Documentos históricos

Cinema revela a profundidade dos conflitos no Oriente Médio

Ao longo das últimas décadas, o cinema voltou as câmeras às injustiças da região, incluindo Israel e Palestina. Confira uma seleção essencial

Paradise Now/Divulgação
Paradise Now/Divulgação
Para ajudar a entender melhor o conflito, a RBA selecionou uma série de filmes

São Paulo – O conflito entre Israel e o Hamas já dura 20 dias. Desde então, são pelo menos 8 mil mortos. Destes, mais de 60% mulheres e crianças. Cerca de 2 mil crianças palestinas morreram. Mais de 50 mil mulheres grávidas vivem sem água, combustível ou energia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda calcula que, ao menos mil pessoas estão sob escombros. Os conflitos na região remontam a séculos de história, mas ganharam força desde a criação de Israel em maio de 1948. Desde então, os sionistas promovem a expulsão e humilhação dos árabes na região.

O cenário é complexo e envolve muitos fatores históricos. Para ajudar a entender melhor o conflito através das câmeras, a RBA selecionou uma série de filmes e documentários sobre a questão Palestina. Também estão na lista obras que tratam do pensamento do mundo árabe e judeu, que tangenciam conflitos no Oriente Médio. Algumas delas estão disponíveis gratuitamente no YouTube. Estes estarão com link no texto.

Cinema de conflito

Paradise Now, 2005, de Hany Abu-Assad: Talvez a obra mais conhecida do cinema sobre a questão palestina. O diretor apresenta argumentos sensíveis que levam dois jovens a cogitar uma missão suicida. Rodado na Palestina, o filme atemporal integrou grandes festivais e recebeu inúmeros prêmios.

Incêndios, 2010, de Denis Villaneuve: Uma obra prima do diretor canadense que apresenta texto lendário do teatro de Wajdi Mouwad. Trata-se de drama familiar ambientado em cenário bélico, de crise, que apresenta os horrores mais profundos dos conflitos no Oriente Médio.

O Limoeiro, 2008, de Eran Riklis: Inspirado em eventos reais, o filme narra a vida de uma viúva palestina que reside na fronteira entre Israel e a Cisjordânia, sustentando-se por meio do cultivo de limoeiros. Sua vida sofre uma transformação radical quando o Ministro da Defesa de Israel se muda para a casa vizinha.

Checkpoint, 2003, de Yoav Shamir: Aqui, o cinema retrata a rotina de humilhação e violações dos direitos básicos dos palestinos que vivem sob o regime de apartheid imposto por Israel. A obra foi registrada nos postos de controle administrados por Israel, onde ocorrem contínuas afrontas à dignidade humana.

No YouTube

Al Nakba, 1997, de Benny Brunner e Alexandra Jansse: A obra em dois episódios, produzida pela TV Al Jazeera, revisita as raízes de Al Nakba, também conhecida como a ‘catástrofe palestina’, que ocorreu após o estabelecimento do Estado de Israel em 1948. O documentário expõe os atos de abuso e violência perpetrados durante o processo de expulsão dos palestinos.

Budrus, 2009, de Julia Bacha: Em 2003, quando o governo israelense decide erguer uma barreira entre Israel e a Palestina, a vila palestina de Budrus torna-se o principal palco de manifestações. O muro atravessaria o vilarejo, destruindo os campos e separando famílias.

Mais obras

Omar, 2013, de Hany Abu-Assad: Drama dirigido por Hany Abu-Assad indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014, pela Palestina. Acompanha a história de Omar (Adam Bakri), dois amigos de infância, e Nadia, enquanto todos lutam, à sua maneira, por liberdade na Cisjordânia ocupada.

A 200 metros, 2020, de Ameen Nayfeh: Indicação da Jordânia para o Oscar 2021, o longa retrata a jornada de Mustafa, interpretado por Ali Suliman, um pai que mora a 200 metros de distância de sua família, separados pelo muro que divide Cisjordânia e Israel.

Gaza, 2019, de Garry Keane e Andrew McConnell: Gaza nos leva a um lugar único fora do alcance das reportagens da televisão para revelar um mundo rico em personagens eloquentes e resilientes, oferecendo-nos um retrato cinematográfico e enriquecedor de um povo que tenta levar uma vida significativa contra os escombros de um conflito perene.

3.000 Noites, 2015, de Mai Masri: Layla, uma jovem professora palestina é levada à cadeia após ser acusada falsamente e condenada a 8 anos de prisão. É transferida para presídio feminino de segurança máxima em Israel onde se depara com um ambiente aterrorizante no qual presos políticos palestinos dividem a cela com os presos israelenses.

Com informações do Instituto da Cultura Árabe (ICA)


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