São Paulo

Cortejo Afro reivindica inclusão da população negra no mercado de trabalho

Na semana da Consciência Negra, o Sindicato dos Bancários de São Paulo realiza cortejo afro-brasileiro pelo centro da capital. Atividade homenageou Zumbi dos Palmares e o Orixá Ogum, do candomblé

Camila de Oliveira/Sindicato dos Bancários
cortejo afro

Cortejo Afro em homenagem a Ogum e a Zumbi dos Palmares teve balé afro com representações e Orixás

São Paulo – Como atividade da semana de Consciência Negra, o Sindicato dos Bancários de São Paulo promoveu hoje (22) um cortejo afro-brasileiro para evidenciar a baixa participação do negro no mercado de trabalho e reivindicar políticas públicas governamentais para sua inclusão nos diferentes setores da sociedade. O Cortejo Afro está na 13ª edição e desfilou pelas ruas do centro da capital paulista no início da tarde.

De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, 8.916 negros foram admitidos em bancos públicos e privados no Brasil no ano de 2012. O número representa uma porcentagem de 28,9% do total de trabalhadores bancários que passaram a exercer a função no ano passado. Os outros 71,1% são brancos.

O coordenador do Coletivo Racial de Combate ao Racismo do Sindicato dos Bancários, Júlio César Santos, explica que a desigualdade presente nos mercado de trabalho precisa ser combatida. “Ainda há hoje a visão predominante do negro como não adequado para os ambientes de trabalho que exigem maior escolaridade ou que trabalham a questão da aparência. Mesmo os negros com elevado grau de escolaridade têm dificuldade para ingressar no mercado de trabalho.”

Segundo a secretária-geral do sindicato, Raquel Kacelnikas, a entidade realizou um levantamento entre as agências filiadas e constatou que apenas 19% dos funcionários são negros e pardos. Destes, só 2,3% têm a pele preta. “Quando nós fazemos esse trabalho, nós temos o objetivo de dialogar com a nossa própria categoria, com a população nas ruas e queremos reforçar a discussão sobre a presença do negro no mercado de trabalho na mesa de negociação.” Para Raquel, a pauta racial e a inclusão do negro nas agências bancárias deve ser tratada como questão permanente nas negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

A celebração homenageou três personalidades negras: o líder quilombola Zumbi dos Palmares, que lutou pela libertação dos negros escravos no Brasil, a vereadora negra da cidade de São Paulo Claudete Alves e o Orixá do candomblé Ogum, marcado pela luta, batalha e resistência. Além disso, ela foi conduzida pelo grupo de percussão e balé afro Filhos de Mãe Preta e pela cantora negra Adriana Moreira.

“O cortejo é maravilhoso. As pessoas que passam pela rua se juntam a ele e cantam as cantigas conosco”, conta Adriana. Apesar disso, a cantora reforça que ainda há uma imagem negativa que envolve as religiões e cultura de matriz afrodescendente. “Nós estamos simplesmente pedindo permissão para cantar aquilo que é da nossa cultura. Por que as pessoas podem cantar seus hinos, seus salmos e nós não podemos cantar nossa música? Por que ela é negra?”, questiona.

A intolerância religiosa, para Adriana, é um dos inúmeros preconceitos e visões equivocadas que são socialmente difundidos no Brasil. Ela argumenta que é preciso criar um movimento de aceitação do negro e respeito às tradições afro. “O filho pequeno ouve os pais criticarem a cultura africana, o cabelo do negro e a religiosidade. Nós precisamos nos impor como negros.”

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