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Acidentes em rodovias federais ficam mais graves em 2019

Justiça homologou acordo para reverter decisão de Bolsonaro de eliminar radares em rodovias federais
Publicado por Rodrigo Gomes, da RBA
16:47
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Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress

Apesar de queda no número de acidentes, gravidade das ocorrências faz com que mortes sigam em alta

São Paulo – Os acidentes em rodovias federais de todo o país seguiram a tendência de queda dos últimos anos e caíram 10,3% nos primeiros seis meses deste ano, comparado com igual período de 2018. No entanto, a gravidade dos acidentes de trânsito aumentou. Com isso, apesar de terem ocorrido 3.653 acidentes a menos do que no ano anterior, o número de mortes pouco mudou: foram 2.548 no primeiro semestre de 2018 e 2.520 até 30 de junho deste ano. Também foram registradas 226 pessoas feridas a mais do que no ano passado. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

No total, foram 32.068 acidentes em rodovias no primeiro semestre deste ano, ante 35.721 em 2018. No entanto, a proporção que era de uma morte em cada 15 acidentes passou a uma para cada 13. Entre as principais causas de acidentes estão a falta de atenção (que inclui o uso do celular), com 11.736 casos. Depois vem o excesso de velocidade, com 2.843 acidentes, e não manter distância do veículo à frente, com 2.040.

“O que é possível observar é que as ocorrências têm se tornado mais violentas, a despeito da evolução no quesito segurança que os veículos nacionais tiveram a partir de 2014 com a obrigatoriedade dos freios ABS e airbags. Quando falamos da violência dos acidentes, quase sempre a velocidade é um dos fatores de riscos identificados”, observa o gerente técnico do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), Renato Campestrini.

Os dados de acidentes em rodovias compilados pela PRF estão inseridos no contexto das declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que defende a extinção dos radares de fiscalização e lombadas eletrônicas. O chefe do Executivo considera que a fiscalização limita o “prazer de dirigir”. Em março deste ano, Bolsonaro mandou suspender um processo de instalação de 8 mil novos radares em rodovias federais. “Sabemos que a grande maioria destes tem o único intuito de retomo financeiro ao Estado”, afirmou.

Radar, autoescola e carteira

O Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), no entanto, desmente o presidente e aponta redução de aproximadamente 25% dos acidentes em rodovias que possuem os equipamentos do tipo fixo instalados. Bolsonaro também já defendeu o fim das autoescolas e o aumento do limite de pontos para a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

“Uma análise dos dados da Policia Rodoviária Federal mostra o quanto os condutores aceleram em locais que não possuem equipamentos medidores de velocidade do tipo fixo e a fiscalização se dá com equipamentos portáteis ou estáticos. Desativar a fiscalização eletrônica de velocidade, do ponto de vista da segurança viária não é uma boa medida.  O ideal é que os pontos atuais fossem reavaliados em relação ao cumprimento das normas e formalidades previstas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para aí então se posicionar pela manutenção, readequação ou retirada”, explica Campestrini.

Ontem (30), a juíza federal Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal em Brasília, homologou acordo entre o Dnit e o Ministério Público Federal (MPF) prevendo a instalação de 1.140 novos radares para monitorar 2.278 faixas de rodovias federais não concedidas à iniciativa privada. O acordo foi desenvolvido a partir de ação popular movida pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). O governo Bolsonaro tem dois meses para apresentar estudos técnicos e instalar os radares em pontos de risco considerado médio, alto e muito alto, em áreas urbanas, e alto e muito alto, em zonas rurais.