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Discurso de ódio

Hoje os ‘inimigos’ são vermelhos. Amanhã serão os amarelos, os verdes e os azuis, diz professora da UFF

Jaqueline Muniz analisa surgimento de patrulhas políticas e morais causadas pelo discurso de Bolsonaro. 'O líder não precisa mandar ordem direta, basta estimular, que isso vai acontecer'
Publicado por Redação RBA
14:08
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Tânia Rêgo EBC/Reprodução
Discurso de ódio

À Rádio Brasil Atual, Jacqueline aponta que discurso de “inimigo comum” possibilita a criação de milícias autônomas de ódio

São Paulo — A antropóloga Jaqueline Muniz avalia que  operadores da Justiça no país têm feito “leitura pelo extremo” da legislação e reforçado a ascensão da intolerância e da “síndrome do pequeno cidadão”, expressada pela onda de violência cotidiana contra opositores de Jair Bolsonaro (PSL). Jaqueline é professora do Departamento de Segurança Pública e do Instituto de Estudos Comparados na Mediação de Conflitos da Universidade Federal Fluminense (UFF), uma das 25 instituições de ensino invadidas nestas semana por policiais e fiscais de tribunais eleitorais,.

“Quem tem que ser procurado pela polícia é quem está violando direitos constitucionais com suas falas, com suas campanhas, e não aqueles que estão defendendo as regras do jogo democrático e o Estado de direito”, defende a professora, sobre a censura à manifestação das comunidades acadêmicas contra o fascismo expressada em um cartaz retirado pela Justiça.

Em entrevista ao jornalista Rafael Garcia, da Rádio Brasil Atual, Jaqueline analisa que, a partir de discursos como o do candidato a presidente pelo PSL, estejam sendo produzidas “patrulhas políticas e morais”. E que essa modalidade de censura amplia o temor e a insegurança dos cidadãos. “Hoje os inimigos são vermelhos, amanhã serão os amarelos, os verdes e os azuis”, diz em referência a criação de um “inimigo comum” colocada por Bolsonaro. “Até porque, a bandeira brasileira, com as suas cores, pertence aos 146 milhões de eleitores e a toda a população brasileira.”

“O líder não precisa mandar uma ordem direta, basta ele estimular, basta ele dizer que isso vai acontecer e todos aqueles, lá embaixo, começam a se animar em torno disso, acionando seus preconceitos, ódios, ressentimentos e recalques ali no cotidiano, criando milícias autônomas de ressentimento, de ódio e vingança”, observa a professora, que acrescenta às críticas contra o candidato da extrema-direita como a representação de um projeto pessoal que não permite a oposição e a civilidade.

Ouça a entrevista completa