jorge Picciani, com 165.630 votos. Outros aliados de Cabral e Paes que se reelegeram com votação expressiva foram o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (138.811 votos) e o deputado Pedro Paulo (105.406 votos). O deputado estadual Rodrigo Bethlem, secretário de Paes na Prefeitura do Rio, conquistou seu primeiro mandato federal.

O segundo deputado federal mais votado do PMDB nestas eleições foi o polêmico Eduardo Cunha, que obteve 150.616 votos. Ainda ligado a Garotinho e também ao grupo político formado em torno do ex-prefeito Luiz Paulo Conde, Cunha é o único candidato eleito pelo PMDB que não reza pela cartilha de Cabral. Os demais deputados federais eleitos pelo partido são o ex-prefeito de São Gonçalo, Édson Ezequiel, o empresário Alexandre Santos, que vai para o quarto mandato consecutivo, e o novato Adrian, oriundo da política de Macaé. O principal derrotado no PMDB nestas eleições foi o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Nélson Bornier que, com 72.352 votos, conquistou apenas a primeira suplência.

Graças aos votos obtidos por Garotinho, o PR reelegeu os deputados Adílson Soares (51.011 votos) e Neilton Mulim (41.480 votos), além de obter novas cadeiras para Francisco Floriano, Zoinho, Doutor Paulo César, Liliam Sá e Paulo Feijó. Quatro das cadeiras conquistadas pelo PR, no entanto, poderão ser retomadas se o Tribunal Superior Eleitoral condenar Garotinho no processo por abuso de poder econômico e uso indevido de meio de comunicação que corre contra o ex-governador e sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Matheus.