homofobia

A cada 29 horas, uma pessoa LGBT morre no Brasil vitimada por crime de ódio

Coletivos LGBTs denunciam que, apesar do número elevado de casos, governo Temer desarticulou órgãos oficiais que elaboravam políticas públicas voltadas ao combate ao preconceito

reprodução/TVT
homofobia

Números são apenas “a ponta do iceberg”, já que maioria dos casos de violência não é divulgada

São Paulo – De acordo com o último balanço do Grupo Gay da Bahia (GGB), de janeiro a julho 173 pessoas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais foram vítimas de crime de ódio no Brasil, o equivalente a uma morte a cada 29 horas. O GGB é a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais e, desde a década de 1980, faz balanço dos crimes homofóbicos noticiados na mídia e denunciados à instituição.

“Estamos falando de uma pequena parte, da ponta de um iceberg”, afirma Phamela Godoy, do coletivo LGBTs pela Democracia, em entrevista à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal, da TVT. Ela ressalta que nem todos os casos desse tipo de violência são noticiados.

Coletivos LGBTs denunciam que, mesmo com essa violência alarmante, o governo interino de Michel Temer desarticulou os organismos oficiais que elaboravam políticas públicas para o setor.

“Desde o golpe, a Coordenação Nacional de Políticas LGBT, conquista do movimento social ainda no governo Lula, está vazia. A Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH), que era uma reivindicação importantíssima dos movimentos de direitos humanos, não só dos LGBTs, sumiu”, denuncia Phamela. O governo interino retirou autonomia da SDH, que passou a integrar a estrutura do Ministério da Justiça.

coordenador de políticas LGBT da prefeitura de São Paulo, Alessandro Melchior, afirma que esses números, mesmo subdimensionados, já colocam o Brasil como o país que mais mata essa população, em todo o mundo, superando inclusive países que ainda criminalizam a homossexualidade.

Segundo o relatório, dois terços dos crimes ocorreram em vias públicas, e São Paulo foi o estado que mais registrou casos: 26. Na capital paulista, contudo, os casos de violência homofóbica registrados diminuíram nos últimos três anos, após a ampliação dos serviços de atendimento à população LGBT.

Alessandro destaca a criação dos centros de cidadania LGBTs, que oferecem auxílio jurídico e psicológico às vítimas de violência, e outras ações de melhoria dos espaços públicos explicam a queda.

Para combater essa violência, os movimentos LGBTs lutam há anos pela criminalização da homofobia. “Nós temos, há anos, projeto de lei tramitando no Congresso e que não passa em função de uma bancada puramente conservadora”, frisa Phamela.

“A gente entende que nossa primeira luta agora é a resistência contra o golpe, porque num país onde não se tem a democracia respeitada não tem como se discutir direitos sexuais, direitos civis e sociais”, afirma.