Diário do Bolso

Meu campeão, meu funcionário do mês, só pode ser o…

Diário, sabe o que eu tenho esquecido? De escolher o meu funcionário do mês! Caraca, eu tenho tantos bons funcionários, fazendo tantas coisas maravilhosas, que acabei me esquecendo

Ivo Minkovicius

Diário, sabe o que eu tenho esquecido? De escolher o meu funcionário do mês!

Caraca, eu tenho tantos bons funcionários, fazendo tantas coisas maravilhosas, que acabei me esquecendo de escolher só um deles.

O Ricardo Salles sempre é um grande candidato. O Boiadeiro não decepciona (a gente deu esse apelido depois que ele disse que tinha que aproveitar a covid pra passar uma boiada de leis a favor do agronegócio). 

O Aras e o André Mendonça também estão sendo ótimos despachantes.

Mas o meu campeão, o meu funcionário do mês, só pode ser o… Pazuello! O ministro que não é ministro mas já está lá há mais de cem dias.

Ele é uma mistura de xerife com almoxarife. Xerife porque é militar e gosta desse negócio de armas. Almoxarife porque, logo que chegou no Ministério, já disse que não entendia nada de saúde, que o negócio dele era gestão, a logística, esses trecos. Enfim, um controlador de estoque.

Foi tipo colocar o zelador para dirigir o hospital.

A maior cualidade de Pazuello é que ele é obediente. Logo depois de assumir a pasta, ele autorizou os médicos a oferecerem cloroquina pros covidados. O Teich e o Mandetta se recusaram, mas com o Pazu não teve frescura. 

Ele também tentou limitar as informações sobre o número de defuntos, falando só em curados. Mas não adiantou muito. Ele teve que voltar a atrás. Se bem que hoje toda a imprensa dá os números de curados. Não foi uma derrota, foi um quase empate. 

Uma mudança importante: ele nomeou uns 20 militares para o Ministério da Saúde. Agora é o Ministério da Defesa da Saúde, kkk!

Mais uma coisa: o Pazuello acabou com aquela frescura de entrevistas diárias. Isso lembrava o pessoal que o coronavírus tava por aí, matando um monte de gente e que tinha que ficar em casa. Tem que afastar essas más notícias, pô.

Se a gente finge que uma coisa não aconteceu, o pessoal acaba esquecendo. É só ver como as ruas tão cheias. Num país sério, com 1.200 mortes e 50.000 novos covidados por dia, um monte de cidade devia estar em loquidaum. Mas, aqui, abriu tudo. 

Enfim, Diarinho, o Pazuello merece o prêmio porque ninguém melhor do que ele fez nada nesse governo.

#diariodobolso

PS: A ilustração é de Ivo Minkovicius.