visibilidade

‘Da Rua Pra Rua’: histórias reais sobre lugares onde mídia e poder não chegam

Programa exibido pela TVT dá visibilidade a comunidades periféricas, seus problemas cotidianos e soluções que a população se vira para encontrar

Juliana Marotta
Entre os 25 mil moradores de rua estimados para a cidade de São Paulo, mil são crianças

São Paulo – O programa Da Rua Pra Rua, produzido pelo coletivo de mesmo nome e exibido na Rede TVT (clique para conhecer) toda quinta-feira às 18h, chega a sua sexta edição nesta quinta (26). O episódio dá voz a pessoas sem-teto da região central da capital. Entre elas, Jenifer Pereira, que vende bala para conseguir sustento para a filha, relata a dificuldade de conseguir um emprego e sua vontade de abrir um salão de beleza – agora também bloqueada pela pandemia do coronavírus. E o jovem Marcos, que conta como é a vida na rua, depois de ter sido foi expulso de casa por ser homossexual e não ser aceito pela família.

Esses e outros casos da vida em situação de rua são um fragmento de uma história diariamente vivida por 200 mil pessoa em todo o Brasil. “Aqui em São Paulo, a maior e mais rica cidade da América Latina, das 25 mil pessoas vivendo nessa situação, mil são crianças”, dizem os apresentadores e MCs Bux THB e Kaneda Asfixia.

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Com a proposta de abordar o dia a dia das periferias de São Paulo e do Brasil, as reportagens do programa Da Rua Pra Rua têm a missão de dar visibilidade às comunidades e coletivos culturais marginalizados. Retratam casos urgentes, problemas cotidianos e soluções encontradas localmente pela população. Isso porque a atenção do poder público e da mídia tradicional raramente chegam lá – a não ser com o objetivo de transformar problemas sociais e dramas familiares em espetáculo.

Assista ao Da Rua pra Rua

Com uma linguagem direta, lidando com a seriedade dessas realidades, o programa traz a cultura e a poesia como fio condutor para descrever a situação em cada “quebrada”. A equipe do programa está organizando uma vaquinha virtual para contribuir com essas famílias que hoje se encontram nas ruas. Para ajudar, o acesso ao site é clicando aqui.

O Da Rua Pra Rua é produzido de forma independente. Pela parceria com a TVT, o programa pode ser vista em TV aberta pelo canal digital 44.1 (Grande São Paulo) toda quinta, às 18h.

E você pode apoiar as produções e acompanhar todos os episódios também pelo canal do coletivo no YouTube e nas redes sociais @daruapraruatv. confira a trilha sonora dos episódios pela Rádio H2Brasil e as histórias aqui pela RBA.

Outros episódios

Primeiro episódio da série mostra a zona sul de São Paulo, Americanópolis, Vila Clara, dialogando com a família de Guilherme Silva Guedes, assassinado em junho de 2020 por um sargento e um ex-PM. Reflexões junto aos coletivos Calundu (Filipe Fontes), Atitude (Anderson John e Nayara Zabelê), o ator e apresentador Lucas Koka e o MC Lenego

Segundo episódio: no Parque Bristol e Jardim São Savério, dialogando com moradores, vizinhos e familiares de Rogério Ferreira da Silva Júnior e Igor Rocha, assassinados em 2020 por PMs já conhecidos nos bairros. Assim como com os coletivos Perifarividade, o grupo de rap Pânico Brutal e articuladores da Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio.

Terceiro episódio da série visita é comunidade Igrejinha, no Jardim São Savério, zona sul de São Paulo. Retrata o cotidiano de quem vive na ocupação, dos artistas da região. E reflete como é urgente olhar para a moradia principalmente nas grandes cidades do Brasil.

Quarto episódio: Jaraguá é Guarani, Território Indígena Jaraguá, a 20 quilômetros do centro de São Paulo. As lideranças Mbya Guarani falam sobre o dia a dia das 6 Tekoas locais, suas histórias e suas lutas diárias.

Quinto episódio da série vai à favela do Real Parque, espremida entre os bairros mais ricos da zona sul de São Paulo. Uma conexão entre o futebol de várzea, cultura hip hop e a história dessa comunidade que já foi uma aldeia indígena. E que hoje sofre com a especulação imobiliária