sem precedentes

Debate em São Paulo mostra que juros engessam a economia do país

“Volume de recursos extraídos da economia por meio dos juros é escandaloso, e não encontra paralelo no mundo”, diz o economista Ladislau Dowbor, que estima em R$ 1 trilhão por ano a sangria financeira

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Dowbor, Florestan (no alto) e Jessé de Souza: debate será transmitido pela página da Escola de Contas na internet

São Paulo – “O volume de recursos extraídos da economia por meio dos juros é absolutamente escandaloso, e não encontra paralelo no mundo”, afirma o economista Ladislau Dowbor. Professor da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Dowbor inaugura nesta sexta-feira (9) o projeto Encontros na Escola de Contas. A captura do Estado pelo sistema financeiro será o tema do primeiro debate da série e contará com a presença do jornalista Florestan Fernandes Júnior e do sociólogo Jessé de Souza.

O encontro se realizará a partir das 16h no Auditório da Escola de Contas, na sede do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP), em Moema, zona sul da capital. Com fluxo das políticas neoliberais aplicadas a partir da década de 1980, os Estados, apesar de verem uma moderada ascensão econômica, adquiriram desequilíbrios, como o aumento das dívidas e o endividamento dos consumidores. Entretanto, para Dowbor, os números da dívida não representam um montante particularmente elevado, no caso brasileiro, mediante sua fatia no PIB nominal total, de R$ 6,26 trilhões em 2016, e o problema central está na questão dos juros.

“O estoque de dívidas de famílias e empresas em janeiro de 2017 era de R$ 3,07 trilhões, o que representa uma relação crédito sobre PIB de 48,7% (…) o montante não é elevado, pelo contrário, em comparação com outros países onde frequentemente ultrapassa os 100% do PIB. O escândalo está nos juros. Fazendo a média entre o crédito livre e o crédito direcionado, para pessoas e empresas, o Banco Central apresenta o juro médio de 32,8% (ao ano)”, afirma.

Logo, diz o professor, “o juro extraído do estoque de R$ 3,07 trilhões de dívida é de R$ 1 trilhão por ano. Trata-se do montante que famílias e empresas pagam com juros, e que deixa de se transformar em consumo ou em investimento pelo setor privado da economia. Isso representa 15% do PIB, apropriado pelo próprio sistema de intermediação financeira.”

O debate será transmitido pela página da Escola de Contas na internet. Para os interessados, também é possível fazer a inscrição para comparecer pessoalmente ao evento. Os temas abordados estarão presentes no próximo livro a ser publicado por Dowbor.