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Movimento denuncia genocídio de população negra e pobre em São Paulo nesta 3ª

por suzanavier publicado 05/07/2010 16h36, última modificação 05/07/2010 17h35

São Paulo - Um dossiê com relatos de torturas e assassinatos de jovens negros e pobres pela Polícia Militar do estado de São Paulo será entregue nesta terça-feira (6), pelos Movimentos Negros e Sociais de São Paulo ao Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Arquidiocese de São Paulo e ao governo do estado de São Paulo. A iniciativa é chamada de "Dia de denúncia do genocídio da população negra e pobre de São Paulo".

No documento, os militantes também pedem o afastamento do Secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, e do comandante geral da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, além de explicação quanto a violência sistemática da PM contra a juventude negra.

"Entendemos que essa é uma política de estado, de matar a juventude negra", acusa Milton Barbosa, do Movimento Negro Unificado, em entrevista à Rede Brasil Atual. "Eles estão numa ação (sic) de extermínio da juventude negra, torturando, batendo, aquelas coisas que toda a sociedade já conhece", descreve.

Em novembro do ano passado, representantes do movimento negro paulista já haviam denunciado violações de direitos humanos por parte da PM de São Paulo à Secretaria de Justiça e Cidadania, Ministério Público, Procuradoria Geral de Justiça, Defensoria Pública e Assembleia Legislativa.

Em nota, a União de Núcleos de Educação Popular para Negros e Classe Trabalhadora (Uneafro) atribui as mortes de dois jovens motoboys negros em 9 de abril de 2010 "à omissão e culpa do Estado em relação a torturas e assassinatos" da PM paulista. Os casos citados são os mais recentes do que as entidades consideram como uma série.

Para Douglas Belchior, da Uneafro, a entrega do dossiê a diversas órgãos públicos e entidades de defesa dos direitos humanos "visa pressionar o governador Goldman a se pronunciar publicamente sobre as chacinas patrocinadas pela PM". “Vamos mobilizar toda a sociedade em defesa da vida. Não é possível tolerar assassinatos promovidos por aqueles que deveriam garantir a nossa segurança”, defende o ativista.

O dossiê também foi encaminhado a tribunais internacionais como Organização dos Estados Americanso (OEA) e Organização das Nações Unidas (ONU).

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