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Golpe

Economista e 'grilo falante' Ciro Gomes apontam erros

Ex-ministro criticou juros altos e nomeação de Joaquim Levy para tentar "cooptar a direita". Bresser-Pereira diz que Dilma "começou a cair" quando atacou setor financeiro
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 28/04/2017 07h42
Ex-ministro criticou juros altos e nomeação de Joaquim Levy para tentar "cooptar a direita". Bresser-Pereira diz que Dilma "começou a cair" quando atacou setor financeiro
Bruno Santos/Folhapress
Ciro

Ciro diz que é preciso ter humildade para reconhecer erros cometidos antes do impeachment

São Paulo – Ex-ministro e sempre incluído na lista de presidenciáveis, Ciro Gomes disse, ao falar no lançamento do Projeto Brasil Nação, ontem (27) à noite, que vem cumprindo "papel de grilo falante" e que "haverá o tempo do discurso agradável". Dito isto, afirmou que é preciso ter "humildade" para reconhecer erros cometidos antes do impeachment, ainda que o país esteja hoje sendo comandado por "golpistas, salafrários, quadrilheiros". Importante, agora, é combater "a tragédia socioeconômica que se abate sobre nosso povo".

Como parte de uma política de "pragmatismo, conciliação", como definiu, "fizemos taxa de juros de 14,25% e nomeamos o Levy (Joaquim Levy, ministro da Fazenda no segundo mandato de Dilma Rousseff) como esforço de cooptação da direita". Disse não estar propondo "uma guerra sectária", mas pediu inteligência, criticando "ciclos de consumo que não se sustentam". "A única coisa que é global é a ilusão consumista que está consumindo o planeta Terra."

Para Ciro, é preciso discutir "questões mais que compensatórias". Isso significa, acrescentou, "ampliar espaço para a massa de salários, a receita pública, um processo inclusivo de educação, o enfrentamento da miséria que nos envergonha". Ele foi um dos autores, desde "os rascunhos" do manifesto lançado ontem.

"Precisamos de argumentos", afirmou o economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, citando os cinco pontos do documento que tratam de medidas econômicas: regra fiscal "que permita a atuação contracíclica do gasto público" e garante prioridade à educação e à saúde, taxa de juros em nível menor, superávit na conta corrente, retomada do investimento público "em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade" e reforma tributária "que torne os impostos progressivos".

Segundo ele, o país vive em crise econômica desde 2014, agravada por outras crises, política e moral. Mas cresce pouco desde os anos 1980, sempre às voltas com juros altos e câmbio apreciado no longo prazo. "Queremos um Estado forte. O Estado é o nosso instrumento de ação política. Como vou ter um Estado forte se estiver quebrado?", questiona, criticando o teto imposto ao gasto público pelo governo Temer. "Aquilo não é política fiscal, é uma tentativa de reduzir o tamanho do Estado na violência total."

O argumento de que os juros altos vêm dos déficits fiscais não se sustenta, aponta o economista. "De 1999 a 2012, (o Brasil) cumpriu sua meta fiscal, mas os juros continuaram altíssimos." Esse é um ponto que teria contribuído para o afastamento da ex-presidenta, avalia: "A Dilma começou a cair quando reduziu os juros e atacou os bancos. Fez isso malfeito, mas efetivamente caiu quando atacou o adversário".