Abuso policial

Em nova perseguição, dois moradores da Ocupação Mauá são presos

“Perseguição precisa ter um fim”, dizem advogados, que pedem a libertação imediata dos detidos por “gato” na rede elétrica. Eles também acusam omissão da concessionárias de energia, que se recusam a regularizar o fornecimento nas ocupações

Reprodução/TVT
Policiais foram investigar denúncias de furto de celular, mas acabarem prendendo moradores por "gato" na rede elétrica

São Paulo – Dois moradores da Ocupação Mauá, na região da Luz, centro de São Paulo, foram presos na noite desta quinta-feira (25). Silmara Congo da Costa, 49 anos, coordenadora da ocupação, e Adriano Alves da Silva, 41, morador da mesma ocupação, foram detidos, acusados de furto de energia elétrica. Os moradores, contudo, relatam abuso e perseguição, já que a acusação foi utilizada como pretexto por dois investigadores da Polícia Civil.

Os policiais teriam ido averiguar denúncia de que um estacionamento ao lado da Ocupação Mauá estaria sendo usado como “rota de fuga” para furtadores de celular que atuam na região.

De acordo com Ivaneti Araújo, a Neti, liderança do movimento de moradia que foi levada à delegacia como testemunha, ao verem que o estacionamento não poderia servir como rota de fuga, os investigadores passaram a procurar outras irregularidades no local.

Além disso, como a pena para o suposto roubo qualificado de energia ultrapassa os quatro de prisão, não houve a possibilidade de encaminhar a fiança dos acusados.

Lutar não é crime

De acordo com Benedito Barbosa, o Dito, advogado do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos e um dos coordenadores da União dos Movimentos de Moradia (UMM), a detenção é um “completo absurdo”.

“Estas prisões se inserem num contexto de constante perseguição aos Sem Teto, que vêm sofrendo um sistemático processo de criminalização”, afirmou o advogado, em nota. O documento, que pede a liberdade imediata dois dois detidos, também é assinado pela advogada Vivian Mendes, integrante do Conselho Nacional de Direitos Humanos.

“Todos estão cansados de saber que nas Ocupações, por pura omissão das concessionárias não há energia regular. Agora vão prender todo mundo? Como ficar sem luz na pandemia? Como morar num prédio de mais de 20 andares sem energia?”, afirmam os defensores, que denunciam a descaso do Poder Público.

Mais um capítulo

Esse foi o segundo episódio de perseguição policial em menos de uma semana. No último sábado (20), os moradores foram alvo de outra operação ostensiva e abusiva da Polícia Militar. Com forte aparato policial, incluindo cães, e sem mandado judicial, os policiais realizaram uma batida na ocupação. O pretexto, dessa vez, foram denúncias de existência de drogas no edifício. Por outro lado, os moradores denunciaram que as câmeras de segurança do local foram desativadas pelos policiais. Uma mulher grávida chegou a ser detida.


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