Ditadura

Comissão da Verdade pedirá ao Ministério do Trabalho dados de sindicalistas perseguidos

Coordenadora da CNV se comprometeu a requisitar 'pessoalmente' acesso aos arquivos do ministério ao titular da pasta, Manoel Dias

CUT
cnv_solaney.jpg

Rosa Cardoso (esquerda) se comprometeu a apurar a colaboração de empresas para a repressão

São Paulo – A coordenadora da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Rosa Cardoso, vai solicitar ao ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, uma lista completa de todos os sindicatos, sindicalistas e trabalhadores perseguidos pela ditadura (1964-1985). O compromisso foi firmado pela comissionada junto a representantes de cinco centrais em reunião realizada na tarde de hoje (11) no escritório da Presidência da República em São Paulo.

De acordo com o secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, que participou do encontro, pesquisadores da história sindical brasileira afirmam que o Ministério do Trabalho e Emprego possui vasta documentação sobre a repressão aos trabalhadores durante o regime. “Era o ministério que destituía direções democraticamente eleitas nos sindicatos e constituía direções interventoras”, lembra. “Eles certamente possuem esses dados.”

Solaney relata que a CNV também vai requisitar a Manoel Dias informações detalhadas sobre quantos e quais dirigentes sindicais foram presos logo após o golpe ou cassados pelo governo militar. Além disso, a ideia é que se saiba quais empresas tiveram conexões com a repressão. A busca de informações nos arquivos do ministério será uma das prioridades do Grupo de Trabalho da CNV que se dedica a investigar a repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical, liderado pela própria Rosa Cardoso.

Outra frente de atuação prioritária debruçará sobre os documentos da Comissão de Anistia. “Vamos fazer um levantamento de todas as solicitações de pedido de anistia e reparação política, moral e financeira para saber quantos trabalhadores se consideram vítimas do regime”, continua o secretário da CUT. A assessoria de imprensa da CNV explica que os dados já sistematizados pela Comissão de Anistia, criada em 2001, deverão ajudar a responder às onze perguntas que guiam as atividades do Grupo de Trabalho sindical.

Além da CUT, representantes de Força Sindical, CGTB, Intersindical e Conlutas participaram da reunião de hoje com Rosa Cardoso. Foi a terceira vez que dirigentes sindicais dialogaram com a integrante da CNV desde abril, quando o grupo de trabalho foi instituído. O próximo encontro está marcado para 24 de junho.