POLÍTICA E FOGÃO

Chef Bel Coelho mostra que comer é um ato político e combater o desperdício é o desafio

“Mesmo quem não cozinha também está de alguma forma, no que escolhe, em um ato político”, afirma, ao participar do "Entre Vistas", na TVT, que vai ao ar nesta quinta

Ricardo Stuckert
O lixo e o desperdício era o que mais incomodava Bel Coelho e o que a levou a escolher a profissão. Ela começou a atuar como chef de cozinha há 15 anos

São Paulo – Cozinhar e se alimentar são atos políticos que podem despertar a consciência para a importância de se evitar, ou ao menos reduzir, o lixo e o desperdício. É o que defende a chef de cozinha Bel Coelho, entrevistada do jornalista Juca Kfouri no programa Entre Vistas, que vai ao ar na noite desta quinta-feira (26), na TVT.

“Mesmo quem não cozinha também está de alguma forma, no que escolhe, em um ato político. Ter a consciência de onde vem o alimento também é um ato político”, afirma a chef, que participa do programa ao lado de Katarine Flor da Costa, editora do Brasil de Fato, e Ana Massochi, argentina que desembarcou no Brasil em 1980, fugindo da ditadura naquele país, e se tornou especialista em gastronomia e dona de restaurante.

O lixo e o desperdício era o que mais incomodava Bel Coelho. Foi o que a levou a escolher a profissão. Ela começou a atuar como chefe de cozinha há 15 anos. Conta que passou a se preocupar com a terra e o produtor. “Eu fiz uma viagem pelo país gravando um programa chamado Receita de Viagem”, afirma, sobre a oportunidade que teve de conhecer produtores e cozinheiros locais pelo país.

Diversidade

“Eu passei a conhecer a terra mesmo, e as dificuldades que um produtor tem de escoar esses alimentos. E também passei a me apaixonar cada vez mais pelo que é nosso, pelo que é nativo, pela cultura”, diz a chef, sobre a importância de conhecer a cadeia produtiva dos alimentos. Bel Coelho é autora de menu baseado nos biomas brasileiros. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existem cerca de 30 mil plantas que podem ser consumidas como alimentos. A diversidade é grande, mas o agronegócio padroniza os alimentos e o acesso acaba sendo a uma variedade restrita.

Ela diz que o agronegócio também condiciona o consumidor a comer alimentos que tenham mais durabilidade do que os regionais. A solução para ter mais diversidade passaria pela tecnologia, defende a chef. “O congelamento não é necessariamente uma coisa ruim, quando é bem feito, ele mantém as propriedades dos alimentos”, afirma. Segundo Bel, o menu dos biomas visa a estimular as pessoas a conhecer esses produtos regionais, criar repertório de receitas, resgatar histórias e estimular os pequenos produtores a voltar a produzir, “porque isso mantém a floresta em pé. Você consegue produzir pitanga e jabuticaba com a floresta em pé”.

No programa, Bel Coelho comenta também sobre a influência que os programas de televisão têm sobre a profissão de chef de cozinha. “A profissão foi se glamorizando, e os reality shows são consequência disso, e são positivos para que as pessoas se interessem mais por cozinha.”

Confira o  Entre Vistas na TVT: