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Seade/Dieese: taxa de desemprego cede, clima de incerteza continua

'Como falar de pleno emprego com 1,225 milhão de desempregados em São Paulo?', diz analista
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 28/11/2012 12h34, última modificação 28/11/2012 14h30
'Como falar de pleno emprego com 1,225 milhão de desempregados em São Paulo?', diz analista

Linha de montagem de TVs na Zona Franca. Crescimento da ocupação dá sinais de que pode perder ritmo (©Alberto Cesar Araújo/Folhapress)

São Paulo – Mesmo com a atividade econômica menos intensa, a taxa de desemprego recua, ou pelo menos não aumenta, mas os atuais indicadores do mercado de trabalho mostram sinais de incerteza, analisa o coordenador de análise da Fundação Seade, Alexandre Loloian. A ocupação, inclusive a formal, continua crescendo, mas em níveis bem mais modestos.

Segundo ele, a região metropolitana de São Paulo teve “comportamento atípicos” de setembro para outubro quanto à população economicamente ativa (PEA) e ao nível de ocupação. A PEA, que normalmente cresce nesse período, pressionando o mercado de trabalho, quase não saiu do lugar (-0,3%), enquanto a ocupação ficou quase estável, com variação de 0,2%. O mesmo se deu no conjunto das sete regiões pesquisadas: PEA estável (menos 8 mil) e ocupação com variação de 0,4% (72 mil a mais). Com isso, o número estimado de desempregados caiu em 3,3% (menos 80 mil).

“Este é um período com oferta de emprego, há uma pressão das pessoas sobre o mercado de trabalho. Mas há uma situação de incerteza, insegurança. O mercado está dando sinais disso”, diz Loloian. “E há pessoas respeitáveis que falam em pleno emprego. Com 1,225 milhão de pessoas desempregadas só na região metropolitana de São Paulo?”, questiona. Desde 2006, a média de crescimento da ocupação entre setembro e outubro é de 1,2% – este ano, ficou em 0,2%.

No intervalo de 12 meses, até outubro, os números são um pouco melhores. A PEA cresce 3,2%, com 691 mil pessoas a mais nas sete regiões, enquanto a ocupação sobe 2,6%, o correspondente a 514 mil empregos criados, sendo 374 mil com carteira assinada (expansão de 3,9%). Mas como o número de vagas abertas não foi suficiente para absorver essa mão de obra, o número de desempregados aumentou 8,1% em relação a outubro de 2011. São 177 mil a mais nessa situação, para um total estimado em 2,365 milhões.

Apenas em São Paulo, a PEA sobe 3,7%, um acréscimo de 396 mil, enquanto a ocupação aumenta 2,5%, com 245 mil pessoas a mais. Pela primeira vez, a estimativa de ocupados superou os 10 milhões (10,016 milhões em outubro). O total de desempregados aumentou em 151 mil (crescimento de 14,15%), para 1,225 milhão.

Quase 90% dos 514 mil empregos criados em 12 meses nas sete regiões veio do setor de serviços: 450 mil, expansão de 4,1%, com destaque para as altas de Salvador (8,1%) e São Paulo (6,2%). O setor de comércio e reparação de veículos cresceu 1,7% (65 mil ocupados a mais), com altas de 10,6% em Fortaleza, 9,7% em Recife e 7,3% em Belo Horizonte. Na construção, o aumento foi de 2,6% (38 mil) – 20,7% em Recife e 10,6% no Distrito Federal. A indústria de transformação, que mostrou alguma reação no mês, caiu 0,8% ante outubro do ano passado, com perda de 24 mil postos de trabalho.

Estimado em R$ 1.546, o rendimento dos ocupados cresceu 1,4% no mês e 5% em 12 meses. A massa de rendimentos, indicador importante para o consumo, sobe 1,6% e 7,3%, respectivamente. “Com todo o crescimento da renda, ainda não recuperamos o poder de compra de 2000”, afirma Loloian, citando dados de São Paulo, onde a renda (R$ 1.719) sobe 9,3% em 12 meses. Mas ele observa que há outros itens não mensuráveis, como vales refeição e alimentação e participação nos lucros ou resultados (PLR).