Home Cidadania PMs tentam apreender imagens de fotógrafo que cobria ato contra violência policial em Paraisópolis 
Intimidação

PMs tentam apreender imagens de fotógrafo que cobria ato contra violência policial em Paraisópolis 

Profissional da Ponte Jornalismo foi abordado e teve imagens exigidas por agentes da corporação. Daniel Arroyo só foi liberado após presidente do Condepe informar o próprio número de telefone aos PMs
Publicado por Clara Assunção
14:47
Compartilhar:   
DANIEL ARROYO/MÍDIA NINJA

"Eles queriam meu telefone e minhas imagens", contou o fotógrafo à Ponte. Presidente do Condepe disse que ação da PM era tentativa de cercear liberdade de imprensa

São Paulo – Em protesto contra a violência policial na noite deste domingo (1º), em Paraisópolis, zona sul da cidade de São Paulo, policiais militares tentaram apreender as imagens do fotógrafo da Ponte Jornalismo Daniel Arroyo. O profissional cobria o ato realizado pelos moradores após a morte de nove jovens pisoteados e dezenas de feridos em decorrência da atuação da PM em um baile funk da comunidade na madrugada do domingo.

O fotógrafo acompanhava a manifestação, quando parou para fazer imagens de uma abordagem policial a um motociclista. De acordo com o relato de Arroyo à Ponte, o enquadro estava sendo feito conforme as prerrogativas, mas parte do ato que caminhava voltou e, nesse momento, uns garotos jogaram uma bombinha na base da corporação. O fotógrafo, que observava a cena com a câmera, foi imediatamente interpelado pelos policiais, que passaram a exigir a entrega das imagens e de seu documento.

No vídeo divulgado pelo veículo é possível ouvir os PMs alegando que poderiam “precisar das fotos”. Ao que o fotógrafo respondeu que seria “tranquilo”, mas que acreditava que a Justiça que precisaria fazer tal pedido. Ainda assim, os agentes apanharam a identificação e continuaram exigindo um contato telefônico de Arroyo, questionando-o ainda sobre a exibição das imagens do protesto e do momento em que a bombinha foi atirada em direção à base. “Falei que ia passar tudo nos vídeos que faria, tanto cenas do protesto como aquela situação. Eles queriam meu telefone e minhas imagens”, contou o profissional à Ponte.

Com o documento do fotógrafo, que desde o início da abordagem se identificou como jornalista, os policiais oficializaram uma consulta ao sistema online da corporação com os dados de Arroyo. A ação dos PMs só foi encerrada quando o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe), o advogado Dimitri Sales, passou seu contato telefônico aos agentes. De acordo com Dimitri, aquela era uma abordagem que cerceava a liberdade de imprensa.

A Ponte questionou a Secretaria de Segurança Pública sobre a ação, mas a pasta não se manifestou oficialmente.