semana de luta

Indígenas acampam em Brasília para denunciar ‘maior ofensiva dos últimos 30 anos’

Acampamento Terra Livre reune cerca de 3 mil indígenas na Esplanada dos Ministérios para protestar contra retrocessos em direitos dos povos originários do país

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Alta adesão dos povos no acampamento é motivado pelo ano ‘atípico’ de diversos ataques aos seus direitos

São Paulo – Cerca de 3 mil indígenas de todo o país estão em Brasília onde participam  do Acampamento Terra Livre (ATL), até a próxima sexta-feira (28). Eles denunciam a “maior ofensiva contra os direitos dos povos originários nos últimos 30 anos”.

Reunidos desde ontem (24) na capital federal, eles debaterão e levarão ao público a paralisação das demarcações de terras indígenas; o enfraquecimento das instituições e das políticas públicas indigenistas; e as iniciativas legislativas anti-indígenas que tramitam no Congresso. 

Segundo Marcos Xukuru, cacique geral da aldeia Xukuru, a alta adesão dos povos ao acampamento é motivado pelo ano “atípico”, de diversos ataques aos seus direitos. “Nossos irmãos tiveram que sair do seu território para trazer o grito de quem não pôde vir”, disse o cacique à Rádio Brasil Atual.

Na tarde de hoje (25), os indígenas realizam uma marcha pela Esplanada dos Ministérios e protestamr em frente ao Congresso contra os retrocessos em seus direitos, previstos em vários projetos em tramitação.

Marcos Xukuru conta que as políticas indígenas do governo Temer estão paralisadas e nenhuma portaria foi publicada desde sua posse. Além disso, ele afirma que a mobilização visa também pressionar o Judiciário, onde estão parados vários processos de interesse dos povos originais do país. 

Ele também critica os parlamentares. Segundo ele, há cerca de 180 medidas tramitando no Congresso Nacional que são “retrocessos de direitos constitucionais garantidos”, entre elas a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215, que pretende transferir a competência das demarcações e titulações de terras indígenas e quilombolas do Executivo para o Legislativo.

A maioria do Congresso é financiada pelo agronegócio e, infelizmente, representam os interesses de empresários, não da nação brasileira”, afirma.

Segundo o cronograma do acampamento, estão previstas marchas, atos públicos, audiências com autoridades dos Três Poderes, debates, palestras, grupos de discussão e atividades culturais. O ATL 2017 é promovido pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), com apoio de organizações indígenas, indigenistas, da sociedade civil e de movimentos sociais.

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