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Incêndio no Museu Nacional pode ter consumido peças de milhões de anos

Museu conservava coleções de arqueologia e paleontologia que estavam entre as mais importantes do continente americano; dentre as peças, Luzia, o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil

Divulgação/Museu Nacional
Luzia Museu Nacional

Incêndio no Museu Nacional pode ter decretado a segunda morte de Luzia, fóssil com mais de 11 mil anos

São Paulo – O Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é o museu mais antigo do país e uma das suas instituições científicas mais importantes. Suas mais de 20 milhões de peças, obras de arte e documentos compunham o quinto maior acervo do mundo, com coleções voltadas para a arqueologia, botânica, geologia e paleontologia, dentre outras áreas. 

Entre as peças de inestimável valor histórico que provavelmente foram consumidas pelo incêndio ocorrido na noite deste domingo está o fóssil humano mais antigo descoberto no Brasil. Encontrado, em Minas Gerais, na década de 1974, pela arqueóloga francesa Annette Laming-Emperaire e batizado de Luzia, estima-se que o fóssil tenha cerca de 11.300 anos. 

Outro marco importante da paleontologia era o esqueleto reconstruído de  Angaturama Limai, o maior dinossauro carnívoro já encontrado no país, que datava de 110 milhões de anos atrás. A Sala dos Dinossauros também trazia o Maxakalisaurus topai, o primeiro esqueleto de dinossauro de grande porte reconstituído no no Brasil. A coleção paleontológica do Museu Nacional totalizava 56 mil exemplares e 18,9 mil registros, configurando umas das mais importantes coleções do tipo da América Latina. 

De todo o conjunto de peças do Museu, apenas 1% das obras estavam expostas ao público, o que simboliza, de um lado, a falta de recursos necessários para exibir parcela maior do acervo, mas também denota a riqueza dos seus arquivos. O Museu Nacional guardava ainda a maior e mais antiga coleção de arqueologia egípcia da América Latina. O Caixão de Sha-amun-em-su, recebida como presente por Dom Pedro 2º, em visita ao Egito em 1876, era uma das peças que mais atraia a atenção do público. 

O Museu Nacional guardava uma valiosa coleção de arqueologia clássica, com vasos etruscos e gregos, considerada uma das maiores do continente. Artefatos de civilizações africanas e ameríndias compunham o acervo, como objetos raros do povo amazônico Tikuna, e o trono do rei africano Adandozan (1718-1818), doado pelos embaixadores do rei de Daomé ao príncipe regente Dom João 6º, em 1811.

Na geologia, o destaque era o meteorito Bendegó, encontrado em em 1794 no município de Monte Santo, na Bahia. Com mais de 5 toneladas de metal, a expectativa é que o achado geológico possa ter sobrevivido ao calor das chamas. 

Com informações da DW Brasil