Pobreza

População de rua em Santos cresceu 71% em 10 anos, e 61% são negros

Dados parciais de censo prefeitura/Unifesp mostram que a maioria está no trabalho informal, principalmente em reciclagem

Rogério Bomfim/Pref. Santos
Quase 30% moram na rua de um ano a quatro anos e 11 meses; 17,5%, de 10 a 20 anos

São Paulo – Dados parciais de um censo sobre a população de rua em Santos, no litoral sul paulista, apontou a presença de 868 pessoas nessa situação. Desse universo, 61,4% tinham cor parda ou preta, 81,9% eram homens. Em relação a 2009, houve crescimento de 71,2% no número de moradores de rua. A maior parte deles (48,4%) tem de 40 a 59 anos. Os que têm de 25 a 39 anos representam 37,1% do total. Eram 46,7% que se declaravam pardos e 14,7%, pretos, totalizando 61,4%, ante 30% de brancos. Praticamente um terço (32%) fica na região central. E a maioria (59,7%) é paulista, sendo 38,2% nascidos em Santos.

O Relatório Parcial do Censo da População de Rua da cidade de Santos foi divulgado neste mês – com base em levantamento feito no ano passado – pela Secretaria de Desenvolvimento Social da prefeitura e pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), campus Baixada. Segundo a instituição de ensino, os dados foram coletados em pontos de pernoite “previamente identificados”.

O censo indica que os moradores de rua trabalham no setor informal, sendo 54,16% em atividades de reciclagem. Outros 15,57% são flanelinhas ou guardadores de carro, enquanto 14,29% são ajudantes em feiras livres.

Políticas públicas

Entre os motivos para viver na rua, estão, simultaneamente, conflitos familiares (46,5%), desemprego (37,1%), uso abusivo de álcool e drogas (32,4%) e perda de moradia (14,1%). Quase 30% (29,9%) estão nessa situação de um ano a quatro anos e 11 meses. Significativos 17,5% de 10 a 20 anos, e 6,6% há mais de 20.

Os resultados obtidos devem ajudar a desenvolver políticas públicas, mas os responsáveis pelo censo observam que o estudo tem limitações. “É uma fotografia de uma noite, sujeito a intempéries do tempo, do tipo de abordagem, do aceite em participar, dos deslocamentos, da dinâmica do território, da vida que pulsa na cidade”, afirmam. Segundo o levantamento, 469 dos 868 aceitaram a abordagem.

Confira aqui a íntegra do relatório.